Equipa criativa da Mototrofa vence, pela segunda vez, o concurso europeu Honda Customs

Categoria Battle of the Twins

Depois da vitória em 2021, a Mototrofa volta a ganhar o maior galardão na categoria “Battle of the Twins”, agora com a Mugen, que tem por base a Honda CB750 Hornet.

andardemoto.pt @ 24-9-2026 06:57:00

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É nacional a que foi considerada como melhor Honda customizada da Europa em 2026. A criação da Mototrofa, a que deram o nome de Mugen, foi criada tendo por base uma CB750 Hornet de 2027 e venceu a 7.ª edição do concurso de customização da Honda “Battle of the Twins”, tendo angariado 10.092 votos e ficando à frente das outras 9 motos a concurso nesta categoria. Em termos práticos, a Mototrofa ganha pela segunda vez o primeiro lugar desta competição, depois de ter conseguido igual feito em 2021, na 2.ª edição do concurso, com a sua Fenix, criada a partir de uma Honda CB650R.

O seu voto foi fundamental para este resultado, que mostra bem a excelência do trabalho de customização que se faz no nosso país e que ganha cada vez mais reconhecimento além-fronteiras. A criação personalizada Mugen inspirou-se na herança da Honda, na estética streetfighter da Hornet e destacou-se pela elevada qualidade dos componentes personalizados, com destaque para uma visão coesa e o estilo intemporal que conquistaram os fãs, arrecadando 24% dos mais de 42.000 votos registados.

A Mugen foi primeiro apresentada no Wheels and Waves, em Biarritz, sendo que a votação online decorreu logo de seguida, entre os dias 12 de junho e 31 de agosto. Em segundo lugar ficou espanhola Last Lap, da Stilmoto, sendo o pódio fechado com a Sting Honey, da polaca Honda Sokół, em colaboração com a Steel Choppers.

Já na categoria Todo-o-Terreno, onde as motos a concurso tinham por base a Honda XL750 Transalp, a vitória sorriu à moto italiana Saharja, construída pela DRS Custom Cycles, que recebeu 36% da votação da categoria. Em segundo lugar ficou a britânica ’86 Dakar Tribute, uma homenagem à NXR750 com que Cyril Neveu ganhou o Dakar na edição de 1986, e a francesa Ocean Nomad, inspirada no surf e no mar, encerrou o pódio.


A análise dos protagonistas

A equipa criativa da Mototrofa aproveitou para partilhar todo o trabalho que esteve por detrás de mais esta importante vitória, respondendo a um conjunto de questões que nos dão a conhecer melhor tudo o que foi feito para alcançar este resultado, ou seja, o trabalho de bastidores que conduziu a esta vitória:

- O que significa vencer o concurso hondacustoms.com pela segunda vez?

Vencer o concurso Honda Customs pela segunda vez tem, obviamente, um significado muito especial para nós. A nossa primeira vitória com a Fénix já tinha sido um marco notável, mas conseguir repetir essa conquista vários anos depois prova que não se tratou apenas de um projeto bem-sucedido ou de um momento de inspiração. Reflete uma identidade clara, uma forma única de trabalhar e uma vontade constante de levar o design ainda mais longe.

Tem um forte significado pessoal para todas as pessoas da Mototrofa. Ter dois projetos vencedores numa competição europeia desta dimensão é algo que nos enche verdadeiramente de orgulho, especialmente porque por detrás de cada projeto existe uma equipa, inúmeras horas de trabalho, debate, atenção ao detalhe e, acima de tudo, uma enorme dedicação.

Esta vitória é também um reconhecimento de todos esses esforços. Saber que uma criação desenvolvida por nós em Portugal foi escolhida entre tantos projetos excelentes de toda a Europa deixa-nos extremamente felizes e orgulhosos. Com isto em mente, gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os que, de uma forma ou de outra, fizeram parte desta jornada.

Um agradecimento especial a Paulo Ferreira, que voltou a assumir a direção criativa deste projeto, e a Guilherme Silva pelo seu apoio incansável na comunicação e ao longo de todo o processo criativo, acompanhando o projeto do início ao fim. Ao Ivaldo Lima e ao Flávio Ferreira pelo trabalho extraordinário realizado na oficina e pela sua busca incessante pela excelência. Nunca entregaram nada menos do que a perfeição na execução.

