Teste Yamaha MT-07 - O lado rebelde do Japão
Novo ano e nova vida para a popular MT-07. A naked de média cilindrada da casa de Iwata conta com um motor melhorado, uma ergonomia redefinida e um design ainda mais radical. Está na hora de testarmos a nova Yamaha MT-07, a moto que define o lado rebelde do Japão!
andardemoto.pt @ 24-4-2021 22:17:17 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
O segmento
das naked utilitárias sempre foi bastante popular entre os motociclistas
nacionais. Estas motos apresentam argumentos que favorecem a polivalência e
facilidade de utilização, um design que deixa a beleza dos seus elementos
mecânicos à vista, os custos de manutenção são reduzidos e, claro, os custos de
aquisição também são mais acessíveis.
Um dos modelos de maior sucesso entre nós e que se insere neste segmento é a Yamaha MT-07. Basta andar um pouco pelas ruas das nossas
cidades e rapidamente estamos a ouvir uma destas hyper nakeds rebeldes que, com
o lançamento desta versão 2021, vai já na sua terceira geração.
E o facto de ouvirmos e vermos tantas a passar nas nossas ruas é simples de
explicar: se olharmos para os números de unidades vendidas em toda a Europa,
verificamos que os motociclistas europeus receberam de braços abertos a
performance das MT, aliada aos preços competitivos. Nada menos do que 250.000
unidades MT foram vendidas, tornando-se esta a família de maior sucesso da
história da Yamaha.
E, dentro destes números impressionantes, a MT-07 é a versão de maior
popularidade, pois de acordo com a marca japonesa as suas vendas ultrapassam as
125.000 unidades. Mais de metade do total de vendas na Europa!
Para este ano as mudanças na MT-07 são algumas. Não se pode dizer que seja uma atualização
profunda, mas sim mais a nível visual e com algumas novidades que trazem esta
Yamaha para o mundo mais “limpo” e amigo do ambiente definido pelas normas Euro
5.
A nova geração do motor CP2 mantém a sua aposta na tecnologia de planos
cruzados, ou seja, ordem de ignição desfasada graças à sua cambota de 270
graus. Isto não só permite ao motor da MT-07 emanar através da nova ponteira
(mais comprida) uma sonoridade muito particular, como permite ao condutor
usufruir de uma entrega de potência mais linear.
Os 73,4 cv de potência às 9.000 rpm e os 67 Nm de binário tornam este motor CP2
num dos mais interessantes do segmento.
Para cumprir com as normas Euro 5 o motor conta com uma admissão com condutas
totalmente redesenhadas, que por sua vez obrigaram os engenheiros da Yamaha a
redefinir os parâmetros da injeção, foi instalada uma nova centralina para
controlar tudo, e ainda um sistema de escape 2-1 com novos coletores e,
como referimos, uma nova ponteira.
O próprio motor, que conta com novas sedes de válvulas para maior durabilidade,
ostenta nesta versão 2021 um acabamento especial em Crystal Graphite, para um
“look” mais premium.
Uma das melhorias técnicas mais significativas na MT-07 é o novo sistema de
travagem dianteiro de alta especificação, com assinatura da Nissin. O tamanho
dos discos dianteiros aumenta de 282 mm para 298 mm na nova geração,
o que confere mais potência de travagem e maior capacidade de controlo sem
aumento significativo de peso. A par do disco traseiro de 245 mm, o novo
sistema oferece uma performance acrescida.
Numa ciclística que pouco muda para 2021, a Yamaha MT-07 de nova geração apresenta
uma posição de condução redefinida. A Yamaha pretende que esta hyper naked
rebelde ofereça ao condutor uma sensação de estar aos comandos de algo parecido
com uma supermoto. Para isso trocou o antigo guiador por um mais largo (32 mm),
que garante maior força de alavanca sobre a roda dianteira, sendo que o próprio
guiador está mais elevado do que até agora.
