Teste Ecooter E1R – A solução inteligente para a mobilidade urbana
Existem cada vez mais propostas elétricas de duas rodas. Mas nem todas conseguem ser efetivamente soluções para o motociclista comum. A scooter elétrica Ecooter E1R é uma proposta bem tentadora e com soluções inteligentes. O Andar de Moto teve a oportunidade de realizar um breve contacto com esta E1R, e aqui fica a nossa opinião sobre esta scooter amiga do ambiente.
andardemoto.pt @ 10-9-2019 13:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Veículos
elétricos são o futuro, e a consciência ambiental que a nossa sociedade revela
faz com que os grandes fabricantes de motos estejam atentos e lancem motos
elétricas. Ou, no mínimo, estejam a planear lançar modelos elétricos.
Já existem no mercado nacional diversas propostas elétricas em duas rodas. Mas
as mais eficientes, seja em termos dinâmicos, como em termos de autonomia,
acabam por se revelar mais dispendiosas no momento da aquisição. E esse, por
mais que se poupe depois em combustível ou nas manutenções, continua a ser um
fator que pesa no momento do comum motociclista decidir se compra uma moto
elétrica ou a combustão.
Porém a Ecooter, marca representada em Portugal pela Watt, uma loja localizada
em Lisboa dedicada a 100% a motos e scooters elétricas, tem no seu catálogo uma
solução bastante interessante, diria até uma solução inteligente para quem
procura um veículo de duas rodas elétrico, e com possibilidade de carregamento
em qualquer sitío onde estamos!
A oportunidade de testar a E1R surgiu depois de um contacto com o responsável da
Watt, Deodato do Ó, e apesar do nosso tempo aos seus comandos ter sido um pouco
mais curto do que o habitual, a verdade é que a E1R mostrou os seus pontos
fortes, e como pode, de facto, ser uma opção válida para quem procura
movimentar-se dentro dos meios urbanos.
E
começo por referir aquela que, para mim, será a característica mais importante
da E1R: a bateria removível!
Quando me perguntam porque é que não tenho uma moto elétrica, a minha reposta,
e imagino que seja a reposta de muitos de vós, é que não tenho sítio para
carregar as baterias. Tenho um lugar de garagem, mas sem tomada para ligar a
moto e carregar durante a noite.
Pois bem, com a E1R esse é um problema que fica resolvido. A bateria da Samsung
é facilmente removida do seu encaixe debaixo do assento da scooter. É
necessário retirar uma ficha, mas logo na minha primeira tentativa em menos de
30 segundos consegui remover a bateria. Depois é só levar para casa e colocar à
carga, ligando-a ao transformador específico fornecido pela Ecooter, que por
sua vez está ligado a uma tomada doméstica convencional.
Com um peso de 14 kg a bateria não é um incómodo de transportar, mesmo para
quem morar num prédio com escadas e sem elevador. A carga completa demora 6
horas, e com uma carga, dependendo da forma como doseamos o acelerador, a
Ecooter E1R percorre em condições reais cerca de 70 a 80 km. A bateria também
pode ser carregada estando instalada na E1R.
De referir que uma bateria para a E1R custa 1200€. Por isso, se tiver mesmo
necessidade, é possível comprar uma segunda bateria que fica a carregar em casa
ou no escritório. Quando a bateria que está a usar esgota, facilmente podemos
trocar para a segunda bateria, colocando a primeira à carga, e voltamos à
estrada. Uma solução que, por exemplo, e de acordo com o staff da Watts, já é
usada por alguns estafetas que percorrem mais do que os 80 km de autonomia
anunciada pelo fabricante.
Tecnicamente
a Ecooter E1R é definida pelo seu motor. Este motor tem uma potência máxima de
4 kW, mas é o seu binário de 165 Nm disponível logo a partir do momento de arranque
que mais nos surpreende. A Watt define a E1R como sendo equivalente a uma
scooter 125 cc, mas a verdade é que não chega a tanto. Fica lá perto, mas não
consigo dizer que seja mesmo como conduzir uma 125 cc.
É verdade que o motor consegue colocar a E1R a rolar acima dos 50 km/h bastante
rapidamente. Mas a partir daí sente algumas dificuldades em manter o ritmo da
subida de velocidade, sendo que a velocidade máxima atingida em plano é de 85
km/h, e é necessário percorrer uma distância considerável para atingir esse
valor.
Um bom exemplo do que estou a dizer foi quando arranquei de um semáforo lado a
lado com uma scooter 125 cc. No arranque a E1R saiu disparada, até para minha
surpresa que não esperava uma diferença tão pronunciada, mas depois a scooter a
combustão recuperou a desvantagem e seguiu imparável para lá dos 100 km/h.
Mas a Ecooter E1R é muito mais do que a performance do seu motor. Por exemplo,
a qualidade dos materiais utilizados é, de uma forma geral, muito satisfatória
e que não fica atrás dos modelos referência dos grandes fabricantes. Apesar dos
muitos painéis plásticos, em particular na zona do painel de instrumentos, um
ecrã LCD personalizável, os encaixes entre painéis são perfeitos, e os ruídos
parasitas mesmo em pisos degradados ou de calçada não são audíveis.
Com um
toque no comando “chave inteligente” a Ecooter E1R fica pronta a arrancar.
Temos dois modos de motor à escolha: Smart ou Sport. Entre os dois modos de
motor, a diferença é que enquanto em Smart a E1R vê a sua velocidade máxima
limitada aos cerca de 45 km/h ou pouco mais, em Sport a velocidade máxima é de
85 km/h.
Um pequeno rodar de acelerador e a E1R atinge uma velocidade que permite
circular pelo meio do tráfego citadino sem sentirmos insegurança. Já testei
outras scooters elétricas em que a velocidade que conseguiam manter não era,
claramente, suficiente para acompanhar o fluxo de tráfego. Mas no caso da E1R
isso não acontece, e em modo Sport dei por mim a passar por toda a gente a uns
confortáveis 65 km/h, e com alguma margem de potência para acelerar e subir a
velocidade caso necessário. Nas subidas o motor perde um pouco de força, mas
nada de muito pronunciado.
Se a performance do motor é interessante mas não é surpreendente, o mesmo já
não posso dizer da ciclística.
Estava à espera de encontrar uma scooter rija de suspensões e com travões menos
potentes. Mas a Ecooter E1R comporta-se de uma forma muito agradável. As rodas
de pequenas dimensões (12 polegadas em ambos os eixos) maximizam a agilidade, e
com uma direção neutra a E1R deixa-se cair para as curvas de forma linear,
mantendo a trajetória sem grande esforço. As trocas rápidas de inclinação são
feitas sem ser necessário grandes impulsos no guiador, elemento que está bem
posicionado em relação ao condutor, permitindo adotar uma postura descontraída.
Uma
nota também para referir o bom espaço livre na plataforma, e mesmo eu que tenho
mais de 1,80m de altura consegui encaixar bem nesta pequena scooter elétrica. A
posição de condução recebe por isso nota positiva.
Num ou noutro troço mais degradado as suspensões, especialmente o monobraço
frontal, têm alguma dificuldade em absorver impactos consecutivos. A frente
fica um pouco “saltitona”, mas nada que nos deixe em pânico. Com dois
passageiros o comportamento dinâmico não se altera em demasia, o que é a
demonstração de um bom equilíbrio estrutural.
Se a questão da bateria removível é a característica que mais destaco nesta scooter
elétrica, a segunda coisa que mais me surpreendeu pela positiva foram os
travões. Um disco em ambos os eixos. Travagem combinada. Parece uma solução
simples, mas no caso desta Ecooter é muito eficaz, com o tato na manete a
revelar-se progressivo, e a E1R trava rapidamente numa curta distância.
Neste
meu curto contacto com a Ecooter E1R não pude atestar as mais-valias de duas
outras características que se destacam.
A primeira é a iluminação. Bem embutidas no design aerodinâmico e simples, a
ótica frontal com formato em diamante e a luz de travão traseira de dimensões
alargadas são totalmente em LED de alta potência. Mesmo durante o dia estas
luzes são fortes, pelo que imagino que em condução noturna permitam uma
visibilidade superior.
A segunda característica que não testei mas que considero extremamente válida é
a app da Ecooter. Com esta aplicação para smartphone o proprietário da E1R pode,
através de ligação Bluetooth, controlar diversos parâmetros da scooter: cores
do painel de instrumentos, ligar / desligar a E1R, configurar o modo de
condução Smart para maximizar autonomia, atualizar terminais inteligentes e controladores
centrais, para além de ter acesso a um mapa que não só serve de GPS como também
mostra onde a Ecooter E1R se encontra.
Galeria de fotos Ecooter E1R
Veredicto Ecooter E1R
Tenho de confessar que não estava à espera de encontrar uma
scooter elétrica tão prática e tão interessante. A E1R, através da solução de
bateria removível, responde à questão do problema de onde carregar a bateria.
Fantástico! E é um sistema simples de usar. Todas as motos elétricas urbanas
deviam ter este sistema.
Com uma dinâmica interessante e neutra, a E1R mexe-se muito bem por entre os
espaços apertados no meio do trânsito. É verdade que o compacto motor elétrico
de 4 kW não tem o fôlego para percorrer os percursos abertos, mas em cidade é
mais do que suficiente.
Neste meu veredicto final à Ecooter E1R não posso também de deixar de referir
no preço. A Watt coloca o PVP nos 3990€. Um preço que me parece bastante
ajustado para o que a E1R oferece, até porque os custos de utilização são
extremamente reduzidos, e a manutenção mais dispendiosa será ao nível dos
pneus.
Mas este preço pode tornar-se bastante mais aliciante! Se a Ecooter E1R for
adquirida através de uma empresa, o preço desce imediatamente 23% relativos ao
IVA. E depois podemos ainda acumular com um benefício governamental que atinge
os 400€, o que obriga a entregar alguma documentação ao Estado, sendo o valor
devolvido posteriormente. Tudo somado, estamos a falar em descontos que atingem
os 1317€! Quase irrecusável.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Shark Spartan
Blusão – Ixon Cobra
Calças – Rev’it Lombard
Luvas – Macna Outlaw
Botas – TCX Mood GTX
andardemoto.pt @ 10-9-2019 13:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Clique aqui para ver mais sobre: Test drives