Teste Kove 625X - Para tudo e para todos

A Kove 625X é uma trail chinesa que quer competir de igual para igual com as europeias.

andardemoto.pt @ 22-9-2026 16:03:01

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Desta vez estive presente na apresentação internacional da Kove 625X, em Mont Sant Bent, na região de Manresa, Espanha, para um primeiro contacto com o novo modelo da marca de Chongqing.

O teste decorreu sobretudo em piso asfaltado, já que os incêndios que à data assolavam a região limitaram o acesso aos percursos de terra inicialmente previstos para o evento. Ainda assim, as impressões que recolhi permitem-me já traçar um retrato consistente daquilo que esta moto promete entregar neste segmento cada vez mais disputado.

Motor: entrega robusta e consumos comedidos

O coração da 625X é um bicilíndrico paralelo de 581 cc, com distribuição DOHC, oito válvulas, cambota defasada a 270º e refrigeração por líquido. O diâmetro e curso de 76 x 64 mm e a taxa de compressão de 11,5:1 resultam numa potência máxima de 62,5 CV (46 kW) às 8.500 rpm, existindo também uma variante limitada a 47 CV (35 kW) às 7.750 rpm, destinada a titulares de carta A2. O binário máximo atinge os 57 Nm às 7.000 rpm.


O motor agradou-me pela potência e pela entrega bem distribuída, com uma curva de binário bastante robusta em toda a faixa de utilização, proporcionando uma resposta elástica e efusiva até ao limitador. Em termos de funcionamento, destaco a regularidade e a quase total ausência de vibrações. Em termos de consumos, também me pareceu interessante: registei, na prática, durante o teste, uma média a rondar os 4,5 l/100 km.

A alimentação é assegurada por um sistema de injeção eletrónica MSE 6.0 da Bosch.Por seu lado, a caixa de 6 velocidades apresenta relações curtas, o que me permitiu andamentos vigorosos sem precisar de recorrer exaustivamente às mudanças.

Ciclística e travagem à altura do propulsor

A ciclística está ao nível do motor. O quadro mostrou-se firme o suficiente para me permitir andamentos muito rápidos em asfalto. A suspensão dianteira KYB, uma forquilha com jarras de 43 mm oferece 180 mm de curso e amortecimento totalmente ajustável, complementada por um amortecedor traseiro KYB com ajuste de compressão e retorno e 230 mm de curso, que oferecem uma altura livre ao solo de 235mm.


O sistema de travagem combina um duplo disco flutuante com pinças de quatro pistões com instalação radial, na frente, e um disco simples com pinça de pistão simples na traseira, geridos por um sistema Dual ABS, SAFE SF11, que integra três modos de funcionamento, e mostrou-se perfeitamente ao nível do conjunto.

As jantes raiadas, em alumínio, são compatíveis com pneus tubeless e calçam borrachas de perfil misto, da Pirelli, com medidas 110/80-R19 à frente e 150/70-R17 atrás, que se revelaram excelentes no percurso de asfalto seco.Quanto ao comportamento fora de estrada só o vou poder testar em breve, já em Portugal, pois foi sobretudo em asfalto que este teste se desenrolou.

Ergonomia acessível e proteção eficaz

Com 2.290 mm de comprimento, 935 mm de largura e 1.395 mm de altura, e uma distância entre eixos de 1.495 mm, o conjunto ergonómico pareceu-me eficaz, proporcionando uma boa posição de condução em pé. A altura do assento ao solo, fixada em 820 mm, é baixa comparada com outras motos do segmento, tornando-se bastante acessível para motociclistas de estatura mais baixa.


A proteção aerodinâmica pareceu-me razoável, beneficiando de um pára-brisas regulável em altura, cujo mecanismo necessita das duas mãos para ser ajustado.

Um pormenor que me interessou particularmente foi o ecrã do painel de instrumentos, um TFT de 7 polegadas com orientação vertical e dois interfaces distintos, Racing e Clássico, com conectividade opcional através da aplicação EYLink, ser regulável em ângulo, o que permite evitar reflexos sob sol intenso e uma boa visibilidade na condução em pé.


A Kove 625X pesa 222 kg em ordem de marcha (200kg a seco), valor que sobe para 240 kg com o conjunto de três malas montado, e conta com um depósito de combustível com uma capacidade superior a 21 litros, garantindo boa autonomia entre reabastecimentos. O kit de três malas: mala lateral esquerda de 35 L, mala lateral direita de 33 L e top case de 45 L está disponível por 849€ (PVP).

Eletrónica e equipamento

A eletrónica tem uma interface intuitiva e permite, através de um botão dedicado, desligar facilmente o controlo de tração e o ABS. O pacote tecnológico inclui ainda sistema keyless, radar com deteção de ângulo morto e sensores de pressão e temperatura dos pneus, um conjunto de assistências que não é comum neste segmento de cilindrada, menos ainda tendo em conta o P.V.P. de apenas 6597€. 

Além disso, a iluminação é integralmente em LED, incluindo os faróis auxiliares, complementada por luzes diurnas DRL, os punhos são aquecidos, as manetes são reguláveis, os espelhos retrovisores incorporam as sinalizadores de ângulo morto e a Kove disponibiliza o modelo nas cores azul, branco e preto, todos equipados com proteções de punhos e proteção de cárter em alumínio.

Resumindo, a Kove 626X é uma trail versátil, divertida de conduzir, muito bem resolvida em asfalto, com um motor equilibrado, ciclística consistente e um nível de equipamento que ultrapassa o que é habitual na categoria.

A confirmação plena das suas capacidades, sobretudo em contexto off-road, fica reservada para o próximo teste, já em solo português, onde poderei finalmente avaliar a Kove 625X nas condições para as quais a marca diz estar preparada.

Neste Teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:
Fato LS2 X‑MasterCapacete Arai MX-V EvoBotas Gaerne SG22Luvas LS2 Bend

andardemoto.pt @ 22-9-2026 16:03:01


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