MotoGP Brasil 2026 - Um samba meio coxo em Goiânia
O circuito de Goiânia recebeu o Mundial de Velocidade, mas a sua estreia ficou marcada por alguns incidentes que necessitam de atenção!
andardemoto.pt @ 25-3-2026 20:01:21 - Texto: Helder Monteiro | Fotos: Marca
O MotoGP de volta ao Brasil depois do último grande prémio que se realizou em Interlagos em 1992 por substituição do circuito de Goiânia, capital do estado de Goiás e perto da capital Brasília e onde o campeonato do mundo de motociclismo se estreou por terras brasileiras em 1987. Situado no interior do Brasil desde cedo que o autódromo hoje conhecido como Ayrton Senna se identificou com o motociclismo e foi o circuito que acolheu o mundial durante três anos de 1987 a 1989 ainda no tempo das dois tempos de 500cc.
O circuito de Goiânia, a capital do estado de Goiás, perto da capital Brasília, foi sujeito a grandes remodelações e recentemente certificado com o nível A pela FIM. As expectativas eram altas para esta ronda do campeonato.
O Brasil é um país imenso, com um mercado de duas rodas muito importante para vários construtores Japoneses e particularmente para a Honda, que domina as vendas e que este ano tem no piloto Diogo Moreira um excelente embaixador, o que trazia um motivo de interesse acrescido para os fãs brasileiros.
Estava reunido um excelente pacote para que esta fosse uma jornada memorável para o campeonato, mas quis São Pedro que nos dias anteriores à realização do grande prémio, e como é habitual nesta altura do ano no hemisfério sul, batizar o novo alcatrão com um dilúvio daqueles das escrituras, deixando várias zonas do circuito inundados e com muito trabalho a realizar antes da sexta-feira.
Talvez fosse um aviso à organização do MotoGP para ter atenção às datas onde são “encaixados” os GPs durante o ano… as características épocas de chuva em determinadas zonas do globo talvez sejam de evitar!
Sendo este circuito completamente novo, a Michelin chegava a Goiânia com pneus preparados com base em simulações, ou seja, na prática nunca as borrachas das motos tinham pisado e tirado a prova dos nove antes da sessão de treinos FP1 de sexta-feira, quando os pilotos partiram para as primeiras voltas ao curto circuito de 3.835 metros (um dos mais curtos do mundial), com o objetivo de perceberem se tinham o grip necessário para colocar toda a potência no chão.
Muitos anteviam que uma reta de quase um quilometro e com uma entrada rápida, pudesse levar os protótipos até acima dos 360Km/h. Mas tal nunca se verificou durante todo o fim de semana que provou ser bastante castigador da performance das MotoGP.
A pole foi assegurada pelo piloto da VR46, Fabio Di Giannantonio, seguido por Bezzecchi e Marc Marquez ainda muito queixoso da sua condição física. Fabio Quartararo abria a segunda fila numa Yamaha M1 ainda a acertar o novo motor V4, acompanhado por um rejuvenescido Jorge Martin e pelo “satélite” Ai Ogura da Aprilia Trackhouse. O rookie Toprak que conseguiu entrar diretamente na Q2 acabou numa surpreendente décima segunda posição.
O primeiro caso do fim de semana aconteceu no sábado, quando foi detetado um buraco significativo na pista, que surgiu devido ao colapso de um antigo sistema de esgoto subterrâneo não documentado. O problema, que felizmente se situava fora da linha de corrida, foi imediatamente reparado após uma rápida resposta do circuito, permitindo que as atividades na pista fossem retomadas, permitindo assim o arranque da corrida Sprint ainda no mesmo dia, se bem que com mais de uma hora de atraso.
Na corrida Sprint Fabio Fabio Di Giannantonio faz um bom arranque, com Fabio Quartararo a dar um ar de graça a rodar em segundo lugar nas primeiras voltas, mas não conseguindo manter o ritmo e consequentemente descendo na classificação. Um ligeiro erro de Bezzecchi permitiu uma ultrapassagem nos esses ao recuperado Martim que conseguiu passar para o terceiro posto.
Marquez começou a caça ao líder Di Giannatonio e com um par de voltas mais rápidas chegou mesmo à traseira do Italiano da VR46, assumindo a primeira posição, conseguindo assim a primeira vitória de 2026. Com esta classificação Marquez deixava no ar se a corrida de domingo teria o mesmo desfecho. O piloto da casa, Diogo Moreira, acabava à porta dos pontos, levando ao rubro os muitos compatriotas nas bancadas do circuito de Goiânia.
No domingo, uma degradação localizada do asfalto, causada pelo calor intenso e pela atividade na pista, tornou-se evidente após o término da corrida de Moto2.
