Teste Yamaha XSR 125 – Retro Chic

A benjamim da gama neo-retro da Yamaha mostra-se uma excelente opção tanto para a cidade como para percursos extra-urbanos. A nova Yamaha XSR 125 é uma retro chic pronta para a diversão.

andardemoto.pt @ 2-8-2021 16:56:23 - Texto: Bruno Gomes

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Yamaha XSR125 | Moto | Sport Heritage

O estilo neo-retro que vai buscar inspiração em termos de design aos modelos vintage está na moda. Se calhar, aquilo que muitos pensaram ser uma moda passageira, provocada pela enorme quantidade de modelos café racer e scrambler que invadiram, literalmente, as nossas estradas, está a ser mais do que apenas passageira.

E conforme os anos passam, conforme os fabricantes percebem que encontram nos modelos neo-retro o espaço para conquistar clientes ávidos de emoção em duas rodas, mas que procuram uma moto fácil, intuitiva, cheia de estilo. E neste aspeto, a Yamaha conta com a gama XSR inserida no que a marca de Iwata denomina de movimento “Sport Heritage” para enfrentar a muita concorrência.

Depois da XSR 900 e XSR 700, 2021 marca o momento em que a Yamaha apresenta, ou melhor, abre as portas, da gama Sport Heritage aos motociclistas menos experientes e que procuram o estilo das XSR mais poderosas, mas ao mesmo tempo pretendem uma moto acessível em termos de custos e também a nível dinâmico.


A resposta para esta procura é a nova Yamaha XSR 125, uma proposta retro chic, derivada da naked MT-125 e que claramente se aproxima em termos de design às irmãs XSR 900 e XSR 700.

E os números de mercado, quer a nível nacional, quer a nível europeu, reforçam e dão consistência à importância que a nova XSR 125 terá na captação de uma nova clientela para a Yamaha e, claro, também para o mundo das duas rodas, conseguindo ajudar a formar novos motociclistas que depois vão passar para cilindradas maiores e motos de outro tipo.

A plataforma que serve de base para a XSR 125 é nada menos do que a MT-125, uma naked divertida e fácil. As novidades introduzidas pela Yamaha, para além da linguagem de estilo mais retro e onde se aposta na qualidade de acabamentos e construção, onde destacamos os painéis pintados, incluindo o guarda-lamas dianteiro, centram-se numa posição de condução menos exigente do ponto de vista físico.


A Yamaha alterou por completo o triângulo composto pelo assento plano, poisa-pés e guiador. O assento está agora a 815 mm de altura do solo. É muito confortável, mas, mais do que isso, é esguio, o que facilita chegar com os pés ao solo sem dificuldade, mesmo para condutores de menor estatura. Por outro lado, o guiador tem 756 mm de largura e está mais elevado, o que posiciona a anca do condutor mais atrás e permite adotar uma posição de condução descontraída, mas sem deixar de garantir um controlo aprimorado da dianteira. É uma posição de condução muito natural e extremamente agradável.

Já sentado aos comandos da XSR 125 é condutor descobre um posto de condução onde tudo está onde devia estar. Os comandos “caem” mesmo no local onde ficam os dedos, o painel de instrumentos de design redondo, clássico, mas com ecrã LCD, permite visualizar muita informação de forma rápida, e assim que pressionamos o botão de arranque o motor monocilíndrico de 124 cc responde de forma imediata e acorda para a vida com pequena vibração.



Penso que já o disse noutras ocasiões, mas repito-o: considero o motor Yamaha como um dos melhores motores deste segmento. Recorrendo à tecnologia VVA de abertura variável de válvulas, a unidade motriz que equipa a XSR 125 revela-se rápida na subida de rotações. Os arranques de semáforo em semáforo acontecem de forma natural e sem hesitações, sem soluços.

Até pouco acima das 7000 rpm a parametrização do sistema VVA mantém a árvore de cames no seu perfil mais baixo, o que maximiza a economia de combustível. Aliás, por falar nisso, a pequena neo retro japonesa apresenta consumos médios muito contidos. Neste teste pelas ruas de Lisboa, com muito pára/arranca nas sessões fotográficas, a média visualizada no painel de instrumentos ficou-se pelos 2,4 litros. Com um pouco de cuidado e menos entusiasmo na forma como rodamos o acelerador, e acredito que este valor diminua facilmente para perto da barreira dos 2 litros.

