Teste Piaggio MP3 310 HPE: mais refinada do que nunca!

A Piaggio tem motivos para estar orgulhosa: foi a primeira marca a lançar uma original proposta de scooter com duas rodas dianteiras em 2006. Hoje, passados quase 20 anos, as vendas e a notoriedade do modelo continuam a mostrar que estava certa. Até o facto de existirem, agora, várias concorrentes reforça essa realidade.

andardemoto.pt @ 11-6-2025 09:30:12 - Texto: Pedro Pereira

Na lógica das suas irmãs mais velhas, a MP3 400 e 530, chegou também a hora de a 310 sofrer uma profunda atualização que, em bom rigor, quase se pode afirmar que se trata de uma revolução, tal as diferenças face à geração antecedente.

Destaque para a sua dianteira, com um estilo ainda mais moderno, com especial enfoque nos dois farois totalmente em LED que, além de uma bonita assinatura luminosa, garantem uma iluminação de fazer inveja a muitos automóveis. Também as bem conseguidas jantes de cinco raios ajudam a dar um ar ainda mais desportivo.

Por outro lado, com a nova motorização de 310 cc a cumprir a norma Euro 5+, o novo monocilíndrico a quatro tempos, de refrigeração por líquido, está melhor que nunca, debitando uns saudáveis 26,4 cv às 7500 rpm e um binário de 27,3 Nm às 6000 rpm.


Como é habitual, a qualidade de construção é praticamente irrepreensível e nota-se um cuidado extremo nos acabamentos e escolha de materiais. Fica praticamente ao nível das suas irmãs, mesmo tendo valores mais modestos em termos de performance, mas também vantagens inegáveis em termos de agilidade e dinâmica. Afinal de contas, são cerca de 230 kg em ordem de marcha, face aos 260 kg da 400 e dos 280 kg da 530.

Naturalmente que não tem recursos tecnológicos mais avançados, como o Bliss (detetor do ângulo morto), cruise control ou um sistema de marcha-atrás, mas também não precisa. A sua elasticidade e leveza compensam tudo isso, sobretudo na cidade, além de ser a mais económica da família, incluindo a isenção de Imposto Único de Circulação (IUC). O melhor de dois mundos

Não há como negar que a MP3 foi beber muitos ensinamentos ao mundo automóvel, tentando dessa forma integrar o melhor de dois mundos, tantas vezes opostos.

Logo para começar, continua a ser possível a sua condução com a Carta de Categoria B, ou seja, qualquer pessoa que conduza um automóvel também a pode conduzir, apesar de ser importante que haja um breve período de adaptação.


Das quatro rodas herda, por exemplo, o original sistema (de que os motociclistas não costumam ser fãs) de travagem combinada, no pedal situado do lado direito. Um sistema alternativo ao tradicional uso das manetes e que resulta muito bem, sobretudo para quem não é utilizador habitual das duas rodas.

O mesmo vale para o prático travão de estacionamento que garante a imobilização do veículo em pisos mais inclinados. A manete do mesmo é enorme, mas a sua funcionalidade é inquestionável.
No meio das suas semelhanças com o automóvel, o grande destaque vai para a suspensão de configuração de quadrilátero deformável nas duas rodas frontais.

Esta assegura uma estabilidade em curva incomparável e permite, mediante o acionamento de um botão situado do lado direito, bloquear a suspensão dianteira e, desse modo, a moto fica parada direita, sem necessidade de utilização do descanso central. Uma mais-valia incontestável e que rapidamente se torna insubstituível.


No meio de todas estas semelhanças continua a dar as sensações de condução de uma moto e a ser muito ágil no meio do tráfego. Permite serpentear quase como uma moto de duas rodas, sempre com uma extrema capacidade de curvar e uma potência de travagem dianteira que nos surpreende e que convida a um andamento mais atrevido, tudo coadjuvado com uns ótimos pneus Michelin City Grip.

Também os consumos, desde que a ritmos moderados, são de passarinho, e é possível obter valores próximos dos declarados 3,1 litros aos 100 km, mas sobre esse ponto fornecemos detalhes mais adiante. Vias rápidas e autoestradas: o calcanhar de Aquiles

A 310 é uma MP3 de muitas virtudes e em ambientes urbanos sente-se como um peixe na água. Ao mesmo tempo é razoavelmente confortável (em pisos muito degradados ou lombas nem tanto), espaçosa para dois ocupantes e com uma boa capacidade de carga (debaixo do assento cabem dois capacetes jet ou um integral que não seja muito grande, e ainda sobra espaço), que pode ser complementada com um top case disponível no catálogo de acessórios da marca.


Porém, quando circulamos mais depressa, por exemplo num troço de via rápida, percebemos melhor as suas limitações. Durante os dias de test ride cumpriu bastantes km’s em autoestrada e é aqui que percebemos que a opção pela 400 ou mesmo pela 530 pode fazer sentido.

O pequeno motor de 310 cc é suave, vibra pouco e atinge com facilidade os 100 km/h, quando estamos a chegar às 6000 rpm, ponto em que atinge o valor máximo de binário. Daí até aos 120 km/h já se nota alguma dificuldade em progredir e se olharmos para os valores de consumo no completo painel (pena não ser um TFT colorido, em vez de um clássico LCD) já começam a ser elevados.

Case optemos mesmo por uma condução do tipo “acelerador a fundo” e o relevo e o vento sejam a favor é possível ir mais além (velocidade máxima declarada de 129 km/h), mas os consumos disparam, literalmente falando, e os 11 litros do depósito não dão para ir muito além dos 200 km.

Além disso, o bonito ecrã fumado, com defletores laterais e sem qualquer regulação, torna-se manifestamente insuficiente para nos proteger do vento, dos insetos ou da chuva e a condução deixa de ser tão prazerosa e somos convidados a abrandar o ritmo.

Ainda assim, a mais pequena das MP3 não se nega a este tipo de utilização, mas de uma forma mais calma e talvez até indo buscar ao catálogo de acessórios um ecrã dianteiro mais elevado. Já agora, o útil compartimento situado na zona frontal, sem chave, tem uma tomada USB e espaço para colocar o telemóvel, mas se este for relativamente grande não vai caber.

Fácil, ágil, divertida, económica e segura são alguns dos adjetivos que melhor caraterizam esta MP3 e para ter mais sucesso no mercado, nomeadamente junto dos condutores de automóvel, só necessita de maior divulgação.

Ainda por cima já vem com recursos muito úteis e práticos, caso do arranque sem chave, um sistema ABS de três vias e até controlo de tração (ASR) que neste motor acaba por ser testado apenas em pisos com pouca aderência, caso de gravilha.

Na versão base, que testámos, está disponível nas cores Branco Luna e Grigio Grafite, por um preço de 8199€, mais as respetivas despesas.

Para quem procura uma versão mais desportiva pode optar pela Sport. Disponível nas cores Preto Meteora, Grigio Mercurio e Blu Zaffiro vem com detalhes distintos, caso da cor das jantes ou os discos dianteiros do tipo pétala e já tem de série a aplicação Piaggio MIA.

O seu preço de venda é de 8399€, mais despesas.

andardemoto.pt @ 11-6-2025 09:30:12 - Texto: Pedro Pereira


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