Teste Harley-Davidson Low Rider S - Concentrado de potência

Mais do que uma moto, esta nova Softail é uma declaração de estilo. Inspira rebeldia e liberdade, oferece sensações fortes e revela-se extremamente fácil de conduzir.

andardemoto.pt @ 16-3-2020 17:06:57 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Harley Davidson Low Rider | Moto | Softail

A última vez que tinha andado numa Low Rider, há já mais de 3 anos, ela ainda pertencia à família Dyna, e ainda tinha instalado um motor Twin-Cam. Não tive, nessa altura, o prazer de testar a versão CVO, equipada com a versão de 110 polegadas cúbicas, então o mais potente motor da Harley-Davidson em produção, antes a mais modesta versão de 103ci.

Entretanto nesse mesmo ano, em 2017, a Harley-Davidson, numa estratégia de rejuvenescer mais rápidamente toda a sua gama (clique aqui para ler mais), respondendo a uma concorrência cada vez mais forte e a uma paulativa perda de quota de mercado e diminuição nas vendas, resolveu, para além de apresentar os seus planos para o curto prazo, estabelecer a controvérsia e fundir a gama Dyna com a Softail. 


Sendo a Low Rider um dos mais populares modelos da extinta gama Dyna, era inevitável que em Milwaukee, mais cedo ou mais tarde, fosse dada uma maior importância a este modelo, para mitigar o impacto na opinião pública.

E assim renasceu a Softail Low Rider S que, para 2020, teve novamente direito a uma versão mais musculosa. E em boa hora a Harley-Davidson o fez, já que a moto ficou a ganhar em termos dinâmicos e não só, subindo o modelo para um patamar muito superior.

A marca define-a como uma Performance-Cruiser, e por isso instalou-lhe não o habitual motor Milwaukee Eight de 107 polegadas cúbicas, antes a versão mais vitaminada de 114 polegadas cúbicas (equivalente a 1.868cc), a respirar por um filtro de ar de alto rendimento, que já tinha tido oportunidade de desfrutar aos comandos da Fat Boy 114, da Fat Bob 114 e da FXDR 114.

Liberto do peso das motos em que habitualmente está instalado (as grandes “Tourers” algumas com pesos a rondar os 400kg) esta unidade motriz torna a Low-Rider S, cujo peso a seco não chega aos 300kg, num verdadeiro míssil.

Arrancar nos semáforos, ultrapassar filas de camiões ou pintar riscos de pneu no alcatrão à saída das curvas, tudo isso passa para outra dimensão graças aos mais de 150Nm de binário registados ainda abaixo das 3.000 rpm.

A resposta do motor, por via do acelerador “ride by wire”, é limpa e contundente, com uma sonoridade muito agradável e sem ser incomodativa, a sair dos escapes “Tommy Gun”. Mas em manobra e a baixa velocidade, a sua resposta é bastante ponderada, o que, a par com a embraiagem bastante leve, facilita a vida aos menos experientes, sem no entanto desapontar os mais exigentes.


A caixa de velocidades está bem escalonada, bastante suave e silenciosa, excepção feita ao característico “clank” da engrenagem da primeira relação, e consegue aproveitar o binário e catapultar a Low Rider S rapidamente para velocidades superiores a 200 km/h.

Claro que, a menos que se vá frequentemente ao ginásio, a “aventura” vai ser breve devido à pouca protecção que o pequeno defector aerodinâmico, colocado por cima do farol dianteiro e vulgarmente conhecido como “bikini fairing”, consegue oferecer.

A direcção, que viu o ângulo de inclinação da forquilha reduzido, mostra uma maior rapidez e facilidade de leitura. Em termos práticos mostra-se muito mais ágil e fácil de manobrar a baixa velocidade.

A suspensão tem uma afinação desportiva, com a forquilha invertida a mostrar-se extremamente competente a manter controlada a roda dianteira, mas que, tal como a da roda traseira, não gosta de pisos degradados, reflectindo com alguma violência as pancadas mais fortes.

Ainda assim é uma evolução nítida relativamente aos modelos do passado, não apenas relativamente ao conforto, mas como também já referi, no que à estabilidade em curva diz respeito. O mono-amortecedor traseiro também apresenta um desempenho mais eficaz em termos de estabilidade e conforto. 

A travagem é bastante boa, ou não fosse integralmente Brembo. No entanto, e apesar de permitir uma relativamente boa dosagem, à boa maneira americana a manete, que não oferece qualquer regulação, exige convicção para que a sua performance se faça sentir.

As borrachas da Michelin esforçam-se para manter a aderência, mas acabam por prejudicar tanto a aceleração como a travagem, que podiam beneficiar de um pouco mais de "grip". Sobretudo em dias frios. 
Tal como o próprio nome indica, a Low Rider foi concebida para os motociclistas de estatura mais baixa. O assento, a apenas 690 mm do solo, e o peso relativamente contido aliado a um centro de gravidade muito baixo, torna-lhes a vida fácil em manobra.

No entanto os condutores de estatura mais alta devem escolher outro modelo que lhes confira uma posição de condução mais confortável, sobretudo ao nível das pernas, já que os poisa-pés da Low Rider S, colocados em posição central, obrigam a manter as pernas demasiado flectidas.

Apesar da sua pouca altura ao solo, a inclinação lateral do conjunto não sai demasiado penalizada, já que graças aos poisa-pés mais elevados, a marca anuncia ângulos acima dos 33 graus, para ambos os lados, valor que na prática é dificilmente atingido.

Esteticamente muito apelativa, com o motor e muitos componentes pintados a negro e quase sem cromados, assento “solo” e jantes contrastantes em cor de bronze e de desenho bastante estilizado, a par com a traseira baixa que graças ao quadro Softail esconde o amortecedor, a imitar uma “hardtail”, a Low Rider S não passa despercebida.

Outro ponto que a Harley-Davidson tem vindo a melhorar e que já apresenta um nível muito bom, diz respeito ao cuidado dispensado aos acabamentos e à qualidade de alguns componentes, que se já pode considerar muito bom, transmitindo uma sensação de robustez devido à inexistência de vibrações ou ruídos parasitas, mesmo quando se circula em pisos degradados.

Aqueles que se aventurarem estrada fora, vão desfrutar de uma autonomia mais do que suficiente, a rondar os 300 quilómetros, tendo em conta o depósito de quase 19 litros e os consumos realmente contidos (considerando a cilindrada) que facilmente se mantêm abaixo dos 6 litros aos 100 quilómetros.


A gama Softail, ao contrário da gama Touring da Harley-Davidson, ainda não conta com controlo de tracção, pelo que em piso menos firme ou molhado, ou com os pneus frios, é necessário ter algum cuidado já que o Milwaukee Eight 114 é bastante mais impulsivo do que à partida pode parecer.

Sendo uma cruiser, há factores que não podem ser considerados um defeito, como por exemplo o painel de instrumentos, colocado bem ao centro do depósito de combustível, e que apesar de ser esteticamente agradável e de revelar bastante informação, obriga a desviar completamente o olhar da estrada, para o consultar.

Mas à boa moda de uma Power Cruiser, a Low Rider S é para ser conduzida com convicção, explorando o motor, e nesse aspecto o concentrado de potência que temos à disposição do punho direito, torna a condução muito interessante. Eu diria mesmo: viciante.

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 16-3-2020 17:06:57 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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