Teste Voge 625R: Despida de preconceitos

Para os fãs das naked de média cilindrada que sejam, em simultâneo, desportivas, divertidas, ágeis e fáceis de conduzir, acessíveis na aquisição e sem radicalismos, esta Voge 625 R bem que pode ser a moto que procuram.

andardemoto.pt @ 10-2-2026 16:30:00

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Voge 625R | Moto | Naked

Durante muitos anos, décadas inteiras, as motos naked dominaram o mercado, mas o consumidor é volúvel e sempre ávido de novidades pelo que a popularidade de motos deste perfil foi decaindo. As desportivas ganharam protagonismo em dada altura, até que agora quem manda são as trail, mas veremos até quando.

Esta 625R encarna praticamente tudo aquilo de que gostamos numa moto de média cilindrada, focada no essencial. Não existem carenagens decoradas, apêndices aerodinâmicos, suspensões de longo curso ou elevada distância ao solo. Somos só nós e a moto no seu fundamental: quadro, motor, suspensões, rodas e pouco mais. Até a cor escolhida, o preto, reforça isso mesmo. Ainda assim, para os mais extrovertidos, bem que podia existir mais uma ou outra decoração, talvez trocando os tons cinza por uma tonalidade mais atrevida, como um azul ou um vermelho. Para muitos de nós, de negra e cinzenta, já basta a vida!

Estética inspirada, mas consensual

A Voge continua a apresentar-nos produtos muito homogéneos, com boa qualidade de construção e muito equipamento de primeira linha. Porém, regra geral, não arrisca demasiado em termos estéticos, presumivelmente na busca de um maior consenso. E é exatamente isso que sucede com esta 625R.

Sendo o topo da hierarquia, em que existem também a 125R e a 525R, a 625R mantém os ares de família, notando-se que houve um certo cuidado em a distinguir das suas irmãs menos espigadas. Mas o maior fator de distinção não se vê diretamente. Estamos a falar obviamente do motor, que conhecemos da 625 DSX, mas já lá vamos.Minimalista, dominada por uma frente acutilante, quase provocadora, esta moto consegue ter proporções equilibradas, com umas linhas esguias e angulosas, rematadas por uma traseira quase desportiva. Deixa até bem à mostra o pneu traseiro e a volumosa ponteira de escape, em posição ligeiramente elevada. 

Apenas as tampas laterais e superiores do motor, numa tonalidade cobreada, são de gosto muito discutível, mas são uma espécie de imagem de marca, tal como sucede na 625 DSX. Com o passar do tempo veremos como ficam.


Motor espigado, muito equipamento e cuidadosa escolha de materiais

O motor é um bicilíndrico paralelo, de 581 cc, com dupla árvore de cames à cabeça, quatro válvulas por cilindro, cambota a 270°, e veio de equilíbrio, a debitar 64 cv de potência máxima atingida às 9000 rpm, apesar de no taquímetro a zona vermelha começar às 8.500 rpm. O binário máximo é de 58 Nm às 6500 rpm. São valores que não impressionam, não comprometem, mas que tampouco nos deixam envergonhados.

O mais interessante é que, em comparação com a DSX, que tem o mesmo propulsor, parece ter mais caráter e desportividade na 625R. A explicação talvez seja simples: por um lado a naked oferece menor resistência ao ar e pesa menos 4 kg (um total de 202 kg), mas deve haver algo mais, já que se expressa melhor nos médios e altos regimes, enquanto a DSX brilha mais nos baixos e médios.

A Voge continua a mimar-nos com muito equipamento, por um preço contido, e aqui não é diferente: Ecrã TFT de 5 polegadas, sensível à luz, com conetividade e navegação Turn by Turn, dois modos de condução (e de visualização), controlo de tração, embraiagem deslizante, iluminação Full LED, tomada USB, alerta de travagem de emergência e manetes reguláveis. Só faltou o quickshifter! 


As suspensões são Kayaba, com uma forquilha telescópica invertida, sem regulação, e um amortecedor regulável na pré-carga. A travagem é Nissin e composta por dois discos dianteiros de Ø298 mm com pinças de dois êmbolos, e um disco traseiro de Ø240 mm, com pinça de êmbolo simples. 

