Moto GP 2026 - Áustria - Acosta quebra a maldição em casa da KTM e Martin reconquista a liderança

Havia um guião perfeito escrito para o Red Bull Ring e, no sábado, Pedro Acosta rasgou-o com as próprias mãos. Vinte e quatro horas depois, reescreveu-o do princípio. Enquanto isso, Jorge Martin somava vitória na Sprint e segundo lugar na corrida para voltar a liderar o campeonato.

andardemoto.pt @ 20-9-2026 23:08:13

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A sexta-feira pertenceu inteiramente a Pedro Acosta, que completou um duplo domínio no primeiro dia de treinos no Red Bull Ring, numa sessão da tarde interrompida por bandeiras vermelhas a onze minutos do fim. O recomeço desencadeou um duelo de dez minutos que terminou com Acosta 0,1s à frente de Fermin Aldeguer, com Ai Ogura e os líderes do campeonato Marc Marquez e Jorge Martin a completarem o top 5. Francesco Bagnaia viu-se remetido à sua quinta presença consecutiva na Q1, apesar de estar a apenas 0,8s de Acosta.

A manhã de sábado trouxe condições traiçoeiras. Marc Marquez subiu ao topo da tabela num treino final húmido, e caiu logo de seguida. As manchas de água resultantes da chuva noturna mantiveram grande parte do pelotão nas boxes no arranque da meia hora de sessão.

Com o sol a aparecer, as condições melhoraram e Marquez foi o mais rápido nos minutos finais, antes de perder a dianteira e cair na curva 1. Apesar do erro, o campeão em título, que iniciava o dia empatado em pontos com Jorge Martin, fechou a sessão 0,2s à frente do espanhol da Aprilia, com Acosta, Aldeguer e Bagnaia a completarem o top 5. 


Qualificação: Martin rouba a pole por 71 milésimos

A Q2 produziu uma primeira linha de uma compressão quase obscena. Jorge Martin negou a pole position ao rival direto no título, Marc Marquez, colocando a Aprilia no topo dos tempos pela primeira vez em todo o fim de semana com 1m27.912s. Marc Marquez e Pedro Acosta também entraram nos 27, para uma primeira linha separada por apenas 0,071s. Marco Bezzecchi, Ai Ogura e Alex Marquez herdaram a segunda linha. Foi a terceira pole da temporada para Martin, e o sinal de que o duelo pelo título se jogaria ao milímetro em cada travagem. 

Sprint: o erro que custou tudo a Acosta

A corrida de sábado durou catorze voltas e teve dois enredos paralelos. Acosta aproveitou o facto de Martin e Marc Marquez se terem tocado nas carenagens à entrada da chicane na volta inaugural para roubar a liderança e fugir rumo ao que parecia uma vitória caseira da KTM. Com i incidente, Martin viu-se atirado para oitavo logo na primeira volta, depois de ser empurrado para fora na curva 2 pelo principal rival no título. 


A partir daí, o espanhol da Aprilia produziu aquele que foi o seu melhor exercício de recuperação do ano. Abriu caminho através do pelotão até regressar ao segundo lugar na volta oito de catorze, depois de ultrapassar o companheiro de equipa Marco Bezzecchi para terceiro e, na volta seguinte, aplicar uma manobra dura sobre Marquez, também na curva 1, para subir ao segundo posto e abriu imediatamente uma clareira sobre o piloto da Ducati.

O segundo lugar parecia ser o teto possível... mas não foi! Acosta seguia rumo a uma vitória dominante, mas caiu na curva 2 quando faltavam apenas três voltas para a meta. O próprio piloto explicou que "fez asneira" ao cair como consequência de estar a consultar o painel para ver quantas voltas faltavam, isto depois de ter construído uma vantagem de mais de dois segundos antes do erro na chicane da curva 2.

Acosta ainda regressou à pista, mas acabou por desistir. Com isto, Martin herdou a vitória e passou a deter uma vantagem de três pontos no campeonato sobre Marquez, que não conseguiu melhor que o segundo lugar. Bezzecchi completou o pódio.


O aquecimento de domingo de manhã só agravou o ambiente no box laranja. Bezzecchi liderou a sessão por 0,157s sobre Marquez, mas Acosta voltou a cair, desta vez a alta velocidade na curva 9, no último minuto. Foi o segundo incidente da equipa da casa, depois de Brad Binder ter sofrido um highside na curva 4. Acosta regressou visivelmente irritado à box. 

Corrida de domingo: a redenção de 28 voltas

Poucos apostariam num piloto que tinha destruído duas motos em dois dias. Acosta caiu de terceiro para quinto no arranque, mas abriu caminho rapidamente até tomar a liderança a Jorge Martin, na volta 9 das 28. Desta vez não houve hesitação e, após dois anos e meio de espera, manteve o líder do campeonato à distância para se tornar vencedor de um Grande Prémio da categoria rainha depois de um recorde de 15 pódios anteriores. Foi preciso esperar até à sua 56ª participação em MotoGP.  

