Teste Bullit Hero 250 - Atitude Scrambler
O fabricante belga ouviu os pedidos dos motociclistas que queriam uma Hero mais potente. Esta versão 250 cc da scrambler da Bullit mostra como uma moto simples pode ser divertida.
andardemoto.pt @ 3-5-2021 18:45:05 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Quando
a Bullit Hero 125 fez a sua primeira aparição nas nossas estradas em 2017,
quase instantaneamente conquistou o coração dos motociclistas ávidos por uma
moto tipo scrambler e muito acessível.
O seu “look” soberbo apenas nos deixava sonhar com as mais loucas aventuras
fora de estrada, e a ponteira de design curioso um detalhe que colocava a Hero
125 num patamar de moto desejada por muitos. Não deixava os motociclistas
cheios de adrenalina pela sua performance, mas é preciso ter em conta que a
Hero 125 era, e é, uma scrambler de estilo retro que vive mais pelo estilo do
que propriamente pelas capacidades dinâmicas.
Mas os motociclistas queriam mais, e a Bullit acabou por finalmente responder
aos nossos pedidos lançando no mercado uma variante com mais poder de fogo.
A nova Hero 250 ganha um motor de maior cilindrada, mas principalmente uma
caixa de 6 velocidades e suspensões com um funcionamento mais convincente. O
motor monocilíndrico é na realidade fabricado pelos chineses da CF Moto, que
por sua vez foram buscar inspiração aos motores “mono” dos parceiros da KTM. Um
acordo bastante vantajoso para a CF Moto, diga-se de passagem.
Mas de volta à Bullit, o motor é a quatro tempos tem duas árvores de cames à
cabeça que operam quatro válvulas, enquanto a refrigeração é por líquido. Este
motor, como referimos, confere à Bullit Hero 250 uma melhoria significativa em
termos de poder de fogo em comparação com a sua irmã de 125 cc.
Esta esbelta scrambler desenvolve quase 26 cv, sensivelmente o dobro da 125.
Com este acréscimo de potência, a velocidade máxima sobe para uns interessantes
130 km/h, embora com alguma paciência (e longas retas) seja possível atingir os
140 km/h antes do motor entrar no corte. Na ciclística encontramos componentes
como forquilha invertida na dianteira fixa a uma jante de raios de 18
polegadas, enquanto na traseira o amortecedor Fastec Racing ajuda a absorver os
maiores impactos.
A travagem fica a cargo de discos em ambos os eixos, com destaque para o disco
dianteiro, recortado, que tem 290 mm de diâmetro. A Bullit ajuda os condutores
menos experientes ao instalar um sistema de ABS, que no entanto não é
desconectável, o que seria ideal para as incursões fora de estrada.
O assento forrado em pele com as típicas costuras que fazem parte da imagem
scrambler está posicionado a 855 mm de altura na sua posição mais perto do
depósito de combustível, que consegue armazenar nada menos do que 15 litros. No
entanto, a parte traseira do assento sobe para os 970 mm de altura.
Isto não significa que o assento seja ajustável! Apenas refiro esta diferença
para destacar o facto de que o assento não é totalmente horizontal, e o
passageiro estará sentado ligeiramente mais acima do que o condutor. Para
condutores de menor estatura esta altura do assento poderá ser um ponto menos
positivo, mas para mim, que tenho 1,84 metros de altura, a altura do assento
não é problemática.
O peso é outro dos destaques muito positivos nesta Bullit Hero 250. Com apenas
148 kg a cheio, a scrambler do fabricante belga é leve, mesmo tendo em conta
que estamos perante uma “quarto de litro”.
Na presença da nova Hero 250, e depois dos primeiros momentos que passamos a
observar o “quadro geral” e admiramos a pintura bem conseguida e equilibrada
com grafismos simples, a nossa atenção começa a ser inevitavelmente atraída
para os detalhes que tornam esta proposta da Bullit numa moto que não deixa
ninguém indiferente à sua presença.
A qualidade de construção parece estar num patamar acima do que senti na versão
125 cc. Por exemplo o quadro, com uma geometria ligeiramente diferente,
apresenta soldaduras com um acabamento que posso considerar bom. Os punhos
texturados oferecem uma boa aderência às luvas e mantêm o tema scrambler.
Há, no entanto, detalhes que merecem uma atenção especial. O escape é um deles.
O sistema fabricado em inox termina numa ponteira de desenho muito curioso.
Parece estar tapada na sua saída. Essa opção ajuda a conferir uma sonoridade
muito engraçada e viciante ao monocilíndrico. Mas neste particular também tenho de referir que o “layout” do coletor de
escape interfere com a tampa do óleo do motor. Colocar óleo no motor não será
tarefa fácil.
A pintura não apresenta falhas, a iluminação dianteira é agora em LED, com uma
assinatura luminosa impactante, e o suporte dos poisa-pés do passageiro está
fixo ao subquadro de forma bastante sólida
Em andamento a Bullit Hero 250 é exatamente aquilo que esperamos que seja. O
motor sobe rapidamente de rotação. Quase a fazer lembrar as motos de motocross.
