Teste QJ MOTOR SRT 900S / 900SX - Tecnologia Acessível
Foi na bela região Galega das Rias Baixas que, a convite da QJ Motor, pude testar as novas SRT 900. Duas versões com a mesma motorização e quadro, cada uma específica para diferentes tipos de utilização/utilizador.
andardemoto.pt @ 14-8-2025 07:45:00 - Texto: Rogério Carmo
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QJ Motor SRT 900S | Moto | AdventureQJ Motor SRT 900SX | Moto | Adventure
Já é quase um chavão dizer que as motos de marca chinesa estão cada vez mais perto das máquinas de marcas europeias ou japonesas. Cada vez mais potentes, cada vez mais tecnológicas e, sobretudo, cada vez mais aliciantes, seja pelo preço reduzido, pela qualidade de fabrico e componentes, ou pelas provas dadas em termos de fiabilidade e resistência, as motos do império do meio continuam a penetrar os mercados europeus e a conquistar adeptos.
Componentes de qualidade, pacotes eletrónicos cada vez mais completos, designs mais apelativos e, sobretudo, cilindradas cada vez mais elevadas, são a receita pela qual estas novas marcas estão a mudar o mercado. E as novas QJ Motor são disso um bom exemplo.
A nova SRT 900 da QJ Motor apresenta-se ao público em duas versões: A versão SX identifica-se como mais aventureira, enquanto a versão S se revela mais asfáltica.
Na ficha técnica, a principal diferença é a altura do assento ao solo que, na SX é de 835mm e na S de apenas 815mm. Na prática, a S revela-se ligeiramente mais ágil e possui uma travagem mais forte na mordida inicial. Para os motociclistas de estatura mais baixa a versão S também se torna mais fácil de manobrar.
Por seu lado, a versão SX exibe jantes raiadas (tubeless) com roda de 19 polegadas na frente, que permitem uma utilização mais radical em maus caminhos.
Ambas as versões partilham a mesma motorização, um bicilíndrico de 904 cc a desenvolver uma potência de 95cv (70 kW), com a possibilidade de ser limitado a 47cv (35 kW) para titulares de carta de condução A2, e um razoável binário de 90 Nm às 6500 rpm.
O seu desempenho não surpreende mas tampouco desilude, com potência suficiente mesmo quando carregada com passageiro e bagagem, revelando consumos bastante contidos, até quando se imprimem ritmos mais animados.
Aliás aqui cabe uma nota positiva para o depósito de combustível, que com uma capacidade de 24 litros garante uma autonomia elevada.
Apesar de contar com um acelerador eletrónico, que permite usufruir de Cruise Control e três modos de entrega de potência, (Rain, Normal e Sport) responsáveis por apreciáveis mudanças de comportamento, nota-se alguma imperfeição na resposta ao acelerador e no desempenho do quick-shifter bi-direcional, que também faz parte do equipamento de série. Sobretudo no modo “Sport”, bastante brusco na resposta ao punho direito.
Outro aspeto, alegadamente por questões de segurança, e que é consistente com a filosofia (ou software) de outras marcas, é a impossibilidade de, entre outras operações, mudar os modos de condução em andamento, sendo necessário estar mesmo parado.
Enfim, pormenores a rever. Também o cruise control só pode ser ligado a partir de 4ª velocidade e acima dos 50km/h, o que é manifestamente insuficiente se quisermos apreciar as vistas a baixa velocidade, funcionalidade interessante sobretudo quando transportamos passageiro, e que é comum nas motos europeias, algumas a permitir rolar em 2ª velocidade a apenas 40km/h. Preciosismo? Talvez… mas eu gosto e uso sempre que dele disponho!
O interface do utilizador é relativamente fácil de utilizar através de um novo conjunto de comandos acessíveis ao polegar esquerdo, que gere praticamente todas as funcionalidades. Mas, por exemplo, alterar o brilho do ecrã cuja visibilidade não é das melhores, sobretudo sob luminosidade intensa, exige que se pare, tal como para mudar os modos de motor.
O painel de instrumentos é bastante completo, com muita informação relevante, incluindo a pressão dos pneus, que no entanto se perde no meio dos “efeitos especiais” causados pelo sistema ADAS.
Passo a explicar: mediante um sensor traseiro, o sistema ADAS proporciona alertas de mudança de faixa, controlo de ângulo morto e aviso de aproximação traseira, que sem dúvida melhoram a segurança ativa mas que, além de visíveis nos espelhos retrovisores, são graficamente exagerados no painel de instrumentos.
O sistema é complementado por um forte sinal acústico que, felizmente, pode ser desligado!
No entanto, o painel TFT de 7” permite espelhamento do ecrã de um smartphone, para se aceder a outras funcionalidades como navegação e comunicação. A QJ Motor foi ainda mais longe e concebeu a pré-instalação de câmara frontal.