E, claro, o nosso agradecimento estende-se a todos os que votaram em nós e acreditaram em nós desde o primeiro dia. Significa verdadeiramente muito para nós.

- Qual foi a inspiração por detrás da ‘Mugen’ e de que forma influenciou a construção final?

A inspiração por detrás da ‘Mugen’ surgiu da própria filosofia da marca e da sua ligação histórica ao mundo do desporto motorizado. Queríamos criar uma moto que transmitisse imediatamente uma sensação de performance, preservando ao mesmo tempo a identidade da Honda e evitando transformar o projeto numa simples réplica de uma moto de competição.

A partir desse ponto de partida, procurámos elevar todos os aspetos do conceito ao próximo nível de performance. A postura agressiva, o esquema de cores, os detalhes gráficos e a sensação de movimento foram cuidadosamente adaptados ao caráter da Hornet. O objetivo era que cada modificação tivesse um propósito claro e contribuísse para uma imagem mais desportiva e dinâmica. Ao mesmo tempo, queríamos que esta moto apresentasse um nível irrepreensível de acabamento, com uma aparência premium e elegante. No final, acredito que esse se tornou um dos maiores sucessos do projeto.

Apesar de todas as modificações, continua a ser possível olhar para a moto e reconhecê-la imediatamente como uma Honda CB750 Hornet.


- Qual foi o elemento mais desafiante de incorporar e como conseguiram ultrapassar esse desafio?

Acredite ou não, o maior desafio acabou por ser a pintura e os grafismos. Passámos por muitas ideias e explorámos várias direções diferentes porque queríamos que a ‘Mugen’ tivesse uma presença muito forte, sem se tornar demasiado óbvia ou visualmente exagerada.

O esquema de pintura é aquilo que define imediatamente a personalidade de uma moto e, neste caso, tinha de estabelecer uma ligação à ‘Mugen’, transmitir uma sensação de performance e, ao mesmo tempo, respeitar as linhas e a identidade da Hornet. Acabámos por chegar a um ponto em que percebemos que menos poderia ser mais. A partir daí, continuámos a refinar o design até encontrarmos o equilíbrio certo entre cor, grafismos, proporções e superfícies da moto.

Sabíamos que seria um risco não criar a moto visualmente mais radical em termos de esquema de cores, uma vez que poderia atrair menos atenção à primeira vista. Por outro lado, sentíamos também que essa contenção a faria destacar-se de uma forma diferente. Foi por isso que fez sentido seguir os nossos instintos. O desafio consistia em encontrar a linguagem visual certa e, tão importante quanto isso, saber quando parar. Olhando para trás, acreditamos que foi precisamente essa decisão que acabou por dar à ‘Mugen’ a identidade que procurávamos.

- Qual é a vossa parte favorita da ‘Mugen’? Podem explicar um detalhe específico?

É difícil escolher uma parte favorita da ‘Mugen’ porque, para nós, é o conjunto que torna esta moto tão especial. Gostamos genuinamente de tudo o que foi feito, por isso seria injusto destacar apenas um elemento.

Desde a pintura e os grafismos, que talvez tenham sido os aspetos mais difíceis de definir, ao apêndice aerodinâmico sob o farol principal, concebido de raiz e fabricado em verdadeira fibra de carbono; desde as modificações na suspensão e os ajustes no reforço traseiro até à secção traseira redesenhada e aos seus acabamentos refinados; desde a relocalização do painel de instrumentos principal até aos mais pequenos detalhes, tudo foi concebido para funcionar em conjunto como um todo coerente.

Cada elemento serve um propósito dentro do conceito e, sempre que algo é removido ou alterado, sente-se imediatamente que a moto perde parte da sua identidade. Talvez essa seja a caraterística mais especial da ‘Mugen’: não existe um único detalhe que defina o projeto. O que realmente a define é a forma como todos os elementos se unem. No final, olha-se para a moto e sente-se que tudo está exatamente onde deveria estar.


- Quanto tempo demorou toda a construção, desde o conceito até à conclusão, e houve acontecimentos inesperados pelo caminho?