Já as jantes são de 17 polegadas, com uns ótimos pneus Pirelli Angel GT, nas medidas 120/70×17″ na frente e 160/60×17″ atrás, que convidam a uma condução mais empenhada, sendo que a boa rigidez do quadro ajuda, tal como os travões que se revelaram fortes e progressivos.

Resumindo, a marca continua igual a si própria, oferecendo um pacote bastante completo por um preço contido. 5.184 € à data desta publicação, a que acrescem as respetivas despesas e que incluem cinco anos de garantia. Além disso, a 625R está também disponível em versão limitada a 35 kW, destinada aos titulares da Carta A2.

Impressões de condução

Para os meus 1,74 metros a moto é perfeita e, ao sentar-me, fico mesmo encaixado. Até a altura do assento, a 795 mm do solo, permite-me apoiar perfeitamente os dois pés no chão, apesar de necessitar de alguma ginástica para me desviar dos poisa-pés.

Acciono o motor de arranque e enquanto o motor ganha temperatura vejo a posição dos comandos, e aprecio os carateres do pequeno ecrã TFT de 5’’ que disponibiliza muita informação, mas algo confusa. E vejo como os meus joelhos encaixam nas laterais do depósito que carrega 16,5 litros e garante autonomias próximas dos 400 km. Logo nos primeiros quilómetros percebe-se que é uma moto bem-nascida. Fácil de conduzir, com reações equilibradas, um sistema de travagem eficaz, tudo potenciado pelos pneus Pirelli Angel GT. Um convite para uma condução divertida, com alguns abusos à mistura, mas sem ir além do razoável.


Já no piso mais degradado e irregular, as suspensões, nomeadamente a forquilha, mostra alguma dificuldade em ler o asfalto e retira alguma confiança. Também a circulação a velocidades mais elevadas o motor começa a transmitir alguma vibração. Não é uma moto adequada para andar constantemente no último terço do conta rotações.

Já com passageiro, este vai numa posição bastante mais elevada e o espaço disponível facilmente se torna curto e desconfortável. Vai-se bem instalado no lugar do condutor, que é amplo e cómodo, mesmo que com as pernas fletidas e carregando mais peso na dianteira.

Numa estrada com bom piso e curvas encadeadas dá-nos imenso gozo e permite até acompanhar motos mais rápidas e potentes, com relativa facilidade. Durante os dias em que esteve comigo, a 625R passou por essa experiência e reforçou a velha máxima que, por vezes, “menos é mais”!Também na condução diária e mais citadina esta Voge 625R cumpre. Sem ser uma rainha dos semáforos, nela rapidamente deixamos os automóveis para trás e, se necessário, facilmente nos esgueiramos pelo meio do trânsito. Pena os retrovisores, ainda que muito estilizados e com boa visibilidade, são mais largos do que o guiador, exigindo mais atenção da nossa parte.

Notas finais

Nakeds como esta são uma escolha racional, mas sem nunca descurar a emoção e diversão que podemos ter aos seus comandos. A 625 R é perfeita para quem adota uma filosofia em que a moto pode ser um instrumento de trabalho ou lazer, mas é, ainda mais, um veículo de sensações.

Nesta moto tudo é equilíbrio e sabemos exatamente aquilo com que podemos contar, permitindo com essa consciência desfrutar dela e lhe querer explorar tudo o que nos oferece.

Em termos de custos de utilização, com consumos reais a rondar os 4 litros aos 100km, vamos ficar contentes apesar do IUC no segundo escalão mais elevado (63,62 €). As revisões a cada 6.000 km ou a cada ano já podem não agradar tanto e, no Manual do Proprietário (em Português), prever a verificação da folga de válvulas a cada 18.000 km será algo que vai mexer mais na carteira.

A pedir algo mais apimentado seria o som do escape. Claro que as normas vigentes são cada vez mais exigentes e ainda bem, mas o murmúrio que liberta, mesmo nas rotações mais elevadas, sabe mesmo a pouco e poderia ter sido mais bem trabalhado, sem violar os limites da Euro 5+.


Equipamento:

Capacete: Nolan N80-8

Casaco: Merlin Ixon

Luvas: Macna Winter

Calças: RSW Atacama

Botas:  TCX Street 3

Texto: Pedro Pereira
Fotos: Luís Duarte

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