Teste Piaggio 1 Active – Ecológica mas cheia de estilo

A Piaggio 1 é a proposta electrica da lendária marca italiana para movimentação citadina, direccionada para um publico jovem. 

andardemoto.pt @ 22-2-2022 01:44:53 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

Urbana, cheia de estilo e amiga do ambiente, fomos testá-la no seu elemento natural, as ruas agitadas de uma cidade com cada vez mais restrições de velocidade e de espaço para nos deslocarmos, e tentámos perceber o seu encaixe num quotidiano bastante diferente daquele com que nos iniciámos no mundo das motos. Estaremos prontos para excitar electrões em vez de queimar autolube?

Para a maior parte dos motociclistas que já celebram umas décadas de paixão pelas duas rodas, os primeiros motores com que sonhavam eram barulhentos, fumarentos e bastante susceptíveis.

Era uma época de transição, os blocos a dois tempos de pequena capacidade foram paulatinamente substituídos pelos quatro tempos e a consciencialização ambiental teve um papel fundamental nesta transformação.



Hoje em dia, as cidades estão num processo dinâmico de alteração de abordagem à movimentação de pessoas e, muito embora não tenhamos certezas quanto às soluções ideais, os veículos eléctricos são uma realidade quotidiana. E as gerações mais novas têm este conceito bem presente.

A Piaggio 1 assume o seu propósito como máquina pronta a dar respostas a esta necessidade. De dimensões pequenas, design atrevido mas sem perder a identidade estética de uma scooter moderna, a sensação de facilidade de utilização é um dos seus grandes argumentos.

Porque a ideia é mesmo essa, as motos não têm de ser máquinas temerárias que nos desafiam, e neste contexto urbano competem com trotinetes e bicicletas.

Se o objectivo é provar que as motos são mais seguras e permanecem uma mais valia em relação à fragilidade destes últimos, a Piaggio 1 é uma aposta forte de uma marca que sabe como criar soluções para uma realidade citadina.

A enorme sensação de leveza que o seu tamanho nos induz, é completada com uma ergonomia bem estudada, e o assento é confortável e acessível (700mm de altura), com o piso plano e o bom espaço para os joelhos permitem agradar a diferentes estaturas.

A qualidade de construção não se acanha no simplismo, onde o grande destaque é o écran LCD a cores de 5,5” que acolhe o velocímetro e o os indicadores de autonomia e potência instantânea, inclusive o da travagem regenerativa.

Também é apresentado o consumo médio e existe a possibilidade de integrar um smartphone com a instalação da app MIA da Piaggio. Uma porta USB e um pequeno gancho para transportar volumes, não podiam faltar.

A iluminação full LED enquadra o estilo vincado desta pequena scooter elétrica, onde a forma não esqueceu a eterna função. O monobraço dianteiro, típico da marca, está presente, assim como o logotipo na gravata frontal, e até um braço oscilante traseiro bastante sexy a fazer-nos lembrar que as motos devem continuar a ter orgulho na sua engenharia.

Uma marcha atrás como modo auxiliar de condução torna-se quase redundante tendo em conta o baixo peso e dimensões do conjunto. Simpática adição, pouco utilizada por nós, mas útil para compleições mais débeis, sobretudo nas inclinadas e irregulares artérias das nossas urbes.

O sistema de ignição keyless tem um controlo remoto para dar vida à moto e uma pequena chave que apenas serve para podermos ter acesso ao compartimento debaixo do assento quando a  scooter está com a bateria a carregar fora da moto.

Debaixo do assento, onde temos a bateria, conseguimos albergar um capacete tipo jet e, se optarmos por retirar a mesma para carregamento em casa, o processo é bastante fácil devido ao seu baixo peso, e são necessárias cerca de 6h para obtermos uma carga completa.


A grande e eterna questão que se prende com qualquer máquina deste género é, precisamente, a sua autonomia. Para uma bateria de 2,3 kWh, os valores anunciados para esta versão Active são de 85 km no modo ECO e de 66km no modo Sport. 

No nosso teste conseguimos comprovar estes valores, e sobretudo percebemos que a maneira como utilizamos o sistema cinético de recuperação de energia (cortando acelerador), influencia de sobremaneira os resultados. 

A Piaggio 1 foi pensada para pequenos trajectos, para aqueles que se deslocam em raios tão pequenos que um normal motor a combustão interna nem sequer aqueceria.

Temos de confessar que a Piaggio 1 nos surpreendeu. Com valores de potência na ordem dos 2,0 kW (podendo chegar ao máximo de 3,0 kW), o motor é solicito e capaz de nos transportar sem dramas, apenas temos que ter em atenção ao contexto onde a utilizamos. 

