Norton Manx R - Fama e Glória
Criada para honrar o nome que ajudou a moldar o motociclismo, a Manx R, uma Superbike que carrega um século de glória, é a ponte entre tudo o que a Norton foi e tudo o que quer voltar a ser.
andardemoto.pt @ 24-5-2026 15:30:59 - Texto: Helder Monteiro | Fotos: Marca
A histórica marca Britânica fundada originalmente em Birmingham em 1898 e controlada desde 2020 pelo gigante grupo Indiano TVS, convidou o Andar de Moto para a apresentação da sua nova Manx R, uma moto que só existe porque toda a história da Norton, das vitórias no TT às falências, aos renascimentos e à compra pela TVS, criou o contexto perfeito para que a marca voltasse a fazer aquilo que sempre fez melhor: motos de elevada performance.
A TVS investiu mais de 200 milhões de libras numa nova fábrica em Solihull em West Midlands e contratou Brian Gillen (ex‑MV Agusta) como CTO (Chief Technology Officer) para liderar uma equipa de 200 engenheiros no desenvolvimento de uma nova geração de motos.
Foi no Isle of Man TT, na altura uma marca desconhecida, que a Norton se tornou sinônimo de vitória com o Triunfo de Rem Fowler. Foi lá que nasceu a moto que mudaria o motociclismo para sempre: a Manx. Uma máquina tão precisa, tão potente e táo dominadora, que ganhou um lugar permanente na história das corridas. Da Commando ao chassis Featherbed, dos motores rotativos às superbikes modernas, cada capítulo da Norton foi escrito com a mesma tinta: engenharia britânica sem concessões
E quando muitos pensaram que a história tinha chegado ao fim, a Norton voltou a surpreender o mundo. A Manx R não é apenas uma moto, é um símbolo. Quando a Norton apresentou a Manx R, na EICMA de 2025, não estava apenas a lançar uma nova superbike. Estava a fechar um ciclo histórico que começou com a Manx do TT de 1907
Como o CTO Brian Gillen nos explicou durante a apresentação em Sevilha, o foco no desenvolvimento da Manx R passou por criar uma super desportiva, mas com um motor adequado a proporcionar as melhores sensações também em estrada. Ao longo de milhares de quilómetros os engenheiros da Norton reuniram informação sobre a utilização da potência e qual parte da faixa de rotação é mais utilizada e, surpresa, é nos regimes médios em que a utilização de uma superdesportiva é mais solicitada. E foi com essa premissa que a Norton avançou para a Manx R.
Assim, a Norton Manx R é mais dominante em estrada do que em pista, proporcionando aos seus proprietários uma experiência de super desportiva mas com uma componente civilizada, com uma entrega de potência focada nas mais baixas rotações, com valores de torque disponibilizados duma forma em que a concorrência não apostou.
Para além da potência produzida pelo V4 a 72º, de 1200cc, a Norton conseguiu na Manx R a menor distância entre eixos da categoria.
Para a experiência em Estrada da Norton Manx R, um restrito grupo de jornalistas saiu cedo do hotel e foi levado até ao circuito de Monteblanco, situado entre Sevilha e Huelva, onde à sua espera estavam as Norton Manx R Signature, alinhadas para serem distribuídas por dois grupos de cinco felizardos que provariam em primeira mão a nova coqueluche da marca britânica…um grupo sairia primeiro para estrada e outro ficaria no circuito.
O primeiro sentimento ao aproximar-me da Norton Manx R é que ela não tenta imitar o passado, ela tenta honrá‑lo. A silhueta é moderna, afiada, quase futurista, mas há algo na postura, no depósito, no nome gravado no metal que lembra imediatamente porque a Norton é uma marca que sobreviveu a falèncias, renascimentos e revoluções. E agora, finalmente, tem novamente uma máquina à altura da sua lenda. A Manx R não tenta ser retro.
Ela é moderna, afiada, quase minimalista. Sem winglets, sem exageros, apenas forma ao serviço da função, como as grandes superbikes britânicas sempre foram, e agora com uma atenção ao detalhe que não passa despercebida, na qual, por exemplo, não se vê nenhum parafuso em toda a carenagem da moto, com todos os paineis perfeitamente alinhados e enquadrados no seu design apelativo.
O meu grupo saiu primeiro para a estrada, deixando a experiência em pista para a parte da tarde. A Norton tinha preparado um trajeto de cerca de cento e cinquenta quilómetros por estradas nacionais, dentro do parque natural de Aracena, com zonas diversificadas de curvas lentas de montanha e longas rectas onde pude comprovar toda o empenho e engenharia que foi colocado na construção deste modelo.
O coração da Manx R é um V4 de 1.200 cc, completamente novo, sem partilhar componentes com o V4SV anterior. Produz 209 cv, e 130 Nm de binário, com 77% desse binário logo disponível às 5.000 rpm, um número que a coloca entre as melhores do segmento em termos de resposta imediata ao acelerador.
A ignição irregular “Phased Pulse” no V4 a 72,º cria uma sensação de tração otimizada, especialmente nas saídas de curva, onde a moto parece morder o asfalto e puxar-nos para a frente com uma determinação desconcertante. Este sistema ajuda a maximizar a entrega de tração a partir das próprias características mecânicas antes da intervenção eletrónica do controlo de tracção.
Na electrónica a Manx R usa um pacote Bosch com uma IMU de seis eixos que assiste o controlo de tração e o ABS em curva e cinco modos de condução avançados (três para estrada e dois para pista), mas nunca se sente a sua influência, sendo a condução natural. A sensação é de que a electrónica está lá para salvar, não para domesticar ou reduzir as sensações.
O enorme painel TFT de 8 polegadas é sensível ao toque, sendo um dos maiores da categoria e dando toda a informação necessária bem legível, apesar de não seduzir pela apresentação gráfica.
A suspensão eletrónica Marzocchi na Manx R inclui um potenciómetro exclusivo na forquilha que permite monitorizar em tempo real a suspensão dianteira. Combinado com as pinças Brembo Hypure e o mais recente ABS Bosch, o sistema oferece desacelerações superiores a 1G, algo que a Norton afirma ser inédito numa moto de produção.
Este sistema avançado, com uma unidade de controlo eletrónico e software específicos, permite que a suspensão dianteira e traseira sejam geridas de forma independente, com um algoritmo de controlo atualizado a cada três milissegundos, garantindo o máximo desempenho, conforto e aderência em qualquer situação.
Em estrada aberta revela-se o quadro, que foi desenhado com flexibilidade controlada para transmitir informação precisa ao condutor, algo raro nas superbikes modernas, que tendem a ser demasiado rígidas. O resultado é uma sensação de ligação direta com a estrada, aumentando a confiança a alta velocidade e em piso irregular.
A suspensão Marzocchi semi-activa que tinha disponível na versão Signature que testei, ajusta compressão e retorno em tempo real, tornando a moto confortável em andamento calmo e firme quando o ritmo sobe. Na prática, a sensação é de uma moto que “lê” a estrada e se adapta, mantendo sempre compostura e precisão e com apenas 204 kg a seco, a relação peso‑potência próxima de 1:1 e quickshifter com uma resposta e atuação muito boa, a Manx R reage com rapidez a qualquer comando.
A Norton Manx R apresenta vários níveis de conectividade inteligente que garantem uma comunicação intuitiva e imersiva, tudo acessível a partir do ecrã tátil de 8 polegadas conectável com smartphone. Com a integração total com uma câmara GoPro e acesso remoto através da aplicação Norton, capturar e gerir a experiência de condução nunca foi tão fácil, pois o sistema foi concebido para melhorar a experiência e manter o condutor e a moto sincronizados, mas sem distrações.
A aplicação desenvolvida internamente pela Norton permite integrar com a moto um percurso idealizado antes de nos sentarmos e partirmos para uma viagem ou passeio. Definido na aplicação o percurso fica disponível no painel para navegação…como a Norton referiu, a experiência começa antes de nos sentarmos na Manx R.
Da parte da tarde tive a experiência em pista e pude finalmente avaliar a Norton Manx R no circuito de Monteblanco. Não tinha tido até então a oportunidade de conhecer este circuito, mas foi numa das suas muitas variantes, com 3926 metros e uma configuração muito técnica no miolo com uma enorme recta de quase um quilómetro, que pude rolar.
Todos os jornalistas presentes tiveram um tratamento VIP, com acompanhamento de um monitor para as primeiras voltas em pista, que permitiram conhecer as linhas certas e perceber que a Manx R pode ser uma moto muito eficaz com os dois modos de condução específicos para pista disponíveis e que podem ser configurados em conformidade com o gosto pessoal de cada um nos seus inúmeros parâmetros.
A curta distância entre eixos (a menor da categoria), não compromete a estabilidade em circuito, mantendo-se a Manx R muito segura na trajetória. O chassis da Manx R foi um dos pontos mais elogiados do conjunto: compacto, e com componentes premium, incluindo na versão Signature que tínhamos disponível, a suspensão eletrônica e as jantes em carbono…um mimo que se traduziu em mudanças de direção rápidas, graças ao baixo peso suspenso e geometria agressiva que também proporcionava uma estabilidade exemplar em alta velocidade.
Mesmo em curvas longas, sempre com um feedback claro da dianteira, permitindo travagens tardias com confiança, a Manx R apesar de estar equipada com pastilhas de estrada que não “mordiam” como o esperado na fase inicial da travagem, garantiu uma confiança muito sustentada pelas excelentes pinças Hypure da Brembo…o melhor que podemos montar numa super desportiva. Num momento mais acalorado, uma travagem mais no limite levou-me a sair da trajetória e alongar para a escapatória, mas o feedback da dianteira e os excelentes pneus Pirelli Supercorsa V4 SP que equipam estas motos, permitiram-me rapidamente voltar ao ritmo e continuar a diversão.
A aceleração desde novo motor de 209cv leva a Manx R a mais de 270Km/h na longa recta de Monteblanco, mas a travagem forte no final é tranquilizada pelo excelente desempenho dos discos de 320mm na frente e 245mm atrás. E a própria eletrónica que ajusta o deslizamento da traseira sem provocar sustos, até dá para “brincar” um pouco, com ligeiras atravessadelas para o interior das curvas. Simplesmente brilhante.
Não sendo tão rígida como algumas concorrentes, a Manx R transmite uma sensação de segurança importante, fundamental para explorar o V4 que não precisa de ser espremido para garantir muito divertimento em pista.
Os 20 minutos de cada sessão passaram num ápice e com a bandeirada de xadrez para voltar à box, a minha vontade era a de fazer mais umas voltas. A Manx R é verdadeiramente espaçosa e ao mesmo tempo “aconchegante”, e foi provavelmente das superdesportivas menos castigadora para o físico que já experimentei, e aquela que tem o ecrã pára-brisas mais alto, a fazer a diferença em velocidades elevadas… algo que deveria ser incluído em todas as versões, visto ter notado essa falta durante a manhã na moto com que rodei em estrada.
A Manx R não é perfeita. Nenhuma superbike de topo o é. Mas é uma Norton verdadeira, finalmente. Podemos dizer que acertaram à primeira. E isso sente‑se em cada metro que rolamos com ela em estrada ou em pista. Conclusão, a Manx R é a ponte entre tudo o que a Norton foi e tudo o que quer voltar a ser.
A Norton Manx R estará disponível em quatro configurações diferentes. A entrada de gama será a Manx R, seguida da Manx R Apex, uma mais especial Manx R Signature igual às disponibilizadas para esta apresentação à imprensa e no topo uma exclusiva Manx R First Edition (com uma produção de apenas 150 unidades) com muitos detalhes de diferenciação e claramente direcionada aos mais endinheirados fãs da marca que queiram “investir” numa versão muito especial.
Obviamente que o nível de equipamentos acompanhará o valor a pagar por cada uma das versões, todas elas com garantia de fábrica por 3 anos.A história da Norton é feita de glória, colapso e renascimento. A Manx R é o produto final dessa trajetória: uma superbike moderna construída sobre 127 anos de obsessão pela velocidade, e neste caso pelo bom gosto, qualidade de construção e exclusividade, que não vai passar despercebida estacionada em nenhum lugar do mundo.
GAMA DE MODELOS
Preços:
Manx R €23.250
Manx R Apex €29.750
Manx R Signature €43.750
Manx R First edition Não disponível – sob consulta
Equipamento:
Manx R
Motor V4 de 1200 cc a 72º – 209 cv a 11.500 rpm. 130 Nm a 9.000 rpm
Suspensão passiva Marzocchi com ajuste manual
Configuração de dois lugaresEcrã tátil TFT de 8" com controlo de modo de condução, navegação e multimédia
Eletrónica completa com cinco modos de condução, ABS sensível à inclinação e controlo de arranque
Escape integrado em aço inoxidável
Jantes de alumínio fundido de alta resistência
Manx R Apex
Motor V4 de 1200 cc a 72º – 209 cv a 11.500 rpm. 130 Nm a 9.000 rpm
Suspensão activa Marzocchi com ajuste eletrónico
Configuração de dois lugares
Quadro de composto leve
Ecrã tátil TFT de 8" com controlo de modo de condução, navegação e multimédia
Eletrónica completa com cinco modos de condução, ABS sensível à inclinação e controlo de arranque
Escape integrado em aço inoxidável
Jantes de alumínio fundido de alta resistência
Manx R Signature
Motor V4 de 1200 cc a 72º – 209 cv a 11.500 rpm. 130 Nm a 9.000 rpm
Suspensão activa Marzocchi com ajuste eletrónico
Ecrã tátil TFT de 8" com controlo de modo de condução, navegação e multimédia
Configuração de assento único
Carenagens leves em fibra de carbono
Assistências avançadas: controlo de cruzeiro em curvas, controlo de tração e quickshift
Jantes em Fibra de Carbono Rotobox Bullet Pro
Eletrónica completa com cinco modos de condução, ABS sensível à inclinação e controlo de arranque
Comandos de pé e mesas de direção forjados
Iluminação e sequências de arranque únicas
Escape integrado em aço inoxidável
Manx R First edition (150 unidades limitadas)
Motor V4 de 1200 cc a 72º – 209 cv a 11.500 rpm. 130 Nm a 9.000 rpm
Suspensão passiva Marzocchi com ajuste manual
Ecrã tátil TFT de 8" com controlo de modo de condução, navegação e multimédia
Configuração de assento único
Eletrónica completa com cinco modos de condução, ABS sensível à inclinação e controlo de arranque
Assistências avançadas: controlo de cruzeiro em curvas, controlo de tração e quickshift
Jantes em Fibra de Carbono Rotobox Bullet Pro
Chassis, motor e fixações da carenagem em titânio
Componentes em alumínio maquinados e"acabamento billet": manetes de travão e embraiagem, comandos de pé e proteções de calcanhar do piloto, extremidades do guiador, tampas dos depósitos e tampas laterais
Pinças Brembo Hypure em cor exclusiva da First edition
Painéis laterais da First edition retocados à mão com motivo "Union Jack"
Autocolantes Exclusivos da First edition
Assento em pele almofadado e bordada da First edition
Sequência exclusiva de arranque nos faróis e no painel de instrumentos da First edition
Escolha de cores exclusivas
Pacote de acessórios exclusivo
Cores:
Matrix Black – disponível em todos os modelosTrophy
Silver – disponível em todos os modelos
Cinzento Celeste – disponível nos modelos Apex, Signature e First edition, opção no modelo baseAqua
Green – disponível nos modelos Apex, Signature e First Edition, opção no modelo base
Carbon – disponível nos modelos Signature e First EditionGlacier
Blue – Disponível no modelo First edition, opção no modelo Signature
Saiba mais sobre a Norton e a Manx R aqui
andardemoto.pt @ 24-5-2026 15:30:59 - Texto: Helder Monteiro | Fotos: Marca
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