1ª Etapa do Portugal de Lés-a-Lés 2026 marcada pelo calor e pelas emoções

Depois das verificações técnicas e de um inovador Passeio de Abertura, a primeira etapa, que ligou Faro a Alcochete, foi verdadeiramente especial.

andardemoto.pt @ 12-6-2026 18:58:35

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Já se sabia que iria ser longa e exigente esta primeira etapa, com muitas surpresas e emoções fortes na ligação entre Faro e Alcochete, ao longo de 425 quilómetros. Foram mais do que as previstas 10 horas e meia entre a capital algarvia e a Avenida D. Manuel I, sobranceira ao estuário do Tejo, num dia com estradas para todos os gostos. Desde a recurvada serra algarvia às retas da lezíria, do pitoresco e pouco conhecido barrocal algarvio aos verdejantes arrozais do Sado, passando pelas praias da Costa Vicentina.

Para aproveitar ao máximo toda a maratona mototurística havia que ser madrugador, com o arranque do centro de Faro a partir das 6 horas e passagem rápida pela placa que, em Portugal, assinala a maior distância entre localidades, com os 738,5 km da sempre festejada N2 que leva até Chaves e que já percorrida numa edição anterior do Lés a Lés (LaL). Era diferente o caminho da caravana, saindo por entre laranjais, alfarrobeiras, oliveiras e figueiras, à descoberta de um Algarve bem diferente das turísticas paisagens da orla costeira.

Uma região bem representada por Alte, conhecida como a aldeia mais típica do Algarve, distinta pela arquitetura mediterrânica, com casas caiadas de branco e chaminés rendilhadas que contrastam com o arvoredo e com o rosa e laranja das buganvílias. Aldeia de Alte, que disputou com Monsanto o título da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal em 1938 acabando por ganhar o título de Aldeia Cultural.

A manhã começou fresca e viu os participantes arrancarem o mais cedo possível para fugir à canícula que se adivinhava. Temperaturas elevadas que os ciclistas bem conhecem da Volta ao Algarve, utilizando as mesmas estradas para subir ao Alto do Malhão. Um privilégio descobrir por onde passaram Juan Ayuso, Jonas Vingegard, Remco Evenepoel, João Almeida e outros nomes grande do pelotão mundial e pensar que pedalaram por estas encostas e pelas divertidas e paisagísticas estradas da crista da serra. O que eles não fizeram, ao contrário de todos os participantes do Portugal de Lés-a-Lés, foi a travessia a vau da ribeira de Odelouca. 


Olh’á Bola de Berlim, grita-se na praia

De seguida rumou-se pelas estradas e estradinhas sinuosas rumo a Odemira, o concelho com a maior área em Portugal, entrando no Alentejo pela Ribeira de Seixe, através da quietude do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Houve quem tenha feito um pequeno desvio até ao Cabo Sardão, seguindo o conselho do ‘road-book’ para ver o farol construído ao contrário, com a torre voltada para terra e a casa do faroleiro virada para o Atlântico. Uma raridade técnica e arquitetónica que ficou a dever-se a desentendimentos entre os engenheiros e o construtor deste farol com 15 metros de altura. que entrou em funcionamento em 1915, na ponta mais ocidental da costa alentejana.

Depois lá foram os mototuristas através da Zambujeira do Mar até Almograve onde se voltou a ver o Atlântico, debaixo de uma tenda que proporcionou um momento de muito apreciada frescura. Espaço montado pela Honda onde foi possível hidratar e descansar um pouco, enquanto saboreavam as melhores Bolas de Berlim do Mundo ou pelo menos do Lés-a-Lés!


Pôrra tamos na Abela!

Às portas de Porto Covo, mas sem entrar no lugar imortalizado pela voz de Rui Veloso, a despedida do litoral encaminhou a trupe para a grande surpresa do dia. Uma autêntica romaria montada em Abela que deixou todos de boquiabertos. Foi proporcionada pelos habitantes da aldeia do concelho de Santiago do Cacém, liderados pela Guida e Josélia, as esposas do André e Orlando que, entretanto, andavam a divertir-se com os amigos no Lés-a-Lés.

A festa foi tal que, sobretudo depois da fabulosa açorda à alentejana e dos doces regionais acompanhados por jovens cantadores e música de baile, muitos ponderaram seriamente não mais sair dali até à noite, apesar de ainda faltarem bastantes quilómetros até Alcochete.

Para ganhar tempo e evitar ‘voltas e revoltas’, sobretudo devido ao aluimento da estrada em S. Romão do Sado, valeu a ajuda do piloto de todo-o-terreno e Campeão Europeu de Bajas, David Megre, que permitiu a travessia do Sado pela Herdade de Benagasil. Onde não faltaram ‘As meninas da Ribeira do Sado’ e alguma areia. E se às primeiras, resultado da divertida e profícua parceria entre o Moto Clube do Porto e Motards do Ocidente, todos acharam piada, o mesmo não se pode dizer da areia fofa que valeu alguns sustos, mesmo aos mais experientes.


De coração cheio, na Barrosinha

Foi a última ‘exigência’ de um dia longo, mas ainda havia outra paragem, um Oásis num sítio muito especial, a Herdade da Barrosinha que os motociclistas, impulsionados pelo Grupo de Ação Motociclista, ajudaram ao equipar com eletrodomésticos as 17 casas afetadas pelos temporais de janeiro, quando o Sado galgou margens e entrou porta adentro sem pedir licença, destruindo tudo o que encontrou pelo caminho. No Oásis Cam-Am, montado pelo piloto e preparador ‘dakariano’ Mário Franco, muitos ficaram a conhecer, na primeira pessoa, a história de 17 famílias afetadas pelo evento climatérico.

Estava a etapa a acabar e faltava apenas descobrir a estreante Alcochete, com a festa do palanque final e jantar servido pelos três motoclubes locais (Grupo Motard de Alcochete, GM do Convento e Os Flamingos Samouco) na ribeirinha Avenida D. Manuel I, rei aqui nascido em 1469.

É aqui o local de onde parte a maior caravana mototurística europeia rumo a São Pedro do Sul, para uma jornada de 413 quilómetros, com saída desde as 6 horas e mais de 11 horas de viagem através do Ribatejo e charnecas passando pelos granitos do Caramulo até à famosa vila termal, atravessada pela EN2. Aqui erá complicado antecipar se os participantes ficarão mais satisfeitos por ver os rostos sorridentes da equipa de animadoras do palanque Lynn & Co. ou as mãos milagrosas dos osteopatas da Osteomotus.

Afinal de contas, vai ser mais um dia exigente e novamente com os termómetros a marcar temperaturas muito elevadas.


andardemoto.pt @ 12-6-2026 18:58:35


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