Piaggio Liberty S Euro 5+ 125: liberdade de saltos altos
A posição de condução mais elevada, um comportamento dinâmico mais apurado e uma superior capacidade de absorção nas armadilhas das nossas vias explicam bem esta apreciação pelas scooters de saltos altos, de que a Liberty é um excelente exemplo, com créditos firmados.
andardemoto.pt @ 21-7-2025 22:45:00 - Pedro Pereira
Deixe-me fazer uma nota prévia: sempre fui defensor das scooters de roda alta. Porém, o mercado nacional mostra que estou equivocado e as vendas de scooters deste perfil são uma pequena fatia das vendas globais em Portugal, ao contrário de outros mercados. É que as scooters de roda alta são uma excelente opção!
Foi ainda na segunda metade da década de 90, mais precisamente em 1997, que chegou ao mercado a primeira Liberty, num misto de charme, elegância e agilidade, que ajudou a cimentar o mercado das scooters de rodas altas. Não é à toa que nas suas diferentes gerações e até aos dias de hoje, acomula mais de um milhão de unidades vendidas pelo mundo fora!
Na última edição da EICMA, em novembro passado, foi apresentada uma nova geração desta best-seller, que chegou já este ano ao mercado português, cumprindo agora a exigente Norma Euro 5+.
Nesta versão Liberty S as cores são mais arrojadas, com destaque para este Blu Ardesia D27. Há ainda as cores Branco Luna, Cinzento Materia e Nero Meteora. Já versão normal, menos exuberante, pode ser adquirida em Branco Luna e Preto Abisso. Separam-nas um diferencial de 100€.
Além da palete de cores, nesta Liberty S apreciámos o cuidado extremo com os detalhes, caso dos acabamentos em preto brilhante que adornam as luzes traseiras, os indicadores de direção e o logo, enquanto pormenores em azul acentuam a gravata do escudo frontal e as jantes, com um bonito efeito estético.
O moderno farol horizontal, em LED, e a grelha em forma de colmeia, conferem um design mais arrojado à dianteira, mas sempre com aquele ar de família que associamos imediatamente à Piaggio Liberty.
Motor I-get melhor que nunca
Naturalmente ninguém está à espera de que o pequeno monocilíndrico a 4 tempos de 124 cc, refrigeração a ar e 3 válvulas (duas de admissão e uma de escape) tenha performances de exceção. Afinal de contas, são apenas 10,9 cv, obtidos às 7750 rpm e um binário de 11 Nm, às 6250 rpm, mas o resultado é muito convincente, até porque a Liberty S pesa apenas 128 kg e tem um depósito com 6 litros de capacidade.
Respeitando a normativa Euro 5+, o pequeno motor é bastante solícito, praticamente isento de vibrações e a forma como progride, mesmo com passageiro, consegue fazer-nos sorrir ao mesmo tempo que enfrentamos o trânsito urbano e serpenteamos pelo meio dos outros veículos, sempre com desenvoltura e elegância.
Atingimos os 60 km, marcados no velocímetro, com grande rapidez e mesmo os 80 km são uma meta muito fácil, já bem para lá dos limites legais em cidade. Acima dos 80 km o I-get começa a ter alguma dificuldade em progredir e acima dos 100 km/h só mesmo com o relevo a ajudar e o vento a favor!
Seja em que circunstância fôr, os consumos são sempre uma bela surpresa. A Piaggio indica 2,5 litros por cada 100 km, de acordo com a Norma WLPT e o indicado no computador de bordo não foge muito a esse valor, mas se andarmos sempre com o “acelerador colado” é natural que subam um pouco e possam aproximar-se dos 3 litros, o que continua a ser excelente!
Impressões de condução
Para os meus 1,74 metros a posição de condução é perfeita e o espaço para as pernas mais que suficiente, mas para alguém mais alto a Liberty pode tornar-se algo acanhada.
O guiador está numa posição ligeiramente mais elevada que o esperado e o resultado é ótimo: adotamos uma posição de condução muito natural e descontraída, embora o painel de instrumentos esteja numa posição mais baixa, obrigando a desviar o olhar para consultar a informação disponível.