Apesar da remoção de detritos e limpeza antes do Grande Prêmio de MotoGP, permaneceu a deterioração da superfície nas curvas 11 e 12, com sulcos que prejudicavam a trajetória correta. A equipa do circuito trabalhou até momentos antes da largada programada para preparar a pista, mas, por razões de segurança, a Direção de Prova decidiu reduzir a corrida para 23 voltas (75% da distância original). As equipes foram imediatamente informadas da mudança, ficando patente o desagrado generalizado por não deixar tempo para correções técnicas de última hora.
O responsável da Michelin, Piero Taramasso veio a público referir que a decisão não teria sido resultado de uma eventual menor resistência dos pneus, mas como se veio a comprovar pelas imagens disponibilizadas, a degradação do alcatrão, que era evidente, tendo inclusivamente causado lesões a alguns pilotos devido à gravilha levantada pelos pneus das motos em aceleração.
Quando as luzes se apagaram, foi Bezzecchi quem fez o melhor arranque. O piloto da Aprilia de fábrica passou pelo pole position Fabio DiGiannantonio e assumiu a liderança na primeira curva. DiGi que o seguia saiu largo na curva 1, na segunda volta, o que Marc Marquez, na Ducati Lenovo, aproveitou imediatamente para subir para o segundo lugar.
Atrás do duo da frente, surgiu rapidamente uma dinâmica que moldaria toda a corrida. Jorge Martin, que tinha terminado em terceiro no sprint de sábado, recuperou rapidamente após rodar brevemente atrás de Pedro Acosta. Na sexta volta, DiGiannantonio atacou Marquez agressivamente na curva 4 e ambos saíram largos. Martin capitalizou o erro para subir ao segundo lugar, numa manobra a lembrar Miguel Oliveira na Áustria.
A essa altura, Bezzecchi já tinha mais de dois segundos de vantagem e liderou todas as voltas do início ao fim, tendo em alguns momentos, registado os tempos mais rápidos por volta. No warm-up de domingo de manhã, ele foi o único piloto a completar uma volta abaixo de 1 minuto e 18 segundos, deixando suas intenções claras.
Enquanto os dois pilotos da Aprilia estavam num nível superior e tranquilamente na frente, uma disputa emocionante pela última vaga no pódio acontecia atrás deles. Marc Marquez e DiGiannantonio travaram um duelo difícil de superar em intensidade.
O atual campeão mundial passou grande parte da corrida tentando ultrapassar o piloto da VR46, e a cinco voltas do fim, Márquez finalmente fez sua investida. Mas DiGiannantonio respondeu e contra-atacou apenas duas voltas depois, quando Márquez cometeu um erro na curva 12 e quase caiu.
Após a corrida, DiGiannantonio revelou que uma queda no warm-up naquela manhã tinha deixado mazelas, mas mesmo assim ele descreveu a batalha com Márquez como “inspiradora”. Para a Aprilia com uma “dobradinha”, com a vitória de Bezzecchi e o segundo lugar de Martin, o ano de 2026 corre sobre rodas, o trabalho desenvolvido na RS-GP tem demonstrado que a marca de Noale é uma ameaça à hegemonia da Ducati e poderá lutar ferozmente pelo título de 2026.
Agora rumam para os Estados Unidos e onde o mais “normal” circuito das Americas no Texas poderá ser a primeira resposta da Ducati ao domínio que a Aprilia tem vindo a demonstrar nestes dois primeiros grandes prémios (e no final do ano passado).
No COTA vamos ter a primeira prova da real competitividade da moto de Noale, num circuito que tem sido dominado por Marc Marquez, onde conta com sete vitórias e onde poderá alcançar as cem vitórias da sua carreira em MotoGP.
O Brasil merece ter um GP no mundial de motociclismo e apesar das dificuldades e contrariedades que surgiram este ano, a organização já começou a preparar o próximo ano, quando se espera que a experiência agora adquirida seja proveitosa para proporcionar um melhor GP em 2027.
Com o grande domínio pela marca de Noale, os pilotos Aprilia seguem no mundial nas posições cimeiras.
1. Marco Bezzecchi (Aprilia) – 56 pontos
2. Jorge Martín (Aprilia) – 45 pontos
3. Pedro Acosta (KTM) – 42 pontos
4. Fabio Di Giannantonio (VR46) – 37 pontos
5. Marc Márquez (Ducati) – 34 pontos
6. Ai Ogura (Trackhouse) – 33 pontos
7. Raúl Fernández (Trackhouse) – 29 pontos
8. Álex Márquez (Gresini) – 13 pontos
9. Brad Binder (KTM) – 13 pontos
10. Franco Morbidelli (VR46) – 12 pontos
Após o GP do Brasil a classificação por equipas reflete o domínio da Aprilia, com duas provas concluídas e com os seus pilotos a conseguirem bons resultados com a equipa Oficial em primeiro e a satélite Trackhouse em segundo lugar.
1. Aprilia Racing – 101
2. Trackhouse Motogp team – 62
3. Red Bull KTM factory racing – 55
4. Pertamina Enduro VR46 Racing team – 49
5. Ducati Lenovo team - 44
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