Chuva abundante na caravana do Portugal de Lés-a-Lés Classic

Mau tempo não roubou sorrisos no 2.º dia do Portugal de Lés-a-Lés Classic, mas trouxe dificuldades e desafios inesperados.

andardemoto.pt @ 3-5-2026 10:56:27

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Há menos de uma semana, quando já se previa que podia chover, partilhámos que a meteorologia poderia revelar-se um adversário inesperado. Nem sempre as etapas mais curtas são as mais fáceis, não menos verdade é que são os imponderáveis, inclusive os meteorológicos, que tornam uma jornada inesquecível e colocam à prova condutores e máquinas, tal como aconteceu neste segundo dia do Portugal de Lés-a-Lés Classic.

Os 140 km entre S. Pedro do Sul e o Caramulo foram pontilhados por subidas exigentes e descidas de respeito, pela passagem nas estreitas ruas empedradas de algumas aldeias e em estradas deixadas em muito mau estado pelas tempestades. Tudo num dia, o segundo do Portugal de Lés-a-Lés Classic, marcado por chuva a 2 Tempos, como ciclo de muitos motores da caravana, em especial nas 50 cc. Umas vezes pouca, outras abundante, sempre com bastante nevoeiro à mistura, que roubou em espetacularidade (no Alto de S. Macário ou no Portal do Inferno) o que devolveu em exigência e prazer de superação.

Uma etapa montanhosa, entre as serras da Arada, Freita e Caramulo que pôs à prova não só os motores, mas também os travões. Cenário que não intimidou o experiente Hélder Alves, conhecedor das exigências do Portugal de Lés-a-Lés, com 15 presenças entre a versão de estrada e o Classic, sempre com a sua clássica Jawa Perak 250 de 1950. “Uma moto que não dá problemas e resiste aos tratamentos mais duros sem queixas. Este ano nem uma vela isolada, nada!” garantia o próprio, enquanto sacudia a muita água do fato de chuva.

Mais complicadas foram mesmo as primeiras subidas à serra da Arada, testando o fôlego das ‘velhas senhoras’ por entre paisagens marcadas pelos violentos incêndios de 2024 e pelo ‘comboio de tempestades’ no início deste ano. Que também deixaram em muito mau estado a estrada rumo ao Alto de S Macário, com autênticas crateras que obrigavam os motociclistas a verdadeiras gincanas para não estragar rodas e pneus. Uma subida infrutífera em termos turísticos já que, de tão cerrado, o nevoeiro não deixava vislumbrar mais do que umas poucas dezenas de metros.


A paragem obrigatória em Ponte de Telhe

Com subidas que faziam sofrer os motores das pequenas ‘cinquentinhas’ e descidas que a todos aconselhavam calma com os travões, foi quase imediata a passagem entre as serras da Arada e da Freita. Aliás muitos nem dariam pela passagem entre as duas não fosse a travessia do Portal do Inferno e paragem no Café Rochas, na pequena aldeia de Ponte de Telhe onde umas sandes de presunto e uns cafés serviram para confraternizar e para combater o frio. Temperaturas baixas que exponenciavam o desconforto da chuva e que fizeram questão de acompanhar a caravana durante todo o dia, lado a lado com o nevoeiro.

Um show que encantou Daniel e Maria Teresa Fernandez, rendidos à brutalidade das paisagens e impressionados com a lenda do Portal do Inferno e Garra, onde o diabo está à espera de apanhar os mais incautos e onde “o morto matou o vivo”, aludindo a um acidente durante o transporte de uma urna fúnebre por aquele caminho. De olhos arregalados lá continuaram os espanhóis de Santander numa estreia abençoada (de tão molhada que foi…) no evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal aos comandos das Moto Guzzi V50 e Monza.

Ambos estava “Encantados com o percurso, apesar do nevoeiro, e particularmente agradados com os pormenores organizativos” este casal do Moto Club Pistón elogiava a quantidade e qualidade das motos presentes com conhecimento de causa. É que ajudam a organizar, anualmente e desde há muito tempo, dois grandes eventos para motos clássicas. Um para máquinas anteriores a 1995, no primeiro fim de semana de junho, a XXVI Vuelta a Cantabria, e outro, bem maior, para motos fabricadas até 1980, de 20 a 27 de setembro, o Picos Tour & XXXIX Piston Rally, que costuma reunir mais de 600 participantes, oferecendo percursos diferentes todos os dias, entre a Cantábria e as Astúrias


Tesouros que agradam a gregos e troianos

Sem medo à chuva, zombando do mau tempo com sorrisos de genuína diversão, a caravana abordou a terceira serra do dia a caminho do destino final: o Caramulo. Famoso pelas paisagens e pelo Museu frente ao qual terminaria a etapa, depois de um almoço servido no Caramulo Experience Center, com vistas sobre vários carros em fase de restauro.

Para ajudar à digestão nada como a visita ao Museu do Caramulo, criado pelos irmãos Abel e João de Lacerda em 1953, apreciando parte dos 500 objetos de arte que vão dos quadros de Pablo Picasso, Salvador Dali, Amadeo Souza Cardoso ou Maria Helena Vieira da Silva, até esculturas, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, colecionados por Abel, a que se juntam os automóveis que apaixonaram o irmão João. Um espaço onde os ‘fórmulas’ de Emerson Fittipaldi rivalizaram em atenção com as pioneiras FN 2 ½ HP e a NSU Twin Roadster, ambas de 1911, e a mais recente e icónica, Honda NR750 de pistões ovais.

Oportunidade ímpar de visitar o Museu do Caramulo, motivo para continuar a conversa sobre motos antigas, e que deixou todos particularmente agradados, quase esquecendo a grande molha que obrigou a trabalhos acrescidos para secar os equipamentos. E assim recuperar a proteção e conforto necessário para a última tirada do Portugal de Lés-a-Lés Classic, com destino a Anadia e ao Museu 2 Rodas, instalado no Centro de Alto Rendimento, em Sangalhos. Um dia para recordar.


andardemoto.pt @ 3-5-2026 10:56:27


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