O novo painel digital é um LCD a cores e de 5,5 polegadas. Adapta-se a qualquer altura do dia e noite, com os seus modos Day e Night, permitindo uma visibilidade perfeita em todas as condições. Tem um botão Mode incorporado no guiador que garante o acesso instantâneo à informação do computador de bordo, incluindo os dados da viagem, consumo médio e consumo instantâneo.
O assento, a 790 mm do solo, é bastante confortável para o condutor e para o passageiro, mas o espaço de carga que existe por baixo é pequeno e irregular, algo habitual nas scooters de roda alta. Certamente que cabe um capacete jet, mas terá de ser pequeno, tipo os do catálogo da Piaggio. O Shark usado nesta sessão fotográfica não coube nesse espaço. Já o suporte traseiro de alumínio é perfeito para acoplar um topcase ou para o passageiro apoiar as mãos.
Existe também um pequeno espaço de arrumação no escudo frontal, mas é muito pequeno sendo que é lá que está “escondida” a tomada USB e a patilha de abertura manual do assento.
Depois de iniciarmos a marcha continuamos a ser conquistados pela Liberty. Tudo é suavidade e descontração, sendo que as suspensões dão uma ajuda, com destaque para a dianteira. Já na traseira, o monoamortecedor, também com menos de 80 mm de curso, acaba por ter alguma dificuldade em digerir as irregularidades da estrada, sobretudo com passageiro.
Ambas as rodas (90/80-16 à frente e 100/80-14 atrás) estão equipadas com pneus Maxxis e transmitem confiança, sendo que a travagem dianteira (bomba Nissin, duplo pistão e disco de 240 mm) é adequada, mas o tambor traseiro é pouco resistente à fadiga e após várias solicitações começa a perder eficácia. Já o ABS dianteiro está lá, mas praticamente nem damos conta da sua existência.
Detalhes a rever
Esta pura scooter citadina tem, contudo, alguns pormenores que mereciam ser revistos e a iriam tornar uma escolha ainda mais apetecível.
Um deles é a localização da tomada USB. Num mundo conetado, como aquele em que vivemos, devia estar mais acessível.
Na mesma lógica, o referido espaço, que não tem capacidade para acondicionar um telemóvel, mas antes pequenos objetos, como um comando de garagem, podia ter um sistema de organização do espaço mais prático.
A Liberty vem equipada apenas com descanso central, facílimo de acionar. Ainda assim, um descanso lateral é bastante prático e devia vir instalado de série.
Por último, falta a indicação da temperatura exterior. É algo praticamente obrigatório nos dias de hoje e no painel de instrumentos não falta espaço para facultar essa informação.
Notas finais
Quer a versão Liberty Euro 5+, quer a versão Liberty S Euro 5+ já podem ser encomendadas, custando, respetivamente, 2999€ e 3099€, mais despesas, valor concorrencial face aos seus atributos.
Naturalmente que o pacote final pode ser muito enriquecido no catálogo de acessórios. Por lá existe uma capa para proteger a moto, a plataforma multimédia Piaggio MIA, o topcase de 31 litros ou um para-brisas, entre outros elementos de conforto e segurança.
Para adoçar ainda mais a oferta, vem agora com mais 1 ano de garantia. Assim, após o fim da garantia comercial de 36 meses é ativada a garantia dos adicionais 12 meses (36+12), após o respeito por determinados requisitos, passando para um total de 4 anos.
Para quem procura uma scooter de rodas altas de 125 cc, a Liberty acaba por ser uma escolha incontornável e se a sua silhueta inconfundível já nos atrai, então depois a de a conduzir é muito fácil ficarmos rendidos.
Da minha parte era bem capaz de ter uma, para uma utilização puramente urbana e descomplicada.
Equipamento:
Capacete: Shark
Blusão: RSW
Luvas: RSW
Calças: Alpinestars
Botas: TCX
andardemoto.pt @ 21-7-2025 22:45:00 - Pedro Pereira
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