Com o desempenho do motor controlado por uma embraiagem assistida e deslizante, TCS (control de tração) e ABS Bosch de dois canais, ambos desconectáveis e respetivos níveis de intervenção pré-programados em função do modo de entrega de potência, os níveis de segurança são efetivamente elevados. Mais ainda considerando o elevado nível da ciclística, que se baseia num quadro rígido que conta com o motor como elemento estruturante.
Nele assentam uma forquilha invertida de 43mm de diâmetro, de funções separadas, ajustável em pré-carga e compressão (na bainha esquerda) e em extensão (na direita), enquanto que atrás o braço oscilante é suportado por um monoamortecedor regulável em pré-carga e extensão, mas a que infelizmente falta um prático regulador remoto.
O seu desempenho é bastante eficaz, proporcionando conforto e mantendo o conjunto bastante nivelado, contribuindo para uma grande estabilidade na travagem e boa aderência na saída das curvas.
A travagem revelou-se de elevado nível e não seria de admirar pois conta com sistemas de fricção assinados pela Brembo, com dois discos de 320mm e maxilas de 4 pistões instaladas radialmente, na dianteira, e um disco de 260 mm com maxila de pistão simples na traseira.
Com uma mordida decidida e bastante doseável, sem demonstrar fadiga sob utilização intensiva, notei alguma diferença entre a versão S e a SX, sendo a mordida inicial mais incisiva na versão S do que na versão SX. Provavelmente devido ao maior binário gerado pela roda de 19 polegadas, já que o sistema é igual em ambas as versões. Contudo, uma maior suavidade inicial na travagem da roda dianteira em pisos menos firmes é sempre bem-vinda.
O travão traseiro também se mostrou bastante competente, desempenhando um bom papel de ajudante de inserção em curva, sem nunca mostrar o mínimo cansaço!
O conjunto revela-se bastante ágil, muito fácil de inserir em curva e estável sob travagem, as ajudas eletrónicas não se fazem sentir de forma intrusiva e a caixa de velocidades tem um bom desempenho, bem escalonada e suave na engrenagem.
Com um percurso a rondar os 300 quilómetros, tive oportunidade de rolar em diversos tipos de estrada, atravessar muitas localidades e estar sentado durante muito tempo, já que grande parte do caminho foi feita a velocidades muito baixas, tanto para apreciar a bela paisagem costeira, como para enfrentar o trânsito veraneante.
Por isso estou bastante à-vontade para falar de conforto. E como está na moda dizer, começo pelo “elefante na sala”, que é o assento do condutor. Demasiado plano, excessivamente inclinado para a frente e de estofo escasso, passa a ser bastante incomodativo após algum tempo, causando uma permanente sensação de aperto na zona mais sensível da anatomia masculina e uma dor significativa no meio dos glúteos. Definitivamente um aspeto a rever.
Mas por seu lado a proteção aerodinâmica é boa. As proteções de punhos instaladas de série são eficazes, o ecrã pára-brisas tem altura suficiente e os respetivos apêndices laterais garantem uma boa dissipação da pressão do ar em redor do tronco e do capacete. As manetes possuem regulação, sendo a da embraiagem bastante leve e todos os comandos são perfeitamente acessíveis, mesmo de luvas grossas calçadas.
QJ MOTOR SRT 900SX
QJ MOTOR SRT 900S
Relativamente ao equipamento de série as QJ MOTOR SRT900 contam ainda com descanso central, porta-bagagens e conjunto de suporte de malas, punhos e assento aquecidos em 3 níveis e tomada USB no painel de instrumentos. Também incluído de série está o conjunto de malas em alumínio, com chave única, destacando-se a top-case que permite guardar um capacete integral.
Com uma grande qualidade de construção e detalhe nos acabamentos, desde as soldaduras do quadro à cablagem elétrica, ao que se soma uma garantia de seis anos e preços atrativos de 8690 euros, para a versão S, e 8990 euros para a versão SX, qualquer destes modelos da QJ Motor SRT 900 é uma opção bastante interessante para quem quer mais do que uma moto polivalente.
Com 6 anos de garantia e kit de malas "One Key" original QJ Motor incluídas, a QJ Motor SRT 900 S tem um preço de 8.690 €, enquanto a SRT 900 SX tem um preço de 8.990 €. Ambas as versões estão disponíveis com potência limitada a 47 CV (35 kW) para titulares de Carta de Condução A2.Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:
QJ Motor SRT 900S | Moto | AdventureQJ Motor SRT 900SX | Moto | Adventure
andardemoto.pt @ 14-8-2025 07:45:00 - Texto: Rogério Carmo
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