100 Colls em Suzuki GSX-S 1000GX - Trabalho e prazer

Dois trabalhos num só: reavaliar a Suzuki GSX-S 1000GX e reportar sobre o evento 100 Colls. Pelo caminho, o prazer não foi esquecido! Curvas, paisagens, convívio e... muitas emoções!

andardemoto.pt @ 20-8-2025 06:53:00

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Suzuki GSX-S1000GX | Moto | Estrada

Convidado para fazer a reportagem da 4ª edição do evento 100 Colls, que como habitualmente se iria realizar nos Pirinéus da Catalunha, pensei imediatamente nas possíveis opções de moto com que gostava de partir para esta aventura. Atravessar Espanha até Andorra, enfrentar cerca de 1800 quilómetros de estradas de montanha durante o evento e regressar a Portugal, sempre a solo e sob uma previsão meteorológica ameaçadora, reduzia um pouco o leque de escolha. Mas uma moto surgiu destacada como a potencial candidata.

Seria, nem mais nem menos, do que a Suzuki GSX-S 1000GX.  Entre várias razões residia o facto de, desde a sua apresentação internacional à Imprensa (evento realizado aqui neste nosso cantinho da Europa e durante o qual tive o primeiro contacto com esta “crossover desportiva” japonesa), que tinha ficado um pouco desiludido com o seu desempenho, nitidamente por culpa da escolha dos pneus de origem. 

A Suzuki tinha muito mais para dar, apenas lhe faltava mais aderência para se lhe poder explorar condignamente os seus mais de 150cv de potência e a sua fantástica ciclística coroada com uma suspensão eletrónica Showa acompanhada de ABS e Controlo de tração monitorizados por uma Unidade de Medição de Inércia.

Mas entretanto a Suzuki Portugal desenvolveu uma série de experiências com outros pneus e equipou esta sua unidade de parque de imprensa com uns irrepreensíveis pneus Roadtec, da Metzeler, marca que, por coincidência, era um dos patrocinadores do Evento 100 Colls.

Trouxa pronta, parti numa manhã de quarta-feira, com o objetivo de ir dormir a Burgos. Poderia ter feito um esforço e ir direto a Andorra, mas com a incerteza da previsão meteorológica, decidi não arriscar. Com sorte e bom tempo ainda poderia ter disponibilidade para visitar algumas atrações turísticas, durante o caminho. E assim foi. Gerindo o andamento cheguei a Burgos a tempo de ainda poder raspar a placa de mosquitos que tinha esborrachados no capacete e nos ombros do casaco, antes da hora de jantar.

Quinta feira de manhã, véspera do inicio do 100 Colls, rumaria a Andorra onde iria pernoitar num hotel mesmo no centro da cidade. Mas antes disso, procurei uma oficina de motos para que me subissem o ecrã pára-brisas da Suzuki para a sua altura máxima, operação que requer uma ferramenta que não constava no meu arsenal. Foram simpáticos, fui rapidamente atendido e nem sequer me quiseram cobrar nada. O mecânico quase que não queria aceitar a gorjeta que lhe deixei em agradecimento pela prontidão com que se atirou ao serviço.


Cabe aqui referir que uma grande falha da GX reside precisamente na pequena dimensão e na falta de um qualquer dispositivo de regulação fácil da altura do vidro. No entanto, depois de elevado, já me conseguia manter mais limpo e sem necessidade de limpar a viseira a cada meia hora.

Em ritmo de passeio, desfrutando do bom tempo que se fazia sentir, cheguei a Huesca a tempo de petiscar uns “Huevos Rotos” e a Andorra perfeitamente a tempo de jantar, com os olhos lavados pela beleza da paisagem proporcionada pelos imponentes Pirineus.

Escolhi Andorra para começar o desafio por duas razões. Reviver aquele ambiente Pirenaico, e começar o desafio dos 100 passos de montanha, com aquele que é o mais alto passo dos Pirinéus, com 2.408 metros de altitude, e um dos mais pontuáveis. Para tal, depois do pequeno almoço e de uma pequena volta a pé pelo centro da urbe, regressei ao Hotel, carreguei a burra e fiz-me à estrada, desejoso de ver a neve de perto, agradecido por a meteorologia estar a colaborar, deixando o sol brilhar e mantendo o asfalto seco. 

À medida que ia subindo, a neve começava a insinuar-se, com pequenas almofadas brancas na berma da estrada, que iam aumentando, cada vez maiores até que um manto branco dava destaque a uma linha retorcida de asfalto negro, liso e seco, altamente abrasivo, que parecia gritar: Dá-lhe gás!


