SBK 2025 Jerez Terceiro título e despedida para Toprak
‘El Turco’ conquistou a sua terceira coroa no Mundial de Superbike, confirmando o favoritismo com que chegava a Jerez. A dúvida manteve-se, no entanto, até ao final numa derradeira jornada inteiramente dominada pelo rival Nicoló Bulega.
andardemoto.pt @ 20-10-2025 13:23:07 - Texto: Vitor Sousa
A 12º e última ronda do Campeonato do Mundo de Superbike correu-se em Jerez de la Frontera, no Circuito Angel Nieto e seria a primeira vez desde 2014 que o campeonato iria ser decidido na última corrida.
Depois da série de 13 triunfos consecutivos que igualou o seu próprio recorde do ano passado, Toprak Razgatlioglu viu Nicolo Bulega e a Ducati regressarem aos triunfos em Aragon para um final de temporada que se adivinhava quente, apesar da vantagem pontual com que o piloto da BMW chegou à reta final da temporada.
O italiano, depois de ter estado na mó de cima no primeiro terço do campeonato, começou a ver a sua vida complicar-se a partir da jornada de Most (onde venceu pela última vez antes da série de vitórias consecutivas de Toprak).
À chegada a Jerez a conquista do título por parte de Bulega parecia inviável, apesar de matematicamente possível. Ao afirmar que ‘estava em paz’ consigo mesmo, Bulega reconhecia que havia feito tudo o que estava ao seu alcance e, não fossem as duas desistências por motivos técnicos em Assen - uma jornada onde se previa o seu domínio absoluto - o ‘chefe de fila’ da Ducati teria chegado a Jerez com dois pontos de atraso para Toprak em vez de… 39!
O fim de semana começou com Bulega a impor a sua lei. Mais rápido nas três sessões de treinos livres (apesar de uma fuga de água no FP2), impressionou na Superpole ao obter uma marca que o colocaria em P14 na grelha de partida do GP de Espanha em MotoGP.
Naturalmente conquistou a ‘pole’ para a corrida 1 e para a Superpole Race, à frente de Toprak, bem menos confiante no acerto da sua moto para as corridas e de Sam Lowes. O britânico da Ducati, no entanto, teve de se retirar do fim de semana pois ressentiu-se da lesão contraída a treinar antes da jornada do Estoril.
A Corrida 1 foi, como se esperava, dominada por Bulega. Sem grande história, Toprak terminou a mais de três segundos e Bautista fechou o pódio (5º terceiro lugar consecutivo). Fazendo o que lhe competia, Bulega adiava para domingo a decisão do título. A primeira volta da Superpole Race traria o momento mais controverso da temporada na luta entre os dois protagonistas do campeonato.
Toprak estava na frente na entrada para a curva 5 (a que antecede a reta interior), mas Bulega tentou surpreender por dentro não evitando o toque no piloto da BMW que lhe provocou a queda e a desistência.
Bulega sofreu uma penalização de Long Lap, que cumpriu sem perder a liderança da corrida, e venceu com quatro segundos de vantagem sobre Alvaro Bautista, na que foi apenas a segunda ‘dobradinha’ para a equipa oficial da Ducati em toda a época. Andrea Iannone fechou um pódio inteiramente Ducati.
O ambiente aqueceu junto ao ‘Victory Lane’, com o italiano a ser alvo de um fortíssimo apupo por parte dos fãs de Toprak que ali se concentraram com esse propósito. Para além de ter registado a segunda (apenas) desistência da temporada, Toprak seria ainda obrigado a sair da 10ª posição da grelha para a Corrida 2, uma vez que as três primeiras filas são preenchidas pelos nove primeiros classificados da SP Race.
A vantagem era, no entanto, bastante confortável. O piloto turco podia terminar em P13 que seria Campeão. Havia apenas que evitar qualquer ‘encontro imediato’ em pista ou problema técnico… Bulega foi para a frente, mais uma vez, liderando e vencendo com autoridade, de novo à frente de Alvaro Bautista (oitavo pódio consecutivo).
Apesar de alguma réplica ao longo do fim de semana por parte de Locatelli, o terceiro lugar no campeonato foi para Bautista que beneficiou ainda da ausência de Danilo Petrucci nas duas últimas rondas. Uma forma de despedida da equipa oficial da Ducati com alguma dignidade. Toprak fez uma corrida sem sobressaltos, ganhando lugares sem pressas, para fechar com o terceiro degrau do pódio a sua carreira no Mundial de Superbike.
O piloto que agora está a caminho do MotoGP (‘troca’ direta com Miguel Oliveira) confirmou-se nesta temporada como o segundo melhor da história desta disciplina, com 78 vitórias, entrando num patamar de excepção onde estão aqueles que já conquistaram pelo menos três títulos mundiais e onde só cabem Rea (6x), Fogarty (4x) e Bayliss (3x).
A BMW, no entanto, perdeu a segunda oportunidade consecutiva de conquistar o Campeonato de Construtores que, mais uma vez, foi para a Ducati.
A despedida do GOAT
Numa jornada marcada por inúmeras despedidas - umas das suas atuais equipas, outras do próprio campeonato - Jonathan Rea disse adeus a uma categoria onde conquistou um estatuto ímpar. Seis vezes Campeão do Mundo, com 119 vitórias, 14 anos de competição a representar oficialmente quatro construtores é algo que demorará muito tempo a ser igualado ou batido.
Foi pena ter falhado a participação na última corrida do ano, pois foi atirado ao chão por Remy Gardner (ironicamente outro piloto Yamaha) na Superpole Race, tendo lesionado o joelho direito, mas a sua saída não foi ignorada por ninguém no paddock, provocando uma forte onda de agradecimento por tudo o que ofereceu à modalidade ao longo deste tempo. Obrigado GOAT!
O Campeonato regressa a 21 e 22 de fevereiro de 2026, em Phillip Island.
Todos os resultados do Mundial de Superbike em www.worldsbk.com
andardemoto.pt @ 20-10-2025 13:23:07 - Texto: Vitor Sousa
Clique aqui para ver mais sobre: Esportes