Comparativo Trail de Média Cilindrada

Benelli, Honda, Royal Enfield e SWM Frente a Frente

andardemoto.pt @ 9-7-2019 06:50:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Elas são leves, ágeis, económicas e, sobretudo, fáceis de conduzir. São máquinas simples e despretensiosas, que cumprem na perfeição a tarefa de levar qualquer motociclista a qualquer lado.

Indicadas para quem quer progredir na “carreira motociclística”, vindo de motos de cilindrada inferior, ou quem se quer lançar em novas aventuras, estas motos garantem níveis de descontração e confiança muito elevados, mesmo quando o alcatrão acaba e a terra começa.

São também as responsáveis por grande parte das consultas que os nossos leitores têm feito, quer directamente aos concessionários das respectivas marcas, a partir do nosso catálogo de motos novas, quer à nossa redacção.

O seu preço é um dos grandes argumentos de venda, mas o grande sucesso que estes modelos têm conquistado, implica necessariamente um elevado nível de satisfação por parte dos seus proprietários.


Vamos vê-las em detalhe:

Benelli TRK 502 X

Uma recordista de vendas no nosso país, com mais de oitocentas unidades matriculadas durante o ano de 2018, repartidas por esta versão “X” com jantes raiadas, descanso central, escape elevado e roda de 19 polegadas na frente (que já tinhamos tido oportunidade de lhe apresentar, clique aqui para ver), e a versão normal que também já testámos recentemente (clique aqui para ver), até agora a mais popular, com jantes de alumínio e roda de 17 polegadas na frente.

O seu porte imponente, as linhas de design italiano, que não passam despercebidas, a dinâmica do importador e uma rede de distribuição a cobrir todo o país, são algumas das razões do seu sucesso, mas a verdade é que, aos seus comandos, a sensação que qualquer uma das TRK 502 consegue transmitir é muito agradável. 

Tem uma ciclística honesta, um motor que não desilude, sobretudo quem não tiver referência de motos mais potentes, com um som muito cativante e uma rápida resposta ao acelerador, e oferece um grande conforto, proporcionado pelo assento macio e bem dimensionado, e pela boa afinação das suspensões.

A leveza dos comandos, caixa de velocidades incluída, além de uma grande protecção aerodinâmica e um nível de equipamento de série muito elevado, onde se destacam a forquilha invertida, discos de travão em pétala e protecções de punhos, são os aspectos que mais destaque merecem.

Na prática, a Benelli TRK 502 X revela-se muito fácil de conduzir, mesmo fora de estrada, onde nem falta a opção de desligar o ABS da roda traseira. A resposta directa e sem falhas ao acelerador ajuda nas manobras a baixa velocidade.

O seu desempenho em pisos menos consistentes é acima da média, sobretudo em manobra, devido à suave resposta do acelerador. No entanto a configuração do depósito e do guiador, este ligeiramente curvado para o interior, penalizam uma prolongada condução em pé. Já sentado, a posição de condução é ergonómica, com muito espaço para passageiros volumosos. Por outro lado, condutores de estatura mais baixa têm que se manter bem alerta, pois podem ficar “sem pé” a meio das manobras.

A Benelli é a mais imponente deste comparativo. Volumosa, quase luxuosa, bem equipada, não deixa ninguém indiferente. Será a mais vocacionada para grandes viagens com passageiro mas, sem as malas, é também uma excelente companheira para o dia-a-dia.


Honda CB 500 X

Para 2019 a Honda CB 500X recebeu algumas alterações que lhe conferem uma ainda maior polivalência. Se a mais pequena das “adventure bikes” da Honda já era bastante conceituada pela sua versatilidade, com capacidades que permitiam levá-la a qualquer lado sem grandes problemas, as remodelações de que agora foi alvo colocam-na num patamar bastante mais elevado.

Comparativamente com o modelo anterior, a suspensão tem mais curso e o motor debita a mesma potência, mas apresenta uma curva de binário mais bem repartida ao longo do regime, mostrando-se o bicilíndrico mais cheio e agradável de explorar.