Claro que dei! Sem o risco dos pilaretes dos rails nas bermas da estrada, agora cobertos de neve, preparei-me psicologicamente para os ignorar e abri a porta da cavalariça do tetracilíndrico. Dei por mim a rir e a pensar que aquela Suzuki acelerava tão impetuosamente que seguramente seria mais rápida a subir, do que muitas outras motos a descer! 

Tal como a aceleração, conquistou-me a precisão da direção e a facilidade de inserção em curva. Sem dar descanso ao controlo de tração, o pneu traseiro ia fazendo o seu trabalho, mesmo em ângulos acentuados, perfeitamente ajustado ao desempenho do pneu da frente. 

Entusiasmado, passei o cimo da montanha e maravilhado com o cenário majestoso das montanhas nevadas, desci calmamente até Pas de La Casa onde, misturado com uma multidão de turistas que desfrutavam do maravilhoso dia de sol e de uma temperatura acima dos 25 graus, aproveitei para, com um café, concentrar-me no início do desafio. 

Cinco minutos antes da uma da tarde, hora local a que o cronómetro do evento iniciava a contagem, comecei a subir a montanha em sentido inverso para passar o meu primeiro Coll oficial. Do cimo, depois do apito do dispositivo que confirmava a contabilização da passagem para o cômputo final, voltei a desfrutar do cenário e, com calma, iniciei a rota que me tinha sido gentil e cuidadosamente aconselhada por um bom amigo e colega.

Foi um dia de condução carregado de curvas e paisagens e locais. Um daqueles dias que nos ficam bem gravados na memória. Cerca de 300 quilómetros depois chegava ao meu destino do dia: um hotel na pequena localidade de Temp.

Apesar de alguns excessos na condução, a Suzuki estava a surpreender-me pela positiva com os seus consumos, já que o depósito de 19 litros garantia tiradas sempre superiores a 280 quilómetros, chegando a fazer 320, apesar de isso ter sido em circunstâncias muito especiais.

A calma da pequena localidade de Temp serviu de desculpa para me deitar cedo, até porque o dia seguinte não ia ser tão agradável, tendo em conta a previsão meteorológica. Despertei com um sol muito débil que tentava espreitar através da neblina. Pequeno almoço tomado, moto carregada, novo track no GPS e lá me fiz aos Pirineus de Lérida! Pouco demorou para que os primeiros pingos de chuva, ainda envergonhada, começassem a cair. 

À medida que ia subindo a montanha, a chuva tornou-se num nevoeiro denso que juntamente com o piso húmido da velha e estreita estrada serpenteante, constituía um verdadeiro desafio aos reflexos e à bravura. Um verdadeiro teste às capacidades da Suzuki, que ela resolveu com distinção, mesmo quando o ritmo da condução raiava o insensato, tendo em conta as referidas circunstâncias.

Primeiros Colls do dia passados, esperava-me a equipa de imagem oficial do evento, com quem tinha encontro a uns cerca de 150 quilómetros de distância, no Coll de la Creueta, a 2100 metros de altitude, dali a menos de hora e meia. Nada impossível! Assim não aumentasse a precipitação!

Mas por alturas de La Molina os céus abriram-se e a chuva caía impiedosamente, apenas se transformando numa neblina, cada vez mais densa, à medida que a altitude aumentava. Lá no cimo, à hora marcada, uma ensopada equipa de foto e vídeo tentava produzir algum conteúdo, mas a certo ponto a chuvada tornou-se tão copiosa e o spray que saída do carro com as câmaras era tão intenso, que tornava a visibilidade quase nula e a tarefa extremamente difícil. Apesar de poucas, algumas imagens ficaram para memória futura.

Acabado o trabalho, a equipa de imagem seguiu o seu caminho, mais ensopada do que quando ali tinha chegado, e eu segui o caminho oposto, pouco crente na decisão de continuar em busca do próximo passo de montanha, no meio de um maciço rochoso recortado por estradas velhas e quase desertas, sob a enorme tempestade que entretanto ali tinha chegado. Ainda avancei uns quilómetros.

Mas tinha fome, queria preparar-me para a tempestade pois já tinha as luvas de pele completamente ensopadas e a gola do casaco, mal fechada, e a começar a deixar entrar água para o peito e nuca. Mal eu sabia que também um dos bolsos impermeáveis do casaco estava mal fechado e a acumular água, e que em cerca de uma hora juntou perto de meio litro de chuva. Tirando o tabaco estragado, não fez grande diferença.


Aliás, este meu fato Poseidon da REV'IT! merece um destaque pois apesar de já estar em uso há mais de 5 anos, de ter sido usado e abusado e limpo a seco duas vezes, ainda me manteve, salvo o incidente da gola que foi culpa minha, completamente seco ao longo de praticamente todo o dia.

É que depois de ter confortado o estômago com uns “pinchos de ramón y queso”, ter trocado de luvas e apertado bem todos os fechos do Poseidon, mas sem vestir o desconfortável fato de chuva, esperavam-me cerca de 180 quilómetros de curvas e contracurvas até ao Mediterrâneo, sob um céu cor de chumbo, que umas vezes se desfazia em água, outras em gelo, mais fraco ou mais forte, mas permanente.

A chegada ao hotel, na Empúria Brava, foi bastante apreciada. Afinal de contas, tinha sido um longo e frustrante dia de condução, pois nem sequer tinha podido ver as fabulosas paisagens que o trajeto prometia, porque se mantiveram quase sempre escondidas pela chuva e pelo nevoeiro. E nem tampouco dava para acelerar já que o piso, além de geralmente mal conservado, esteve sempre molhado, em muitos casos alagado e cheio de terra, ramos, folhas e pedras, exigindo uma atenção constante. Já para nem falar no trânsito, que ia aumentando conforme me aproximava da zona costeira, ao mesmo tempo que a chuva também perdia a intensidade até, a poucos quilómetros da chegada, parar completamente, permitindo que chegasse ao hotel completamente seco.

Era hora de beber uma cerveja, fumar um cigarro e fazer planos para o jantar.

Na manhã do dia seguinte, Domingo, começava a última etapa do desafio. Apesar de tudo ainda não tinha acomulado muitas passagens de Colls. A chuva e a sessão de fotos, completamente fora da minha rota planeada, arruinaram os meus planos para o dia anterior.

No entanto a minha intenção nunca tinha sido ter uma grande pontuação, antes desfrutar ao máximo das estradas e das paisagens, sendo o único objectivo chegar antes das 13 horas de domingo ao local onde o evento efetivamente terminava, pois a quem chegasse depois dessa hora, não lhe seriam contabilizados nenhuns pontos. Uma espécie de vergonhosa desqualificação.

Acordei cedo. O sol brilhava e, com uma temperatura amena foi com ânimo que me atirei novamente à estrada, em busca de montes e vales para fazer mais umas boas curva e passar uns quantos Colls a caminho do ponto do encerramento, onde me esperava um prometido bom almoço e o reencontro com alguns amigos, colegas e conhecidos dos meios e marcas do país vizinho. Como ainda estava a 300 quilómetros do destino, por encadeados percursos de montanha, resolvi dar-me um bom avanço recorrendo a uma autopista para poder começar o desafio mais adiante, numa estrada com bom asfalto. 

Assim, ainda pude voltar a soltar os cavalos da Suzuki e a desfrutar do seu comportamento em curva, sob travagem e sob aceleração, a subir e a descer, trocando de caixa com intervalos de escassos segundos, apreciando o irrepreensível desempenho do quickshifter bidirecional, cujo “blipper” animava a deliciosa melodia do escape, excitante sobretudo na segunda metade do regime de rotação.

Depois desses momentos de prazer, tive que me concentrar na navegação, para não correr o risco de chegar atrasado a Món Sant Benet, em Manresa. Entretanto tive um desaguisado com o GPS, que deve ter ficado enjoado das curvas, e que a paginas tantas se baralhou, fazendo-me andar em círculos durante uns 20 minutos. Valeu-me o Google Maps e o telemóvel para encontar o caminho para o meu destino.

A chegada a Món Sant Benet deu-se 10 minutos antes da hora. Depois da foto da chegada, para a qual havia fila, mal pude estacionar começou a conversa, algo que até apreciei pois durante 4 dias pouco tinha falado, sendo que essa é uma das coisas que mais gosto quando ando de moto: não ouvir ninguém além de mim próprio, que sou de poucas palavras. 

Da troca de experiências, inevitável em qualquer convívio, fiquei a perceber melhor ainda os desafios que este evento encerra. Alguns dos participantes ficaram retidos por causa de grandes quedas de granizo. Outros foram atrasados por estadas cortadas graças à neve ou a provas de ciclismo. Uns quantos tinham dificuldades em ler mapas e outros iam sucumbindo sob o cansaço provocado pelos quilómetros de condução acomulados, uns desidratados outros carentes de prática para enfrentar tal aventura, tendo em conta os tipos de estradas e traçados, que representavam uma sobrecarga em termos de concentração, pois em algumas estradas qualquer pequeno erro podia ter consequências muito desagradáveis.