Mas uma das principais novidades na nova Yamaha MT-07 é a sua aparência. E é
precisamente por este ponto que gostaria de começar a minha análise à naked de
Iwata, mesmo antes de abordar as suas capacidades dinâmicas, que, claro, será o
mais importante.
A chave para a nova aparência é um conjunto de novos faróis LED, compactos e
minimalistas, cujas luzes de presença e farol conferem à dianteira a icónica
forma em Y que simboliza a aparência característica da nova geração MT. Com um
volume minimizado, o novo farol LED sublinha a sensação de leveza e agilidade
do ponto de vista do condutor.
Confesso que as primeiras imagens que vi da nova MT-07, quando foi apresentada
no final de 2020, me deixaram receoso que a equipa de design da Yamaha tivesse
exagerado. Mas a nova naked japonesa é mais um daqueles casos em que a imagem
que passa nas fotos não corresponde totalmente à realidade.
Ao vivo, a dianteira, mesmo não sendo totalmente consensual do ponto de vista
estilístico, acaba por se integrar bem no conjunto de linhas agressivas e
modernas. Nesse ponto de vista a Yamaha continua a ser o fabricante que
apresenta uma linguagem mais futurista. Admito que nem todos vão gostar da sua
aparência. Mas é um gosto adquirido, e tenho de admitir que depois de uma semana
aos comandos da MT-07 já nem pensava no assunto.
E em andamento nem sequer vemos a frente da moto. A nossa mente apenas fica
concentrada nas suas capacidades dinâmicas.
O motor CP2 continua a oferecer um comportamento “hooligan”. E o que quero eu
dizer com isto? Basicamente os 67 Nm de binário aparecem desde baixos regimes e
empurram os 184 kg de peso com enorme facilidade, e o facto de estarem sempre
disponíveis, permite desfrutar da MT-07 sem estar sempre a trocar de caixa,
pois os pouco mais de 73 cv revelam um pulmão forte, e fazem valer a sua força
de uma forma notória na passagem dos médios para os regimes mais elevados de
rotação.
O resultado é um motor divertido e bastante fácil de explorar. Dá sempre uma
enorme vontade de o espicaçarmos para nos dar mais qualquer coisa, para
acelerar mais um pouco. Como em todos os bicilíndricos paralelos, este motor
sente-se melhor nos médios regimes, e para lá das 9.000 rpm já não encontramos “nada”
que valha a pena obrigar o motor japonês, que transmite poucas vibrações, a
rodar a tanta velocidade.
A capacidade de recuperar velocidade é também notória. Aos comandos da Yamaha
MT-07 podemos facilmente deixar engrenada a 6ª relação de caixa e, num
movimento suave, ultrapassar um veículo mais lento, sem usar a leve embraiagem
que no entanto continua sem ser assistida ou contar com função deslizante, o
que obriga a cuidados redobrados nas reduções mais agressivas.
O motor CP2 Euro 5 parece que tem mais cilindrada, mais pulmão, do que aquilo
que a Yamaha anuncia. É mesmo um motor muito engraçado e divertido, e mesmo
para os condutores menos experientes será um boa companhia enquanto seguem o
seu crescimento no mundo das duas rodas.
Com uma ciclística pouco alterada para este ano, não esperava grandes
diferenças no comportamento dinâmico da MT-07. Mas em condução nota-se uma
evolução.
Com o “set-up” de suspensões a manter-se inalterado em relação à geração de
2018, que contava com molas mais duras do que as da primeira geração, e maior
controlo na compressão, a evolução no comportamento dinâmico advém inteiramente
de dois fatores: o guiador e os pneus.
Em relação ao guiador, mais largo e mais alto, é fácil perceber o porquê de ser
uma melhoria. O condutor não descai tanto para cima do depósito de combustível,
com formas bem conseguidas para garantir boa fixação das pernas em curva e nas
travagens, adota uma postura mais direita em cima da moto, usufruindo de maior
liberdade de movimentos, facilitando as trocas de inclinação de curva em curva.