O novo painel de instrumentos LCD é muito completo, incluindo um indicador de mudança engrenada que mostra ao condutor quando deve trocar de relação para optimizar os consumos. A iluminação é integralmente em LED e a manete de travão já permite regulação. A embariagem tem um toque leve e a caixa de velocidades é irrepreensível.

Na dianteira a forquilha tem afinação da pré-carga da mola e exibe agora uma jante de 19 polegadas, em fundição de alumínio, que a torna muito mais estável em pisos degradados, e que também potencia uma maior dosagem da travagem da roda dianteira, que apesar de contar com apenas um disco de travão, se mostra mais do que suficiente.

A grande agilidade e o comportamento da ciclística, mesmo a alta velocidade, eram pontos altos da versão anterior que já tinhamos tido oportunidade de lhe apresentar (clique aqui para ver) e tornam a CB500 X bastante agradável de conduzir.

Nesta nova versão, a suspensão tem uma afinação mais firme, o que lhe proporciona um desempenho dinâmico digno de nota. Na prática, tudo isto resulta numa maior aptidão para enfrentar caminhos menos movimentados, numa declarada piscadela de olhos aos motociclistas mais aventureiros, sem no entanto perder as suas aptidões para uma utilização urbana diária.

A Honda CB 500X, apesar de penalizada pelos pneus Dunlop que têm imensa dificuldade em conseguir tracção, sobretudo a frio ou em piso de terra, será a mais equilibrada de todas as motos deste comparativo.

Royal Enfield Himalayan 410 Adventurer

Esta é, sem qualquer condição, a moto mais fácil de conduzir deste comparativo. Mesmo com passageiro a Royal Enfield Himalayan 410 Adventure oferece uma experiência de condução relaxante, num estilo muito próprio que convida a passeios descontraídos pelo campo. No teste que tínhamos publicado anteriormente (clique para ver), o seu baixo peso, a baixa altura do assento e a suavidade de funcionamento, revelaram-na ideal para uma grande faixa de utilizadores. 

A estrada aberta será o pior cenário onde se pode colocar esta tão carismática moto. Os seus 24 cavalos de potência e a caixa de 5 velocidades são mais do que suficientes para imprimir ritmos que não envergonham, mas que também não extasiam ninguém, e a travagem tampouco é dada a grandes esforços. Se adicionar passageiro à equação, então ainda menos. No entanto isso nem é o mais importante, pois toda a sensação que a Himalayan transmite é de calma e tranquilidade, ideal para passeios idílicos.

Por outro lado, quando o asfalto acaba, a Himalayan brilha com toda a sua agilidade e leveza, enfrentando com muita confiança os maiores obstáculos, evoluindo no terreno sem grandes esforços, mesmo com passageiro. Os pneus apresentam características enduristas, oferecendo muito boa tracção tanto na terra como no asfalto.

Outro dos factores a favor desta Royal Enfield, é a economia. Economia na compra, já que o seu preço é significativamente mais baixo que o da concorrência, e economia na utilização, com consumos de combustível frugais.

Em caso de queda também não será preciso vender nenhum rim para efectuar a reparação, pois além das protecções bem desenhadas, não há muita coisa para estragar. O painel de instrumentos oferece bastante informação e é a única destas pequenas aventureiras que vem equipada com bússula.


SWM SuperDual T

Praticamente desconhecida dos portugueses, a marca SWM conta já com uma longa história que remonta ao início da década de 70, em corridas agora denominadas provas de Enduro. À época, dois pilotos e amigos com a mesma paixão pelo todo-o-terreno decidiram construir as suas próprias motos, fundando a SWM, sigla para: Speedy Working Motors.

A Superdual T (existe uma versão X, mais endurista com rodas de 21 e 18 polegadas respetivamente na frente e atrás), tem todo o caráter derivado do seu motor monocilíndrico, explosivo e carismático, e toda a eficácia de uma ciclística de luxo, com componentes de especificações elevadas, factores que lhe permitem ser usada de forma mais agressiva, sobretudo em andamentos rápidos e em pisos degradados.

Muito ágil, apenas pecando pela brecagem que necessita de um pouco mais espaço que as suas concorrentes, muito leve, tanto na balança como na prática, muito reactiva tanto em manobra como na resposta ao acelerador, a Superdual é uma moto polivalente que encanta mesmo quem estiver habituado a máquinas mais potentes.