Muito embora seja equivalente a uma 125cc com permissão de condução com carta A1, circular em vias mais rápidas, a sua velocidade máxima de rolamento na ordem dos 55 km/h não nos dá a confiança necessária para atacar a loucura das grandes circulares.

Mas enganem-se aqueles que apenas se fiam nos números. A pequena scooter consegue escapar-se das situações mais complicadas, fruto da sua agilidade. As jantes de 10” são parte desta equação e as suspensões não penalizam em demasia a estabilidade nas estradas menos cuidadas.

A travagem combinada conta com um disco dianteiro de 175mm, e tem a potência necessária para evitar males maiores, desde que tenhamos em atenção que, graças à travagem combinada, o disco traseiro tem tendência para bloquear a respetiva roda.

Claro que, para agradar a um publico que se quer o mais irreverente possível, a Piaggio 1 vem disponível em seis esquemas cromáticos diferentes, com nomes tão sedutores como Artic Mix, Sunshine Mix ou Forest mix. Tudo muito cool.

Ao longo dos dias, fomos ganhando confiança na sua condução, e rapidamente nos esquecemos que estamos numa moto. Com menos de 100 kg (94Kg com baterias, para sermos exactos), deslocamo-nos à velocidade do pensamento, silenciosa e eficazmente.

Existe prazer neste exercício, a cidade fica mais nítida porque estamos mais envolvidos nos ruídos da mesma, uma espécie de meditação em movimento, e onde acreditamos fazer parte de um futuro próximo.

E porque conseguimos sair em primeiro de um semáforo, porque qualquer espaço é uma oportunidade para nós ganharmos vantagem, a Piaggio 1 prova ser uma solução viável para o que se propõe: uma mobilidade descomplicada e moderna. Até apanharmos uma inclinação mais assertiva e percebermos que não vale a pena entrar em loucuras.

A seu favor tem o facto de, mesmo com os níveis de carga em baixo, conseguir manter a performance!

Conscientes do que apresenta, vivemos com o que propõe. E na verdade, nos limites de circulação dos centros das grandes cidades, não nos deixa ficar mal, pelo contrário, somos alvo de olhares curiosos, não só pelo estilo, como pela surpresa de estarmos novamente ao lado daqueles que nos ultrapassaram depois do semáforo anterior. Tudo isto com a satisfação de estarmos a salvar árvores, glaciares, abelhas e golfinhos!

Por 3,649 €, a pequena Piaggio 1 entra directamente no campeonato das 125cc a gasolina mais vendidas do segmento, e a comparação não é de todo justa, pelo menos em termos de performance e autonomia.

Por outro lado, analisando o espectro de mercado no que toca a scooters electricas com apenas uma bateria, percebemos que os seus argumentos motrizes, de practicabilidade e de irreverência estética mantendo a icónica imagem da marca, fazem sentido e o seu enquadramento fará dela certamente um caso de sucesso.


As novas gerações encaram a mobilidade com um estado de espirito completamente diferente.

Queimar dinossauros e bater recordes de velocidade na malha urbana é coisa do passado. Interessa-lhes poderem movimentar-se com estilo, e serem práticos na utilização da máquina.

A Piaggio1, com a sua bateria amovível, look simpático e prestações suficientes para não termos medo de enfrentar o trânsito, assume-se com uma ponte de ligação entre a iniciação ao mundo das duas rodas e os restantes veículos elétricos que povoam as nossas cidades.

O preço é competitivo e a qualidade de construção é digna de nota. E até nós nos divertimos bastante nos dias em que rolamos com ela, sempre com a consciência de que as vias mais rápidas e as subidas mais íngremes eram de evitar...

Ficha técnica:

Motor:

- Tipo Hub
- 2,0 kW (3,0 kW máximo)

Bateria:

- 2,3 kWh (6h de carregamento)

Autonomia:

- 85 km no modo ECO
- 66 km no modo SPORT

Dimensões: 

- 94 Kg com bateria
- 700mm de altura do assento

Ciclística:

- Monobraço dianteiro
- Duplo amortecedor traseiro
- Travagem combinada com disco em ambos os eixos
- Jantes de 10”

Preço:

- Versão Active por 3,649 €

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:

Capacete SPRINT Rocket

Blusão Sprint Logo

Calças RSW Peter

Luvas RSW MSL-008

Botas Forma Elite 


andardemoto.pt @ 22-2-2022 01:44:53 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte


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