Henrique Saraiva

Henrique Saraiva

Gosto de voltas e passeios de moto aqui ao pé… e mais além!

OPINIÃO - Viagens ao Virar da Esquina

Estrada Nacional 2 - As bodas de diamante

Há 75 anos, na sexta feira 11 de Maio de 1945 (apenas 3 dias depois do final da 2ª Grande Guerra, na Europa) era publicado no Diário do Governo o Decreto Lei nº 34.593. Nele se consagrava um projecto iniciado ainda no tempo do Ministro Duarte Pacheco - o do viaduto e da primeira auto-estrada até ao Estádio Nacional, do próprio Estádio, do Instituto Superior Técnico e de muitas outras obras que perduraram para lá dos regimes políticos - mas concluído alguns anos depois da sua morte.

andardemoto.pt @ 11-5-2020 19:11:17 - Henrique Saraiva

O Plano Rodoviário Nacional que é a certidão de nascimento da Estrada Nacional 2, é um documento que à época criou e ordenou toda a rede de infraestrutura rodoviária e, principalmente, criou as traves mestras do seu posterior desenvolvimento e das características que viria a ter.

O factor mais importante era a divisão das estradas em 3 classes (pela sua importância e respectivas características) sendo que a principal era a primeira. E a numeração das estradas respeitava este critério. A número 1 era a estrada que unia a capital à segunda cidade do País. E a número dois, aquela que saindo do extremo norte de Portugal viria a desaguar perto das águas do Atlântico, mais de 700km a sul, em Faro.

Era e é uma estrada que atravessa o País pelo seu interior aí se evidenciando a visão da época no que ao ordenamento do território se refere e que contrasta com a actualidade, onde praticamente tudo se passa junto ao litoral.

Também por isso a Estrada Nacional 2 mostra a todos os que a percorrem aquilo que Portugal tem de mais genuíno seja do ponto de vista cultural, histórico ou paisagístico. E as suas gentes! Principalmente as suas gentes. Cada paragem é uma oportunidade para ficarmos mais ricos.


Nela passamos pelos socalcos do Douro, pelo magnífico Santuário de Nª Sª dos Remédios em Lamego, pela histórica Cava de Viriato em Viseu, pela Barragem da Aguieira que submergiu parte do traçado da EN2, pela Livraria do Mondego nas margens deste rio, pela florestas do centro do País, visitamos o Centro Geodésico de Portugal no Picoto da Melriça, vemos de repente a paisagem mudar quando atravessamos o Rio Tejo em Abrantes e entramos no Alentejo, percorremos rectas quase infinitas a caminho da Serra do Caldeirão, já a chegar ao Algarve e finalmente, vislumbramos o Oceano e as belas praias que nos aguardam. Se quiserem, leiam ao contrário...é igualmente válido!

Celebrar umas bodas de diamante é algo que merece sempre todo o destaque. E se hoje não o conseguimos fazer devidamente face à situação sanitária do País, que fique prometido que logo que tudo esteja resolvido, iremos prestar-lhe a justa homenagem.

10 fotos ilustrativas da Nacional 2


A Estrada Nacional 2, esta “velha senhora”, merece muito mais do que a atenção que até agora lhe tem sido dedicado por quem de direito. Tem um potencial turístico fortíssimo e pode ser, para muitas zonas do interior, um factor de desenvolvimento e de combate à desertificação. Mas precisa de muito carinho. Precisa de uma sinalização adequada - que recupere as placas e os marcos como eram à data da sua construção. Precisa de melhorias no piso mas que não lhe adulterem o traçado. E que não lhe mudem designações, numerações e outras designações.

Hoje, deveríamos estar a celebrar a elevação da Estrada Nacional 2 a Património Nacional. E daí partirmos para a sua recuperação. Inclusivamente, com os pedaços que, entretanto, dela saíram em favor de vias mais rápidas... mas que não são “a” Estrada Nacional 2!

Parabéns EN2!...” Nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida!”

Parabéns também aos que a percorreram - e que de certeza neles continua viva a recordação profunda - e a todos os que anseiam fazê-la.

De Norte a Sul ou de Sul a Norte.

Num dia ou em vários dias (quantos mais melhores, porque assunto não faltará).

Viva a Estrada Nacional 2!

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