Teste Aprilia Tuono V4 - Shots de adrenalina

Novo design, nova eletrónica e 180cv de potência. O Trovão de Noale está melhor do que nunca, pronto para proporcionar emoções (muito) fortes!

andardemoto.pt @ 15-7-2025 11:05:13 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Aprilia Tuono V4 | Moto | Motos

O tempo voa, e foi há já 4 anos que pude desfrutar da anterior versão da Tuono V4. Mas as sensações que então me fez sentir mantinham-se bem vivas na minha memória. E como não? 175 cavalos de potência e mais de 120Nm de binário não se esquecem facilmente. 

Por isso, agora, não eram os mais cinco cavalos de potência que me motivaram, mas sim as alterações da eletrónica que a Aprilia anunciava. Nomeadamente a “predictive function” do sistema eletrónico APRC, que integra um algoritmo capaz de analisar a velocidade, o ângulo de inclinação, a mudança engrenada e a posição do acelerador, para reagir mais rapidamente a qualquer solicitação da condução, respondendo de forma mais gradual e precisa.

O módulo opcional que disponibiliza esta funcionalidade permite posteriormente, numa operação única que irá durar toda a vida da moto, instalar diversos “packs” selecionáveis pelo proprietário. 

Infelizmente a unidade de teste que me foi disponibilizada não estava equipada com o referido módulo eletrónico, pelo que nem sequer tinha instalado o cruise control.No entanto, de fábrica, a Tuono já vem equipada com acelerador eletrónico a disponibilizar três modos de condução, e uma plataforma inercial de seis eixos, com ABS e Cruise Control assistidos em curva.

Mas a diversão não foi prejudicada, pois em estrada, as ajudas eletrónicas fornecidas de fábrica são, pelo menos para mim, mais do que suficientes. A prová-lo, o irrepreensível comportamento do conjunto no asfalto molhado que tive que enfrentar no dia da sessão de fotos que ilustra este trabalho.


Nos restantes dias, com o asfalto seco, pude desfrutar da fabulosa ciclística que se mantém basicamente igual à do modelo anterior, com o mesmo quadro e suspensão, eventualmente com novas afinações de geometria já que a frente se nota mais leve e mais incisiva na entrada em curva. 

Claro que o novo “bigode” aerodinâmico, inspirado no MotoGP e desenvolvido em túnel de vento, também deve colaborar a alta velocidade (carregando 2.5kg a 250 km/h), mantendo a roda dianteira mais colada ao piso, facto que apenas poderia ser confirmado em circuito, local onde provavelmente poucas Tuono desta versão base vão poder brilhar, já que para isso a Aprilia disponibiliza a versão Factory, muito mais bem equipada para tal!No entanto, em uso “civil”, ainda que sem o novo pacote eletrónico com “funcionalidade de antecipação”, esta Tuono dificilmente vai ser batida. 

O novo motor, agora basicamente o mesmo da versão Factory e da RSV4, a debitar 180 cv às 11.800 rpm e 121 Nm às 9,650 rpm, é muito mais polido na entrega de potência e mais amigável nas baixas rotações, revelando-se um portento, exigindo um “kit de unhas” muito avançado para ser explorado em todo o seu esplendor.

Mas mesmo um motociclista pouco experiente vai poder sentir sensações fortes, já que a eletrónica é de elevado nível e proporciona muita confiança. 
Ainda assim, cautela é aconselhável, sobretudo nos primeiros contactos, pois é necessário ter em conta a facilidade com que se atingem velocidades literalmente obscenas, praticamente sem qualquer esforço, muitas vezes sob o feitiço lançado pela viciante nota de escape!

A caixa de velocidades continua referencial, muito leve, precisa, bem escalonada e assistida por um quick shifter integral completamente irrepreensível. A travagem está ao nível do que de melhor se fabrica no mundo, sendo, como seria de se esperar: extremamente eficaz e doseável.


A grande diferença deste novo modelo para o anterior encontra-se no seu design, que além da eficácia aerodinâmica também contribui para o conforto a bordo. A par com o grande e pouco discreto apêndice aerodinâmico, o novo desenho da frente proporciona uma maior proteção aerodinâmica e melhora a dissipação do calor irradiado pela unidade motriz.

Nesse aspeto a Aprilia melhorou bastante o conforto a bordo, com a adição de ventoinhas mais potentes no radiador e um redirecionamento mais eficaz do ar quente, afastando-o das pernas do motociclista. 

A carenagem inferior foi agora descartada, permitindo uma mais eficiente passagem de ar, e o novo escape, que reposicionou o catalisador mais para a retaguarda, são soluções que ajudam a baixar a temperatura do posto de condução.

A estética foi revista de ponta a ponta, com a traseira a prescindir do farolim, ficando os piscas encarregues de simultaneamente cumprirem a função de luzes de presença e de Stop. A vantagem é que, quem quiser levar a Tuono para a pista, necessita apenas de remover o suporte de matrícula, e as luzes saem com ele!

O painel de instrumentos, TFT a cores de 5 polegadas, é semelhante (se não o mesmo) ao da versão anterior, mas tem uma nova sinalética, mantendo-se bastante legível, sendo um complemento perfeito para o interface do utilizador que, apesar de ter de lidar com dezenas de configurações, se torna bastante intuitivo.

O posto de condução é amplo, a posição de condução é relativamente elevada, carregando muito pouco peso nos pulsos, e as pernas, apesar de fletidas, não o são em excesso. A visibilidade é boa, com os espelhos retrovisores bem colocados e a proporcionarem um bom campo de visão.
A qualidade de construção é acima da média, com pormenores cuidados a proporcionarem uma sensação de grande robustez.

Pessoalmente nunca fui grande apreciador de motos desportivas, e as motos naked tampouco me agradam muito. As primeiras são impraticáveis para as grandes distâncias e as segundas impraticáveis a alta velocidade.

No entanto a Tuono consegue posicionar-se num segmento muito especial que não é desconfortável em tiradas mais longas e permite andar bastante rápido sem se ficar completamente ensopado nos dias de chuva, nem coberto de insetos nos dias de calor. 


E tirando o facto de se ter que estar atento ao velocímetro, seja pelos radares seja pela integridade física, um dos aspetos menos positivos é a escassa brecagem que dificulta algumas manobras.
Confesso que não calculei consumos. Seria um desperdício tecnológico, e ridículo, andar preocupado em poupar uns euros numa moto tão requintada, que foi feita para andar muito, muito, depressa.

Com o seu depósito de 18 litros, e considerando os consumos da versão anterior indicados pela fábrica (os desta nova V4 não são revelados oficialmente mas não devem ser muito diferentes) a autonomia deveria rondar os 300 quilómetros. Mas obviamente, na prática, é substancialmente inferior.

Se procura uma moto exclusiva, potente e segura, capaz de fazer Track Days mas que também permite partir para umas boas escapadelas terapêuticas, então a Tuono V4 pode perfeitamente ser a moto que procura. 


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