Teste Triumph Speed Triple RR - A sedutora

Se em andamento somos envolvidos no seu carácter forte, quando está parada prende-nos o olhar como se não existisse outra. O pecado em duas rodas tem um nome...

andardemoto.pt @ 13-7-2022 08:00:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

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Triumph Speed Triple 1200 RR | Moto | Roadsters

Lembro-me como se fosse ontem da primeira vez que a vi ao vivo. Destacava-se no meio de tantas outras pela sua altivez e pose desafiadora. Naquele stand da Triumph, na EICMA, fiquei com a certeza de que nos iríamos encontrar de novo, foi promessa velada de quem já não consegue esquecer uma paixão. 

Passados tantos meses, tinha chegado finalmente o dia de nos conhecermos melhor, um encontro que me deixava nervoso e intimidado, não queria deixar de estar à altura de tão desafiante compromisso…

Quando testei a Speed Triple RS, a moto que lhe serve de base, a atitude desportiva do seu motor e a acutilância do chassis tinham colocado todos os meus sentidos em alerta. Estupidamente rápida, leve e direta nas reações, o modo como se comportava na estrada era de tal forma eficaz na sua entrega que nos obrigava a ter níveis de concentração elevados, uma máquina exigente e recompensadora.

Se nesta equação substituirmos um guiador por avanços, uma suspensão convencional por uma semi-activa e um look neo-retro polvilhado por deliciosos pormenores em carbono, estamos perante uma nova realidade. Até a sigla RR está lá para nos tirar da zona de conforto. É uma superdesportiva? É uma Café Racer com esteroides? Será que está solteira?

A Speed Triple RR exala sensualidade, um charme desportivo intemporal, onde reconhecemos a tecnologia de ponta mais recente nas linhas clássicas de uma moto semi-carenada. Material de Joe Bar Team para a geração do Metaverse…

A linha dourada que a percorre dá continuidade ao dourado das bainhas da suspensão e separa o toque clássico do depósito branco do negro da parte mecânica. A carenagem frontal encontra um farol redondo cheio de pormenor, onde a assinatura da luz diurna esconde no centro o símbolo da marca, e o carbono aparece no guarda-lamas, nas proteções do radiador e no encaixe do depósito com o quadro, mas aparece sempre de forma discreta, não há necessidade de exibicionismos.

A qualidade e a classe andam de mãos dadas nesta moto. Até os espelhos são estilizados…

Neste cenário de decadência industrial, com a Siderurgia Nacional em plano de fundo, eis uma máquina que nos indica o saudável momento que a marca de Hinckley atravessa. Ousar colocar uma peça de engenharia não tipificada, sem segmento ou concorrência declarada é nitidamente uma declaração de honra.

Ao rolar nas nacionais, abraçando o depósito e apoiado nos avanços, questiono a sua usabilidade no mundo real, onde a palavra polivalência serve cada vez mais como chamariz de vendas. Quero acreditar que ainda sou novo, mas os entas já me assinam umas quantas articulações avariadas, e esta postura agressiva (os poisa-pés também são mais subidos e recuados que na RS) faz com
que a minha postura corporal coloque o joelho de fora nas mais pequenas rotundas.

Não é pelo exagero técnico que me sinto ridículo, é pelo simples facto de que desde os primeiros metros que a experiência de condução pede velocidade e empenho.

O tricilíndrico deixa-se levar a baixas rotações, e as suspensões semi-activas conseguem ser surpreendentemente civilizadas ao ler as irregularidades. Existe mesmo a possibilidade de modelar a sua rigidez em cada eixo (assim como as movimentações em aceleração e travagem).

No modo Road (há cinco mapas de condução: Rain, Road, Sport, Track e Rider, sendo este último inteiramente configurável) a RR consegue andar devagar o suficiente para ser admirada pelos comuns mortais que se cruzam com a sua magnificência. Não há um semáforo onde os olhares não se prendam com a sua silhueta. 

Neste registo apreciamos a qualidade de vida a bordo, os comutadores retro iluminados dão-nos acesso ao fantástico display TFT colorido onde todo o universo electrónico surge ao lado do conta-rotações dançante.

Já o dissemos anteriormente, este é um dos designs digitais mais elegantes do mercado, a Triumph acertou em cheio. Não fosse o tempo que demora a ligar o sistema (com a chave no bolso) e era simplesmente perfeito. 


O ruído rouco e vibrante que emana do escape começava a evidenciar alguma impaciência, era tempo de terminar a massagem de ego e dar uso a toda a agressividade prometida pela posição de condução. Vinha aí a Serra…

Num registo mais despachado, tudo começa a fazer sentido, a pressão nos pulsos alivia com a aceleração, o quick-shift acerta na mudança de ímpeto sem hesitações, o motor reage com uma subida de rotação impressionante, algo que a RS já tinha revelado.