Ao longo deste teste foi a que se mostrou mais vigorosa e a que mais prazer de condução me deu.  Não será a mais fácil de conduzir, sobretudo devido ao carácter do motor que exige alguma experiência em manobra para que não se “cale” de repente, mas é a que permite ser conduzida com mais afinco, e aquela cuja ciclística está melhor preparada para ser abusada. O ABS da roda traseira também pode ser desligado.

Apesar de algumas semelhanças na ficha técnica, cada uma destas motos tem um carácter próprio e bem definido.

Não vou condicionar a escolha de ninguém com classificações ou pontuações. Cada uma delas tem o seu atractivo, e como gostos não se discutem... Pessoalmente, a que mais prazer de condução me deu foi a SWM. Mas não posso negar que fiquei impressionado com o desempenho das demais, cada uma delas pelas razões que já mencionei: 

Em resumo:

 A Benelli TRK502 X impressiona pelo seu aspecto e pelo bom desempenho geral, a Honda CB500 X pela qualidade de construção e suavidade de funcionamento,  a Royal Enfield Himalayan pelo seu charme e facilidade com que vai a qualquer lado e a SWM Superdual T pelo prazer de condução que proporciona, consubstanciado na resposta do motor e na eficácia da ciclística, sobretudo em andamentos rápidos.

Pontos negativos há, obviamente, alguns, porque não há motos perfeitas! Dignos de destaque, começando na mesma por ordem alfabética, aqui ficam:

A Benelli peca pelo excesso de peso, e apesar de a sua altura ao solo não ser a mais elevada, a largura do assento torna mais difícil chegar com os pés ao chão. Em manobra o facto de ser a moto mais pesada deste comparativo também se faz notar. A caixa de velocidades, apesar de precisa e suave, tem um accionamento diferente, menos directo que o habitual.

A Honda peca por não deixar desligar o ABS na roda traseira, como seria de esperar de qualquer moto com pretensões de aventureira. Algumas vibrações no assento e poisa-pés poderiam ter sido eliminadas. O travão traseiro podia ser um pouco mais doseável, já que a roda bloqueia facilmente, o que leva a que o ABS entre em funcionamento e, na prática, atrase substancialmente a travagem.

A Royal Enfield tem como principal óbice a modesta potência de travagem, que está manifestamente abaixo do potencial do conjunto, e o descanso central rouba alguma da altura livre ao solo, sobretudo quando bem carregada ou com passageiro. 

A SWM não é nenhum exemplo de pormenor de acabamentos, o assento do passageiro é minimalista, o tampão de combustível tem um formato original mas não é articulado, nem tem nenhum local para ser colocado enquanto se está a abastecer, e o bocal de enchimento do depósito é bastante estreito, obrigando a dosear a agulheta com precaução para se evitar um duche de gasolina.

Em termos de consumos, e o mais importante em motos deste tipo será a autonomia, todas elas garantem intervalos práticos de abastecimento (até entrarem na reserva) a rondar os 250km, sem qualquer (ou muito pouca) preocupação economicista.

Dito isto, a Royal Enfield é efectivamente a mais poupada, sobretudo se for conduzida sem exageros, que se traduz em médias que rondam os 3,5 litros aos 100km. Logo a seguir está a Honda que, dependendo da intensidade com que se roda o punho, tem consumos entre os 4 e os 5 litros aos 100km. Um pouco mais gulosas são a Benelli e a SWM, a acusarem consumos ligeiramente superiores mas, ainda assim, abaixo dos 5,5 litros.

De qualquer forma, a decisão final é sua. Não há nada pior na escolha de uma moto, do que as opiniões de terceiros. Cada um é como cada qual e gostos não se discutem. Por isso contacte um concessionário e vá fazer um test-ride para avaliar pessoalmente qual a melhor moto para si, ou seja, qual a que lhe dá mais prazer conduzir. Isso é que é importante, para que a possa desfrutar, por muitos e longos anos e quilómetros... a andar de moto!

andardemoto.pt @ 9-7-2019 06:50:33 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira