1.º dia da 28.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés: trocar as motos pelo barco!

Tal como previsto, o Passeio de Abertura do 28º Portugal de Lés-a-Lés levou os motociclistas à ilha da Culatra, deixando as motos em terra e embarcando no barco Mira Sado.

andardemoto.pt @ 11-6-2026 19:49:41

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

O Portugal de Lés-a-Lés (LaL) mantém a fidelidade à ideia original atravessando o País de uma ponta à outra desde 1999, mas continua a reinventar-se e todos os anos apresenta novidades. Na 28.ª edição do evento, organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), a grande surpresa foi o Passeio de Abertura que levou centenas de motociclistas à ilha da Culatra, já em pleno sotavento algarvio.

A ideia parecia demasiado ousada: levar os participantes no Lés-a-Lés à descoberta de uma das ilhas barreira que delimitam a Ria Formosa a sul protegendo a enorme riqueza de biodiversidade marinha, triplicando por um dia a população local que, no último recenseamento contava cerca de 800 almas. Numa complexa operação logística, apoiado pela Antero Motorcycles, o barco Mira Sado trabalhou mais do que nos melhores dias de verão. “Com uma enchente que só se vê por alturas das Festas de Nossa Senhora dos Navegantes, no primeiro fim de semana de agosto”.

A confirmação foi dada por Geraldo Carmo, o presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra (AMIC) ao afirmar:

A vitalização da economia local, nomeadamente da restauração, ao receber um grupo tão grande de pessoas que chegam com um espírito diferente, para divertir-se num animado convívio e numa agradável interação com a população local.

Logo à saída do barco, no porto da Culatra, os ‘marinheiros de ocasião’ foram recebidos pelos pescadores e ostreiros dos Conquistadores de Guimarães. Sócios daquele moto clube que, a brincar, davam conta da seriedade das atividades mais relevantes no contexto da economia local e que têm a particularidade de conseguir fixar cada vez mais jovens, mantendo ativas as 60 ou 70 embarcações de pesca existentes na ilha, como referiu Geraldo Carmo.


Mais destaques deste dia

A Ilha da Culatra é de gente dedicada ao mar, que preserva ainda as suas raízes de antigo povoado de pescadores, oferecendo morada a um Algarve autêntico, com uma população composta maioritariamente por pescadores e pelas suas famílias. A ausência de carros na ilha, transporta-nos para uma realidade diferente, permitindo mais facilmente imaginar histórias daquele núcleo piscatório que remonta a finais do séc. XIX e servia de apoio às campanhas sazonais das armações de atum. Atualmente, destacam-se as embarcações e artes do porto de pesca a nascente do cais de embarque, e os viveiros onde se cultiva ameijoa e ostra, a poente.

Esta visita foi o ponto alto deste primeiro dia do 28.º LaL, sendo a primeira vez na história do evento que os participantes deixaram terra firme e trocaram as motos pela viagem no barco, através dos canais da Ria Formosa. Depois foi tempo de curtas caminhadas até aos restaurantes mais próximos, ou de outras mais longas, para chegar ao extenso areal através do caminho pedonal que atravessa toda a aldeia da Culatra até ao mar. Tempo para apreciar a rica flora dos campos dunares e numerosas espécies de aves que convivem nestas paragens calmas, onde as águas são cálidas e tranquilas.

O dia começou cedo para as primeiras equipas, com Verificações Técnicas e Documentais desde as 08:30, no Largo de São Francisco, mesmo junto às muralhas que defendiam Vila-Adentro. Depois de confirmados os documentos e o bom estado de luzes, piscas e pneus, havia que passar no palanque de partida, montado no Jardim Manuel Bívar, antes de uma pequena deslocação, de pouco mais de dois quilómetros até ao Cais Comercial. Onde todos subiam a bordo do barco capitaneado pelo Mestre José Cuíça para uma viagem de 45 minutos. Bem menos que os 45 anos que leva de nem sempre fácil ligação ao mar.


Juntamente com mais três tripulantes levou de forma segura e tranquila, 325 passageiros de cada vez, numa viagem onde não faltaram as cantilenas e ditados populares entre os pescadores. Como o que diz: “Cabo da Roca, Senhora da Guia. Quem vai para o mar em terra se avia”! A maioria optou pela descoberta da ilha da Culatra, das suas gentes e gastronomia, outros houve que dispensaram a viagem, não por a acharem desinteressante, mas pelo simples facto de a terem feito anteriormente.

Destaque também para a visita ao Museu Marítimo “Almirante Ramalho Ortigão”, sedeado na Capitania do Porto de Faro desde 1962, organizado a partir do acervo do suprimido Museu Industrial Marítimo, ligado à extinta Escola Industrial Pedro Nunes. Com uma coleção formada a partir de objetos e modelos mandados construir a título particular pelo oficial da Armada, António Artur Baldaque da Silva, foi posteriormente e por proposta do Inspetor Fonseca Benevides, adquirida pelo Governo, tendo a mesma aumentado gradualmente nos anos seguintes.

Está agora sob responsabilidade da autarquia farense, tal como o Museu Municipal, num espaço que resultou da adaptação do antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção, um edifício do século XVI, com um fabuloso claustro renascentista.

Hoje, quinta-feira, foi dia de arrancar, a partir das 06:00, para a primeira etapa que vai ligar Faro a Alcochete, percorrendo os 425 quilómetros previstos, num dia de muito calor. Cerca de 10,5 horas de condução através da serra algarvia, com passagem pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina até às portas ribatejanas de Alcochete onde os primeiros motociclistas são esperados a partir das 16:30. Seguramente cansados, mas fascinados com tanta beleza e diversão que terão dificuldades em escolher, no palanque de chegada, o momento mais marcante do dia.


andardemoto.pt @ 11-6-2026 19:49:41


Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp