Teste BMW R18 Transcontinental - Vestida a Rigor

Era quase impossível para a BMW não entrar neste específico segmento de mercado onde o estilo, o luxo, o requinte e a sofisticação são os requisitos fundamentais.

andardemoto.pt @ 25-1-2022 01:47:12 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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BMW R 18 Transcontinental | Moto | Heritage

O segmento das luxuosas Grand Tourers é uma espécie de clube privado restrito, onde o conforto e o requinte são os predicados necessários para a admissão.

Há duas vertentes bem definidas, uma baseada em conceitos de modernidade, ergonomia e desempenho dinâmico, como é o caso das Honda GL 1800 Goldwing e das BMW da série K 1600, e a vertente de inspiração cruiser, pontificada pelas Harley-Davidson Ultra Limited e Road Glide Limited, Indian Roadmaster ou Indian Challenger e agora também pela recém-chegada BMW R18 Transcontinental que protagoniza este teste.

Em comum têm o grande volume, para acomodar confortavelmente dois ocupantes e respectiva generosa bagagem, o elevado binário para cumprir as grandes tiradas sem demasiado esforço, a avantajada proteção aerodinâmica para permitir uma chegada digna ao destino por mais inclementes que as condições meteorológicas se revelem, além de um preço que estão ao alcance de muito poucas contas bancárias.

São motos apaixonantes mas frequentemente incompreendidas, geralmente temidas pelo seu porte intimidante e peso generoso, também fora do alcance de muitos por uma questão fisionómica, já que apenas para as tirar do descanso é necessário ter uma boa compleição física.

No entanto, com um mínimo de experiência, conseguem ir a qualquer lugar, e manobrar com alguma facilidade, apesar de, quando carregadas com passageiro e bagagem, o seu peso facilmente ultrapassar os 500 quilos.

E são apaixonantes pela forma como, mal começam a mover-se, se tornam numa espécie de tapete mágico ou, numa versão mais actual, numa espécie de cápsula flutuante pela qual a paisagem vai passando languidamente, sem exigirem qualquer esforço para serem conduzidas.

São ainda uma prova de amor para o passageiro, que não encontra tanto conforto em mais nenhum outro tipo de moto.

A provar a sua impactante presença está o facto de não passarem despercebidas em nenhum lugar, pois mesmo nos recantos mais remotos da civilização são alvo de admiração, até por quem nunca se imaginou a andar de moto, menos ainda a correr mundo em cima de uma!

Quem lhes prestar mais atenção vai verificar que o seu nível tecnológico está muito para além do que a sua imagem retro antecipa e é mais elevado que o das motos comuns.

As mecânicas são igualmente apuradas, os componentes da ciclística são de elevadas especificações e a electrónica desempenha igualmente um papel importante para promover a segurança, o conforto e níveis de emissões de poluentes reduzidos.

Especificamente na classe das Tourers Big Twin os cavalos não são chamados à conversa! O binário é que é rei, os detalhes é que importam e o preço é apenas um certificado de sucesso. Fundamental, mesmo, é o glamour e o nível de acessorização e exclusividade.


E para entrar com tudo neste segmento tão específico e sofisticado, a BMW não se poupou a esforços. Pegou na sua R18 e vestiu-a a rigor, de fraque e cartola cheia de truques, qual James Bond a entrar num casino em Monte Carlo!

O “Big Boxer” tem pergaminhos mais do que suficientes para debater com os V-Twins americanos e, apesar de não ser exatamente a mesma coisa em termos das sensações que transmite, é, na sua essência, muito semelhante em termos de carisma e experiência de condução.

Além disso, a BMW R18 Transcontinental tem a vantagem de ter uma presença física distinta, graças às inconfundíveis protuberantes cabeças dos gigantes cilindros diametralmente opostos.


A vibração, a profunda nota de escape e a compassada mas contundente subida de rotação do motor são fatores importantes neste tipo de moto, e o “Big Boxer” além de ter carradas de charme, debita potência às catadupas do alto do seu binário máximo de 158 Nm, registado a umas escassas 3000 rpm.

E por outro lado, em termos tecnológicos, a BMW tem no seu arsenal soluções mais do que suficientes para colocar a R18 Transcontinental no topo das preferências desta clientela. Bastam poucos minutos no configurador disponível no site da BMW Motorrad Portugal, para vermos que a partir de um preço base de 30.000 euros, se chega facilmente aos 35.000.

Isto porque ninguém resiste a opcionais como o travão de estacionamento automático, nem ao alarme com fecho centralizado e comando remoto das malas, nem ao farol adaptativo que mantém o feixe de luz horizontal durante as curvas.

Nem tampouco alguém vai recusar o sistema de som com colunas assinadas pela Marshall, ou o dispositivo de marcha atrás, e menos ainda o cruise control adaptativo, com radar, uma excelente solução para as grandes tiradas em auto-estrada.

E a lista de acessórios e dispositivos continua, sem sequer falar na vasta gama de opcionais 719.


Sentar aos comandos da R1 Transcontinental é quase uma experiência religiosa. Manómetros, botões, um ecrã gigante em TFT a cores com gráficos dignos de consola de jogos, uma carenagem frontal envolvente, um assento que mais parece um sofá, e as cabeças dos cilindros do gigantesco Boxer ali mesmo a jeito de serem contempladas, causam hesitação entre arrancar ou ficar mais um pouco a olhar, a desfrutar de tanto luxo.
Pôr o motor em funcionamento é um momento solene. É preciso agarrar bem o guiador para que a inércia da cambota não faça perder o equilíbrio. Os escapes ribombam, tudo treme. Engrenar a primeira velocidade e largar a embraiagem é quase um auto de fé. É preciso acreditar. 
Mal se engrena a segunda velocidade tudo muda. Continuando a acelerar a estabilidade é impressionante, a resposta ao acelerador é contundente, a direção é assertiva, a travagem é muito potente e o mundo fica, efetivamente, mais pequeno.

É difícil explicar a sensação de conduzir uma moto deste tipo. Para muitos, eu sei, a BMW R18 Transcontinental é como se fosse um parente afastado das motos, mais relacionada com os automóveis.

Mas aqueles que já experimentaram motos deste porte, e que nelas gostam de viajar para longe, sabem perfeitamente que mais nenhum outro tipo de moto oferece este tipo de sensações, e que conduzi-las é realmente um prazer. Mais ainda quando oferecem tanto requinte e conforto.

Há muito mais para dizer sobre esta BMW, mas dificilmente vou conseguir exprimir as sensações que ela provoca. Menos ainda a quem nunca experimentou uma máquina deste tipo.

Por isso, se realmente ficou curioso e está interessado, o meu conselho é que se atreva e vá a um concessionário da marca agendar um Test Ride. E leve a(o) pendura!


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