Mas será difícil conter o entusiasmo e não acelerar! Tudo porque o motor oferece um máximo de 15 cv e os 11,5 Nm às 8.000 rpm permitem ganhar velocidade rapidamente à saída das curvas, levando as rotações para lá das já referidas 7000 rpm, altura em que o VVA modifica o perfil da árvore de cames para maior curso, e o motor parece encontrar uma dose de energia extra.


O resultado é uma XSR 125 que revela uma enorme vivacidade, recupera bem a velocidade, e depois mantém um ritmo forte nos altos regimes, rodando facilmente perto e ligeiramente acima dos 120 km/h visualizados no painel de instrumentos.

Outra boa característica que encontramos enquanto desfrutamos da XSR 125 é a certeza de reações. O quadro Deltabox, na realidade um quadro dupla trave em alumínio ao qual a Yamaha adiciona forquilha Kayaba invertida com bainhas de 37 mm e um amortecedor por bielas também da Kayaba, revela uma estabilidade acima da média para uma moto com apenas 1330 mm de distância entre eixos.

Por outro lado, nos percursos com maior quantidade de curvas para digerir, principalmente curvas encadeadas, a XSR 125 adiciona uma boa dose de neutralidade de reações à agilidade correspondente a uma moto que deriva de uma plataforma de cariz desportivo. Esta pequena retro chic esconde, debaixo da sua aparência mais clássica, um conjunto capaz de deixar o condutor de sorriso nos lábios pela facilidade com que se deixa explorar.


Num ritmo mais vivo nota-se que as suspensões KYB sofrem um pouco para digerir as irregularidades do asfalto quando nos empenhamos na condução. Nesse momento é notório que os 130 mm de curso do eixo dianteiro são percorridos de forma algo rápida, mas sem nunca chegarmos a notar o bater da forquilha no fundo. Já o eixo traseiro, com menos curso, apresenta-se mais estável em termos de compressão, impede com alguma eficiência que a traseira baixe em demasia.

Para último deixo alguns pontos que penso que merecem nota positiva e nota negativa.

Pela positiva destaco a opção da Yamaha pelos pneus IRC Trailwinner D211. O seu design de rasto poderia indiciar um pneu menos aderente ao asfalto e mais a pender para o estilo. Mas na realidade, pelo menos em piso seco, os pneus respondem bem às necessidades dinâmicas do conjunto que pesa apenas 140 kg a cheio.



Pela negativa tenho de referir o travão dianteiro. A pinça de dois pistões morde um disco de 267 mm de diâmetro. A progressividade quando apertamos a manete é notada, mas ao mesmo tempo descobrimos que a potência de travagem é muito reduzida. Não será das piores do segmento 125 cc, mas não vai ser pela travagem que a nova Yamaha XSR 125 vai brilhar, obrigando o condutor a antecipar um pouco os momentos de travagem que se prolonga, no limite, por mais metros do que o desejado.

Tenho, no entanto, de referir que o sistema de ABS se comporta de forma neutra, sem se fazer notar por aí além. O que permite usufruir de uma travagem homogénea e estável.

Veredicto Yamaha XSR 125

A Yamaha XSR 125 pode ser a benjamim da gama Sport Heritage da casa de Iwata. Mas nem por isso deixa de se apresentar recheada de argumentos válidos. O melhor dos argumentos é o seu motor monocilíndrico, suave, poderoso, e bastante económico. Uma delícia de explorar!

Depois encontramos uma ciclística sólida, com comportamento estável e ao mesmo tempo polivalente para nos sentirmos confortáveis em qualquer ritmo. A XSR 125 é uma moto especialmente apta a ajudar os condutores menos experientes a progredir na sua carreira nas duas rodas. Mas os mais experientes também se divertem.

Sem contar com o travão dianteiro menos potente do que estamos habituados a encontrar numa Yamaha, é difícil apontar o dedo ou encontrar grandes defeitos na pequena e simpática XSR 125. Nem mesmo as opções de cor disponíveis – Tech Black, Impact Yellow e Redline – destoam da imagem retro.

E para os clientes mais exigentes, os pacotes de acessórios oficiais Racer Pack e Street Pack são a solução para quem procura algo mais do que XSR 125 de série.


Galeria de fotos Yamaha XSR 125

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Yamaha XSR125 | Moto | Sport Heritage

andardemoto.pt @ 2-8-2021 16:56:23 - Texto: Bruno Gomes


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