E depois, tudo isso agravado com o frio, a chuva, a navegação, o estado de algumas estradas e as grandes distâncias necessárias cumprir, para se conseguir contabilizar uma boa quantidade de passos de montanha, sendo que para que fossem validados os colls tinham que ser passados apenas uma vez e numa só direção.


E para deixar uma ideia do que motiva alguns dos participantes, só recebe o troféu de “ouro” quem tiver acumulado entre oitenta e 100 % dos pontos que estão atribuídos a cada um dos 100 passos de montanha, e entre eles, o que tiver acumulado mais pontos. O mesmo para o troféu de “prata” para quem tiver conseguido mais de 65% dos pontos, o que se repete no trofeu de “bronze” para quem conquistar mais de 50% dos pontos.

Depois há mais prémios, como é costume neste tipo de eventos, para o motociclista vindo de mais longe, para o mais idoso, para a senhora mais bem pontuada, etc. Claro que apenas recebi um pequeno prémio de consolação por me ter apresentado à chegada! Sendo que o grande prémio foi mesmo a experiência.

O almoço e a entrega de prémios atrasaram-se até perto das 18 horas, e o meu desejo de regressar a Portugal logo depois do almoço, necessitava ser revisto. Tinha que impreterivelmente estar em Lisboa na 2ª feira ao fim da tarde! Fosse verão e estivesse bom tempo, tinha-me aventurado a fazer uma direta.

Afinal eram apenas umas 11`ou 12 horas de viagem, pelo estaria em casa mais ou menos à hora do nascer do sol. Mas com o tempo frio e a ameaça de chuva, decidi recorrer ao meu agente de viagens privado (leia-se Booking) e procurar alojamentos algures antes de Madrid.

Aqui também tenho que deixar uma nota de agrado pela ergonomia desta Suzuki, porque nunca senti necessidade de parar para aliviar o fundo das costas. O assento muito confortável e a posição de condução a parecer ter sido feita à minha medida, proporcionaram-me um elevado nível de conforto que compensou todas as adversidades.

Com o sol já sob o horizonte, cheguei a um pequeno hotel à beira da A2, depois de passar Zaragoza. Tinha ganho mais de 3 horas de viagem, pelo que, segunda feira, aguentando o tédio da autoestrada, estaria em casa por volta da hora de almoço. Pensava eu! Entretanto fui ver a corrida de MotoGP que tinha sido nesse dia, apesar de ter assistido ao seu final, pois a organização do evento passou os minutos finais da competição em ecrã gigante, no salão onde decorreu o almoço e os prémios viriam a ser entregues.

Dia 28 de Abril de 2025 acordei cedo, pouco antes das 7 horas. Os termómetros marcavam uns implacáveis 2 graus positivos e a geada emprestava um ar misterioso à paisagem pouco interessante. Tranquilamente arrumei a bagagem, tomei um pequeno almoço reforçado e, com a calma possível e muito medo dos radares, fiz-me à estrada, ainda não eram 9 horas, com o termómetro de bordo a marcar uns mais confortáveis 8 graus positivos.

Com o sol e o vento pelas costas, e a temperatura a subir, desfrutei da bela paisagem que a A2 oferece até alturas de Guadalajara. Com o cruise control regulado para uma velocidade ligeiramente acima do limite permitido, houve alturas em que me dava vontade de cruzar os braços, recostar-me e apenas apreciar a paisagem.

Pouco faltava para o meio dia quando decidi reabastecer, para poder passar tranquilamente a confusão do trânsito ao redor de Madrid. Em boa hora o fiz e em melhor hora ainda a area de serviço não tinha comida que me agradasse. Com o depósito atestado percorri cerca de 10 quilómetros e entrei na área de serviço seguinte.

Encomendei um hamburguer e sentei-me à mesa. Poucos minutos depois a empregada de mesa veio-me pedir desculpa porque a luz tinha faltado e ia demorar um pouco a preparar o serviço. Encomendei outra coisa qualquer do balcão, tipo queijo, pão, tortilha e uma cerveja, e comecei a ver as notícias. Saltam as parangonas com “Apagão na Europa, Atentado terrorista, informático, Foram os Russos! Toda a Europa às escuras!…”

Olho à minha volta e vejo várias pessoas, agarradas ao telefone, com o ar preocupado, gesticulando… E agora ? - perguntei-me… Ainda haverá gasolina? Não! responderam-me os empregados da bomba que entretanto se tinham todos sentado na esplanada do restaurante, agarrados aos seus telefones.