A agilidade de uma moto que pesa pouco mais de 180 kg a cheio é, claro, o seu
ponto forte. Mas a facilidade com que dominados a dianteira é também
surpreendente, pois mesmo após muitos quilómetros aos comandos da MT-07, o
condutor não se sente cansado ou desiludido.
A fluidez dos movimentos é apenas diminuída pela prestação menos positiva por
parte das suspensões. Continuam a ser demasiado macias para aqueles momentos de
condução “hooligan”. Especialmente o amortecedor traseiro que comprime
facilmente à saída das curvas ou em aceleração, levando a roda dianteira a
afastar-se com muita facilidade do asfalto, o que obriga a refrear os ânimos e
cortar o andamento para manter tudo controlado.
Depois temos os pneus. Por vezes atribuímos pouco valor aos pneus que um
fabricante seleciona para determinada moto. Mas no caso de uma naked
utilitária, a escolha de um pneu bom pode significar uma melhoria significativa
no comportamento geral.
E isso é o que acontece com a nova MT-07. A cobrir as esbeltas jantes de 17
polegadas encontramos agora pneus Michelin Road 5. A sua grande mais-valia é o
comportamento em piso molhado. Porém, nos dias em que tive a MT-07 para testar,
não choveu, e por isso não posso analisar o comportamento em piso molhado.
Mas em piso seco, o que se nota é que todo o conjunto está mais “agarrado” ao
asfalto, e os Road 5 oferecem uma boa aderência mesmo em ângulos pronunciados,
altura em que os avisadores dos poisa-pés começam a raspar no asfalto e avisam
que estamos no limite.
Em relação aos travões, a Yamaha apresenta-os como sendo uma grande melhoria em
comparação com a geração anterior. Na realidade oferecem uma grande
progressividade na forma como as pinças Nissin mordem os discos de maior diâmetro.
Mas para ser sincero, as diferenças não são assim tão notórias até ao momento
em que apertamos a manete e as pinças apertam com maior firmeza os dois discos
dianteiros.
É aí que notamos a melhoria, nas travagens mais fortes e prolongadas, sendo que
o ABS não se faz notar em demasia e permite abrandar o conjunto com confiança e
estabilidade. Mas, tal como acontece com o amortecedor traseiro em aceleração,
a forquilha telescópica tem afinação muito macia, a privilegiar o conforto. Nas
travagens fortes não é difícil levar a forquilha ao seu limite. Convém ter isto
em conta se quiser abusar das travagens.
Veredicto Yamaha MT-07
É uma das motos de maior sucesso em Portugal ao nível das vendas, e, com esta
atualização para Euro 5, desconfio que irá continuar a ser das motos mais
vendidas por mais algum tempo. A nova Yamaha MT-07 continua a revelar-se uma
proposta equilibrada, divertida e acessível aos motociclistas menos
experientes.
O motor CP2 continua em grande forma! Quase parece que tem mais cilindrada e
potência do que aquela que a Yamaha anuncia. Económico e com uma entrega de
potência linear, apenas não é acompanhado pela ciclística mais “simplista” e
que obriga o condutor a esforçar-se mais para extrair e usufruir de todo o
potencial dinâmico da MT-07. Mas isso talvez não seja tão mau como parece, pois
o condutor obtém maior dose de diversão aos seus comandos.
Sem qualquer opção eletrónica (não tem modos de condução, controlo de tração,
etc.), a MT-07 continua a ser a naked rebelde que nos permite entrar facilmente
no “Lado Negro do Japão”. Com um preço que combina na perfeição com aquilo que
oferece – 7.100€ - a nova Yamaha MT-07 merece nota positiva.
Galeria de fotos Yamaha MT-07
andardemoto.pt @ 24-4-2021 22:17:17 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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