Todo o projeto foi concluído em apenas seis semanas, desde o conceito inicial até à moto finalizada. Foi um período extremamente intenso, mas a experiência adquirida com o projeto Fenix ajudou-nos a tornar todo o processo mais rápido e eficiente. Já tínhamos uma compreensão muito melhor dos desafios envolvidos num projeto desta natureza, desde o desenvolvimento do conceito até à concretização da moto, o que nos permitiu tomar certas decisões com maior rapidez e confiança.

Naturalmente, ocorreram várias alterações e imprevistos ao longo do caminho. Sem dúvida, o nosso maior desafio foi o tempo. Queríamos incorporar vários componentes exclusivos que exigiam tempo para serem concebidos, fabricados e entregues. Além disso, várias peças tiveram de ser modificadas durante a construção. Tivemos de ajustar, testar diferentes soluções e, em determinadas fases, repensar algumas das nossas ideias originais.

Olhando para trás, acreditamos que a experiência adquirida com o projeto Fénix constituiu uma vantagem significativa. Ao mesmo tempo, isso torna esta vitória ainda mais especial: conseguimos desenvolver uma moto completamente nova em apenas seis semanas e levá-la até à conquista de mais um título europeu. Foi um verdadeiro esforço de equipa e, apesar da constante pressão do tempo, conseguimos manter o foco no resultado do início ao fim.

- A ‘Mugen’ foi construída sob o lema “A forma deve seguir a função, e não o contrário”. Como equilibram forma e função numa moto personalizada?

 Para nós, forma e função devem trabalhar sempre em conjunto. Uma moto personalizada nunca deve ser apenas uma coleção de componentes atrativos; cada modificação deve ter um propósito e contribuir para o conceito global.

Com a ‘Mugen’, começámos por definir a mensagem que queríamos que a moto transmitisse e, a partir daí, tomámos decisões relativamente aos diferentes elementos. Mesmo quando uma modificação servia um propósito principalmente estético, garantimos que respeitava as linhas e proporções da Hornet e que existia uma razão clara para fazer parte do conjunto.

Ao mesmo tempo, nunca quisemos que a funcionalidade limitasse demasiado a criatividade. O verdadeiro desafio está em encontrar soluções que sejam funcionais e que, simultaneamente, contribuam para o caráter e personalidade da moto. É esse equilíbrio que torna uma personalização verdadeiramente bem-sucedida: quando se olha para a moto, já não é possível perceber onde termina a função e começa a forma, porque ambos os elementos parecem resultar exatamente da mesma decisão de design.


 - A CB750 Hornet é uma boa base para uma personalização?

A CB750 Hornet é, já de si, uma moto com uma personalidade muito forte, combinando um estilo agressivo e moderno com uma grande liberdade para interpretação pessoal. Foi precisamente isso que nos atraiu neste projeto.

Nunca sentimos necessidade de transformar completamente a Hornet para criar algo especial. Pelo contrário, gostámos da ideia de partir daquilo que a moto já era e explorar até onde a poderíamos levar através da nossa própria visão e mestria.

A ‘Mugen’ acabou por se tornar uma interpretação muito pessoal daquilo que uma Hornet ideal poderia ser. É isso que faz de uma moto uma excelente plataforma para personalização: uma moto que inspira antes mesmo de começar a ser modificada, mas que continua a oferecer a liberdade de contar uma história diferente através da própria criação.

- Qual seria o vosso projeto de sonho dentro da atual gama Honda? E que forma assumiria?

Se pudéssemos escolher qualquer modelo da gama atual da Honda, provavelmente escolheria a CB1000F. Para mim, oferece uma base particularmente interessante para trabalhar, especialmente pela sua presença e pela forma como o motor, o quadro e a linguagem de design mais inspirada no estilo retro se conjugam.

Depois de concluirmos dois projetos Honda Customs, seria também um desafio entusiasmante criar algo completamente diferente tanto da ‘Mugen’ como da Fenix.

Acreditamos que a CB1000F oferece inúmeras oportunidades para explorar novas direções, quer em termos estéticos, quer em proporções ou até na história por detrás da preparação. Essa possibilidade de partir de um conceito diferente e expressar uma nova visão é aquilo que torna um projeto deste género tão apelativo para nós.

andardemoto.pt @ 24-9-2026 06:57:00


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