Estabeleci prioridades: Comer, Calcular a autonomia, Fazer-me à estrada em modo de poupança de energia. Feitas as contas, estava a 450 quilómetros de Portugal, com uma autonomia de, na melhor das hipóteses, 350 quilómetros e apenas se mantivesse um andamento muito, muito regrado.

Com uma atitude positiva e a pensar que o apagão não podia ser assim tão grave nem tão persistente como poderia parecer, segui viagem.


Nas primeiras áreas de serviço por onde passei, a confusão via-se de longe. Muita gente fora dos carros com as portas todas abertas, que entretanto a temperatura tinha subido para uns mais do que agradáveis 28 graus, e nem o vento quente ajudava. Como resultado, a A5 estava cada vez mais deserta.

Apenas os camiões passavam, e rapidamente, por mim. Em cada area de serviço a confusão repetia-se, com cada vez mais motos, que regressavam de Jerez de la Frontera, também imobilizadas, sem o precioso líquido. Bem escondido atrás do ecrã pára-brisas, com o cruise control regulado para 90km/h, lá me ia aproximando de Portugal. E já o nível da gasolina no depósito se aproximava perigosamente do último quarto da sua capacidade, à passagem por Almaraz, encontrei uma pequena gasolineira tinha poucos carros. Vi um a abastecer, parei numa das bombas disponíveis e nem perguntei nada a ninguém! Atestei o depósito com um grande suspiro de alívio.

O posto de abastecimento tinha geradores, mas apenas para a gasolina. Por isso,“Tiene que pagar con dinero. Tarjeta no! No hay sistemas! Tampoco le puedo dar el ticket!” Ok. Felizmente tinha dinheiro suficiente. Paguei, bebi uma água e voltei à estrada. Contas feitas, faltavam cerca de 420 quilómetros para casa e se mantivesse o ritmo poderia chegar, no máximo, até Vendas Novas… Logo se veria. Entretanto, seguramente a rede elétrica voltaria a funcionar.

Ao passar no Caia, a primeira àrea de serviço Portuguesa, apesar de estar a rebentar pelas costuras, tinha gasolina, aceitava cartão e até as casas de banho estavam a funcionar, segundo me disseram dois motociclistas que já estavam de saída. 

Eu nem pensei em meter-me na confusão. Ainda tinha mais de meio depósito de combustível, metia gasolina na próxima oportunidade. E assim, em Estremoz pude reabastecer e rejubilar pela possibilidade de me poder desforrar de todos aqueles quilómetros feitos à velocidade de carro elétrico.

O ânimo serviu-me ainda para fazer um balanço dos últimos dias. A organização tinha tido um desempenho excelente. A equipa de Joan Marti Utset, da Crom Events mostrou-se extremamente profissional, tanto no apoio dado aos mais de 300 participantes através de vários canais de comunicação, como na monitorização dos seus movimentos, alertando para situações de eventual perigo e proporcionando um final de evento com muita qualidade e emoção.

Quem procurar uma aventura diferente, desafiante e cheia de emoções não deve perder a oportunidade de participar no 100 Colls de 2026, que já tem data marcada para 24, 25 e 26 de Abril de 2026.

A Suzuki tinha excedido as minhas expectativas, com um desempenho dinâmico de alto nível, muito conforto e autonomia acima da média. Tendo o motor como principal protagonista, foi bom ficar a saber que a ciclística lhe faz justiça, proporcionando momentos de condução ao mais alto nível. Quem procurar uma moto para viagens rápidas e longas distâncias, deve considerar a GSX-S 1000GX com uma opção muito adequada.

Atá a meteorologia acabou por não ser tão inclemente quanto inicialmente aparentava, permitindo que em 4 dos 5 dias da viagem o tempo se tivesse mantido bastante agradável. Mas como homem prevenido vale por dois, um bom equipamento é importante para atenuar as inclemências da meteorologia, sobretudo quando é necessário fazer muitos quilómetros sob previsões meteorológicas preocupantes.

A aventura acabou 50 minutos depois, dando lugar à triste realidade de encarar uma sociedade cuja população na sua grande maioria, mostrou preocupantes sintomas de insanidade mental. Que maneira de regressar à vida normal!

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