Com um peso tão baixo, é apenas natural que rapidamente a velocidade
apresentada no painel de instrumentos seja de 100 km/h. A essa velocidade
nota-se claramente um conjunto sólido e relativamente estável em linha reta.
A partir daí, os pneus cardados da Kingstone começam a fazer-se notar pela
negativa, nomeadamente aumentando o ruído de rolamento, mas principalmente
porque causam alguma vibração na direção. Será necessário manter as mãos no
guiador largo e bem posicionado para garantir que não apanhamos sustos de
maior.
O painel de instrumentos é totalmente analógico e, para ser sincero, na minha
opinião está mal posicionado (demasiado horizontal) o que dificulta a leitura
precisa da velocidade. Até porque apresenta a velocidade em km/h e em milhas
por hora, o que ajuda a confundir ainda mais.
Ainda no motor, realço também a boa capacidade de recuperação. Ideal para
aquelas ultrapassagens mais no limite. Com uma transmissão final bem escalonada
para permitir que o monocilíndrico não entre em “overdrive” a velocidades mais
elevadas, a chegada da caixa de seis velocidades é muito bem-vinda por quem explora
a Hero 250 em estradas mais abertas.
As trocas de caixa acontecem de forma suave e precisa.
Nos percursos com mais curvas a leve scrambler belga não desilude. É necessária
atenção para evitar levar os pneus cardados ao seu limite. E não é preciso inclinar
muito a moto para descobrirmos esse limite!
Se há algo que deve ser mudado assim que comprar a Hero 250 são os pneus que a
Bullit instala de fábrica. Mas por outro lado a leveza do conjunto torna-a
ágil, e a estabilidade a velocidades moderadas e nas trocas de direção é
bastante boa, embora seja necessário “lutar” um pouco contra a inércia
provocada pelo “gordo” pneu dianteiro cardado de 18 polegadas, que revela uma
tendência irritante de querer seguir em frente em vez de inclinar para a curva.
Por causa dos pneus a travagem também tem de ser doseada de uma forma muito
específica. Não vale a pena apertar a manete com muita força, pois o sistema de
travagem potente vai pura e simplesmente fazer com que o pneu dianteiro chegue
ao seu limite de aderência.
Não chega a bloquear graças ao ABS, mas se o piso estiver menos aderente
apanhamos alguns sustos se formos demasiado impetuosos.
Na Hero 250 as travagens devem ser mais prolongadas, aproveitando todo o curso
da manete para ir abrandando o conjunto. Tenho a certeza de que se a unidade
testada estivesse equipada com pneus menos cardados ou de melhor qualidade, a
travagem desta Bullit iria merecer nota muito positiva.
Assim, posso dizer que senti progressividade e potência, mas nunca pude
realmente tirar grande proveito disso numa condução em piso de asfalto devido à
pouca aderência do pneu.
As suspensões são algo que numa moto deste nível podem fazer com que todo o
conjunto perca eficácia. No caso da Bullit Hero 250 posso dizer, com
satisfação, que tanto a forquilha invertida como o amortecedor Fastec Racing
cumprem com a sua função. É certo que se revelam um pouco rijos demais para uma
utilização puramente estradista. Mas para quem quiser aventurar-se fora de
estrada, a capacidade de absorção de impactos é interessante.
Aliás, será nos pisos de terra que os pneus cardados instalados de fábrica
melhor se comportam! Os sulcos profundos e os tacos generosos encontram tração
mesmo nos pisos “offroad” mais escorregadios, e a Hero 250 consegue, por isso,
oferecer o fator diversão que uma scrambler tem de ter. É uma pena que o ABS
não se possa desligar.
Uma última nota para a boa autonomia. Verifiquei que a média dos quilómetros
percorridos não passava muito dos 3 litros por 100 km. Tendo em conta a
capacidade do depósito, a autonomia teórica passa facilmente dos 400
quilómetros. Algo que devemos ter sempre em conta, pois significa custos de
utilização reduzidos.
Veredicto Bullit Hero 250
Os belgas da Bullit parece que conseguiram acertar com a Hero 250. Esta
simpática scrambler pode não ser a rainha das performances, mas a verdade é que
para uma “dois e meio” que custa 4.199€, e que se apresenta com uma imagem tão
apelativa, não era fácil esperar muito mais dela.
As expectativas foram atingidas, a diversão aos comandos da Hero 250 pode ser
muita, desde que os pneus Kingstone de origem sejam trocados!
É uma moto leve, o que ajudará os menos experientes a aprenderem a divertir-se
fora de estrada. Para os mais experientes será um brinquedo no “off-road”, e
com uma construção simples, mas sólida, a Bullit Hero 250 é daquelas motos que
não temos qualquer problema em usar e abusar numa pequena aventura para além do
asfalto. Nem mesmo no caso de queda os danos serão demasiado dispendiosos.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete – SMK Retro
Blusão – REV’IT! Blake
Calças – REV’IT! Orlando H2O
Luvas – Furygan Spencer D3O
Botas – TCX X-Blend WP
Galeria de fotos Bullit Hero 250
andardemoto.pt @ 3-5-2021 18:45:05 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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