Esta foi também a primeira vitória da KTM em MotoGP desde o Grande Prémio da Indonésia de 2022, quando Miguel Oliveira venceu em condições de chuva.


A margem final foi de 1,017s sobre Martin. E houve espaço para teatro: o espanhol celebrou deitando a sua RC16 de lado na chicane durante a volta de desaceleração, exatamente no sítio onde tinha caído no dia anterior.

Nas suas próprias palavras, Acosta resumiu o peso do momento: "Ontem foi um grande erro. E também hoje (no aquecimento), porque destruí a minha moto de corrida. Sendo honesto, estava cheio de medo, porque não queria mesmo cometer outro erro em casa da KTM." E acrescentou: "É mais emocionante fazê-lo aqui, em casa da KTM e na casa da Red Bull." 

Atrás, o desfecho foi igualmente revelador. Marco Bezzecchi pressionou o companheiro de equipa Martin nas fases finais na luta pelo terceiro lugar, seguido de perto por Ai Ogura, quarto no regresso de lesão. O japonês da Trackhouse, ausente desde Aragão, voltou assim ao top 4 à primeira tentativa, um resultado que confirma a sua consistência e que lhe permitiu limitar os danos no campeonato apesar das rondas falhadas.

Martin, por seu lado, cumpriu um segundo lugar de enorme mérito defensivo, gerindo durante voltas a fio a pressão imposta pelo seu próprio companheiro de equipa, num traçado onde a Aprilia se mostrou consistentemente mais forte do que a Ducati. 

E esse é precisamente o outro lado da história. Marc Marquez, que perdera a liderança do campeonato para Martin após o segundo lugar na sprint, nunca teve ritmo para desafiar as Aprilias da frente nem Acosta. Em vez disso, o campeão em título teve de lutar arduamente apenas para terminar como a melhor Ducati, numa luta renhida com Fermin Aldeguer por quinto, nas voltas finais, enquanto se debatia com um problema técnico de travagem, tema que a Ducati terá de dissecar antes de Motegi. 

Aldeguer acabaria por perder também para Brad Binder e, depois, foi despromovido a oitavo, atrás de Pecco Bagnaia, por uma penalização aplicada após a corrida. Fabio di Giannantonio e Johann Zarco completaram o top 10. 

Destacamos ainda o sexto lugar de Brad Binder, o seu melhor resultado da temporada, reforçando a ideia de que a RC16 evoluiu. E também o 13.º lugar de Takaaki Nakagami, piloto de testes da Honda, que substituiu Joan Mir, ausente depois de ter desistido cedo em Misano por fadiga extrema, com exames médicos posteriores em Barcelona a detetarem parâmetros alterados no sangue que exigem investigação adicional. 

Para a KTM, a leitura deste resultado é agridoce e ninguém o disse melhor do que o próprio vencedor: "Será a melhor forma de fechar um círculo. No fim de contas, estou na KTM desde os 16 anos, conheço toda a gente desde miúdo e será a forma perfeita de acabar uma história."

Depois da travessia do deserto financeira, do congelamento forçado do desenvolvimento e dos problemas de fiabilidade (saiba mais aqui), a fábrica austríaca volta a vencer precisamente no fim de semana em que se despede do piloto que a manteve relevante durante todo esse período. Acosta parte para a Ducati em 2027 e leva com ele a prova de que o talento chegava, mas faltava máquina!

Classificação geral do Mundial após o GP da Áustria (top 10)

Pos. Piloto - Equipa - Pontos - Dif. para o líder - Dif. para o anterior
1 Jorge Martin - Aprilia Racing - 306 — —
2 Marc Marquez - Ducati Lenovo Team - 294 -12 -12
3 Marco Bezzecchi - Aprilia Racing - 264 -42 -30
4 Pedro Acosta - Red Bull KTM Factory Racing - 234 -72 -30
5 Fabio Di Giannantonio - Pertamina Enduro VR46 - 230 -76 -4
6 Ai Ogura - Trackhouse Aprilia - 222 -84 -8
7 Raul Fernandez - Trackhouse Aprilia - 203 -103 -19
8 Alex Marquez - BK8 Gresini Ducati - 158 -148 -45
9 Francesco Bagnaia Ducati Lenovo Team 156 -150 -2
10 Fermin Aldeguer BK8 Gresini Ducati 115 -191 -41

De notar a subida de duas posições de Acosta, agora quarto e os 12 pontos, entre os 4.º e o 6.º lugares, que separam três pilotos.

Segue-se um teste privado de 850cc com pneus Pirelli no próprio Red Bull Ring, antes do Grande Prémio do Japão em Motegi, primeira das rondas intercontinentais, de 2 a 4 de outubro. 

andardemoto.pt @ 20-9-2026 23:08:13


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