Os 1200 cc do tricilíndrico entregam os 180 cv quando as rotações já passam das 10 mil rotações, mas a curva de binário (125 Nm às 9000 rpm) de planalto bem evidente faz com que a disponibilidade da RR às solicitações do punho direito seja quase imediata.

A sensação de estarmos deitados num foguete nunca fez tanto sentido. Se formos pacientes o suficiente para a deixarmos liderar a dança, a Speed Triple RR consegue ser uma moto capaz de nos ensinar a pilotar com estilo. Até porque não há outra maneira de a fazer funcionar.

Nas curvas de maior raio, a estabilidade ciclística é absolutamente irredutível, conseguindo manter a linha como se estivesse sob carris, dando ao condutor a confiança necessária para fazer milimétricos ajustes de acelerador que servem para moldar a trajectória. Nos mapas mais agressivos (Sport, mas sobretudo o Track), tudo fica mais direto, a suspensão endurece e o motor reage à velocidade da luz. 

O asfalto que cobre a estrada da Serra da Arrábida não será dos que oferece maior coeficiente de atrito, e os Pirelli Super Corsa gostam de ter bastante temperatura para funcionar na sua máxima performance.

Significa esta premissa que à medida que o ritmo aumentava, mais lineares eram as reacções, a confiança na frente crescia e as travagens surgiam mais tardias. O brilhantismo do funcionamento das Öhlins Smart EC 2.0 está à altura do feeling que a bomba de travão da Brembo MCS 19.21 (mordendo os duplos discos de 320 mm com as pinças Stylema) entrega.

O delicioso pormenor de podermos aumentar a mordacidade da travagem (ou torná-la mais modulável, 19 mm ou 21 mm de diâmetro na área de contacto do piston), é a diferença entre o número de dedos que podemos utilizar para desacelerarmos o momento. 

Lembram-se da parte do estilo de pilotagem? Entra o Wagner e as suas Valquírias…

Prolongar a mudança fazendo desaparecer a recta com o tricilíndrico a soar metálico e áspero, a frente a querer levantar sob a égide da incansável potência, apertar a manete dianteira com um convicto e corajoso dedo, procurar o ponto onde vamos tocar o centro da curva enquanto abraçamos o depósito agarrados aos avanços e ajustamos o corpo para forçar a moto a deitar-se. 

Acertar a trajectória em ângulo com leves inputs de acelerador, e esperar pelo momento certo onde podemos apontar para a saída, ainda pendurados enquanto tentamos endireitar a máquina para aumentarmos a área de contacto da borracha no asfalto. Parece fácil? Não é.

E escrito parece mais poético do que a real chusma de palavrões que ecoam no capacete, porque a margem de manobra para evitar o erro é muito menor na estrada do que em pista. Mesmo com toda a almofada de segurança eletrónica (ABS e controlo de tração associados a um IMU), o risco é sempre maior. 

Orgulhoso em ter retirado aquele irritante centímetro de borracha virgem no limite do pneu, enquanto paro para respirar (e fazer uns alongamentos), penso no gozo que esta Speed Triple RR deve dar em pista.

Num ambiente controlado, num exercício de repetição, podemos exacerbar todas as características ciclísticas e motrizes que a tornam numa máquina de excelência. Só tentei conhecê-la melhor numa estrada de serra porque… me seduziu. 

No dia seguinte, Lisboa estava cheia de motociclistas vestidos com roupas de cerimónia, máquinas cheias de personalidade, o espírito singular de mais um Distinguished Gentlemans Ride estava no ar.

A Triumph Speed Triple RR brilhou, causou discussão, virou cabeças e gerou perguntas. Depois de lhe admirarem a silhueta sexy, os olhares tornavam-se circunspectos quando encontravam equipamento tipicamente utilizado em motos de cariz super desportivo. 


Tenho a mais convicta certeza de que a maior parte deles ficou apaixonado. 

A minha resposta nunca era esclarecedora, "Fabulosa e cheia de atitude" foram os termos mais utilizados… 

Desde 21 250 €, a versão RR da Speed Triple justifica a sigla mais agressiva. O seu valor como peça de engenharia tanto merece ser admirado de forma estática como explorando todo o seu potencial… de preferência escondido atrás do pequeno ecrã, de acelerador aberto e olhos em alvo, pronto para dançar com ela na mais retorcida estrada.

Equipamento:

Capacete Nolan N80-8 50th Anniversary
Blusão: REV’IT! Hyperspeed Air
Calças: RSW Jeans Peter
Luvas: REV’IT! Chevron
Botas: TCX RO4D WP 

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Triumph Speed Triple 1200 RR | Moto | Roadsters

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