Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

As motos vão entrar na maior revolução tecnológica desde o ABS — e quase ninguém está a falar disso

Sou, assumidamente, uma geek. Tecnologia é algo que faz parte da minha vida profissional e do meu gosto pessoal desde sempre.

andardemoto.pt @ 25-12-2025 12:07:00 - Susana Esteves

Apesar de inovação ser algo totalmente incompatível com a minha conta bancária, tenho seguido e lido muitas das coisas que as marcas andam a fazer, e é incrível a revolução tecnológica que está a caminho do universo motociclista.

Alguns exemplos: até agora, os sistemas de radar eram mais uma moda premium dos afortunados,  mas começam a tornar-se a nova base de segurança ativa.
As primeiras implementações (Ducati Multistrada V4, KTM 1290 Super Adventure, BMW R 1250 RT, entre outras) provaram que o radar dianteiro e traseiro funciona de forma fiável em contexto real: ACC, Blind Spot Detection, Rear Collision Alert… E o que vem aí traz maior resolução, fusão com câmaras e deteção lateral mais precisa.


Toda a eletrónica está a deixar de ter um papel reativo para assumir um preditivo. O que hoje chamamos de “assistência” (TC, anti-wheelie, cornering ABS, slide control) baseia-se numa lógica simples: algo acontece - a eletrónica corrige (ou não).
Mas marcas como a Bosch e a Continental estão a desenvolver modelos preditivos, que têm por base a leitura do estado do pavimento (vai ser desafiante nas estradas portuguesas), telemetria de longo alcance e dados partilhados. Isto significa que a moto passa a “saber” que o condutor está prestes a entrar demasiado rápido numa curva ou que há baixa aderência mais à frente,  e reage antes do erro acontecer.

Depois temos a conectividade V2X e a inteligência artificial. Ao contrário dos carros, ninguém quer motos autónomas, nem faz sentido, mas coisas como deteção inteligente de riscos (trajetória de veículos, comportamento errático, obstáculos pequenos impossíveis de ver a alta velocidade), manutenção preditiva real ou aprendizagem do estilo do condutor fazem todo o sentido.


A KTM, BMW e Yamaha participam em projetos europeus de Vehicle-to-Everything (V2X) específicos para motos. O objetivo é alertar o condutor de um carro que há uma moto no ângulo morto, comunicar travagens de emergência em tempo real e reduzir colisões frontais e laterais, o tipo de acidente mais mortal para motociclistas. E tendo em conta os números mais recentes…

Estamos “psicologicamente” preparados para isto?
Muitos motociclistas continuam a ver eletrónica como “ruído” que tira pureza à condução. Mas a evolução não dá tréguas: teremos motos mais assistidas, mais conectadas e mais inteligentes. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio que permita integrar tecnologia avançada sem perder aquilo que torna o andar de moto uma experiência humana, visceral e livre.

O que acham disto?

andardemoto.pt @ 25-12-2025 12:07:00 - Susana Esteves

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