Teste longa duração botas REV’IT! Mission - Quentes, confortáveis e resistentes

As botas Mission da REV’IT! têm sido utilizadas nos nossos testes ao longo de ano e meio. Aqui fica o nosso teste de longa duração.

andardemoto.pt @ 25-10-2021 12:16:10 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

Mais conhecida pelos seus blusões, luvas ou calças, a marca holandesa REV’IT! tem vindo a conquistar o seu espaço ao nível do calçado específico para motociclismo. As suas propostas, muitas vezes irreverentes, pautam-se pela qualidade de construção. Mas quando recebi as botas Mission, há cerca de um ano e meio, não esperava que estas botas da REV’IT! se revelassem tão resistentes e confortáveis.

Se há momentos em que fui surpreendido por um equipamento técnico para andar de moto, o momento em que calcei e usei pela primeira vez as botas REV’IT! Mission salta de imediato para o topo! Estas botas urbanas de cano curto apresentam um design claramente inspirado nos modelos mais desportivos, mas ao mesmo tempo não se tornam “full race spec”, transmitindo assim um conforto assinalável. Quase que podemos considerar estas botas como uma opção híbrida entre uma bota desportiva e uma bota urbana tipo sapatilha.

Tal como nos restantes equipamentos REV’IT! mais atuais, a marca holandesa optou por fabricar as botas Mission recorrendo a uma mistura bastante diversificada de materiais. A construção conta assim com poliéster, película TPU, reforço para seletor de mudanças em TPU, licra, microfibra, e ainda um forro interior em rede suave.


O resultado é uma bota surpreendentemente leve, bem mais do que esperava.  O seu formato desportivo e de certa forma futurista devido às finas películas TPU que lhe conferem um design aerodinâmico, engana, e de facto as Mission não são nada desconfortáveis tendo em conta o registo de botas deste tipo.

Com biqueira e calcanhar construídos através da técnica de termoformagem a alta temperatura, ao qual se adiciona ainda a proteção do tornozelo que é injetada, as Mission contam com um reforço estrutural importante e que permite minimizar as consequências dos impactos ou mesmo do desgaste do material.

Foi necessário utilizar as Mission de forma intensiva, ao calor, frio, sol ou chuva, para começarem a mostrar os primeiros sinais de desgaste. A zona onde isso mais se nota é na proteção do seletor de caixa, um material aborrachado, que depois de um primeiro momento em que parecia continuar a resistir ao desgaste, começou rapidamente a deteriorar-se de forma mais acentuada.



Por outro lado, a sola, que se tem mostrado bastante aderente mesmo em situações de piso escorregadio, é algo rija e não permite dobrar o pé conforme estamos habituados no nosso calçado diário não específico para motociclismo. Isso resulta numa necessidade de nos habituarmos a andar a pé com elas, embora a sua leveza maximize o conforto. O padrão da sola mantém-se pouco desgastado mesmo após muitos quilómetros percorridos.

O nível de ajuste é quase ilimitado. E, melhor do que isso, é perfeito, na minha opinião.  Os atacadores, que se mantêm intactos, garantem a dose adequada de aperto das Mission ao pé, enquanto a tira superior em velcro assegura que o nó dos atacadores não sai do sítio e assim não desaperta. Mesmo passado ano e meio de uso, a tira de velcro mantém-se cosida à bota, sem danos. O cano da bota, apesar de curto, é relativamente alto, protegendo uma área bastante alargada da zona inferior da tíbia.


No interior das Mission brilha o forro em rede, o que combinado com a língua em microfibra, perfeita para ajudar a calçar e descalçar a bota, não só garante um conforto extra como também melhora a ventilação. Ainda assim, as botas REV’IT! Mission são menos ventiladas do que habitualmente encontro em modelos deste tipo. Menos ventilação leva ao aumento da temperatura, e com isso sentimos os pés e até o tornozelo húmidos com transpiração.

Esta situação torna-se particularmente notória nos dias em que a temperatura ambiente ultrapassa os 20 graus Celsius, ou quando conduzimos no meio do trânsito urbano, no para-arranca em que o calor do motor da moto é mais intenso. Mas nos dias mais frios, ou mesmo quando chove, as botas da marca holandesa conseguem manter a água afastada dos pés e a temperatura relativamente constante. Diria que as Mission só se tornam desconfortáveis nos dias de verão, podendo ser usadas nas restantes estações do ano.

Discretas, apenas com uma tira vermelha no calcanhar (existem em amarelo néon e totalmente pretas), estas botas Mission foram usadas sem problema várias horas por dia. Passam relativamente despercebidas ao andar a pé, e nesses momentos notamos o efeito da sua palmilha OrthoLite que maximiza o conforto absorvendo os impactos no calcanhar.



A construção das Mission não se mostra particularmente rígida (exceção à sola, como já referi), o que em condução acaba por se traduzir numa liberdade de movimentos excecional e um “feedback” perfeito da força que estamos a fazer no pedal de travão.

Em termos de segurança, e para além dos reforços termoformados no calcanhar e biqueira, destaco ainda as tiras refletivas nas laterais e traseira das botas. Elementos essenciais para melhorar a visibilidade quando conduzimos em condições de baixa luminosidade. Depois de muitos meses de utilização, mantêm o seu brilho inalterado.

Em relação à resistência aos impactos ou abrasão, para minha sorte não sofri qualquer queda ou azar que pudesse colocar à prova a resistência das REV’IT! Mission neste particular. Sem grandes problemas a apontar (o maior será a menor ventilação), apenas posso dar nota muito positiva a estas botas, quer ao nível do desgaste, quer ao nível do conforto e design.

Galeria de fotos botas REV'IT! Mission

andardemoto.pt @ 25-10-2021 12:16:10 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte


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