MotoGP 2025 - Brno - O impressionante Marc Marquez
Ao voltar a dominar por completo um fim de semana de corridas, com triunfos na Sprint e no GP, na Chéquia, Marc Marquez atinge números estatísticos que são o melhor espelho do seu talento e domínio na modalidade.
andardemoto.pt @ 21-7-2025 11:00:00 - Vitor Sousa
Apenas uma semana após exibição esmagadora (mais uma) em Sachsenring, Marc Marquez chegou ao regressado GP da Chéquia, em Brno, cinco anos exatos depois do grande acidente que o colocou fora de atividade e do qual, conforme muitos vaticinaram, já não deveria regressar. Não só regressou, como se tornou num piloto imbatível no quadro atual da competição.
E se algo mudou neste fim de semana, não foi certamente nada que belisque o talento do espanhol. Pelo contrário, apenas o sublinha. Repare-se: ao contrário do que muitas vezes acontece, a Ducati (motos de fábrica e ‘satélites’) não impôs o seu domínio tradicional.
Desta vez, à excepção das motos oficiais, ninguém se destacou aos comandos de uma das cinco (Morbidelli ficou de fora) motos italianas presentes na grelha. Desta vez, nem Alex Marquez, que teve um fim de semana desastroso.
Mesmo ‘Pecco’ Bagnaia, não conseguiu melhor que P7 e P4. Em sentido contrário, emergiram as Aprilia e KTM, com pódios no sábado e no domingo. De novo Marco Bezzecchi (P4/P2) e Pedro Acosta (P3/P2) em evidência e Ennea Bastiannini a fazer a melhor qualificação (P11) e o melhor resultado da época (P3 na Sprint), só falhando o bom resultado na corrida ao cair quando estava na luta pelos lugares da frente.
Até Raul Fernandez (com a Aprilia da Trackhouse) conseguiu os melhores resultados da temporada (P7/P5)... e Pol Espargaró, regressado a substituir Viñales na KTM-Tech 3, acabou P9/P9 na sua primeira corrida do ano. Nas hostes da Ducati, Di Giannantonio e Alex Marquez ficaram a zeros e Aldeguer somou apenas 5 pontos…
Eis pois, como, mesmo num circuito em que a concorrência conseguiu claramente equilibrar a luta, Marquez voltou a fazer a diferença.
A forma como geriu a corrida Sprint, controlando a pressão do pneu dianteiro, cedendo o primeiro lugar para o ir buscar depois, ou o domínio intocável no GP, valeram ao espanhol somar mais alguns números especiais à sua estatística: décima vitória consecutiva (Sprint+GP) este ano, primeiro piloto na história da Ducati a consegui-lo, quinto fim de semana consecutivo a somar a pontuação máxima possível (oito no total) e uma vantagem na liderança do campeonato que lhe permitirá estar três Grandes Prémios em casa e não perder a liderança do campeonato…
O fim da novela… sem desculpas
Havia uma novela a crescer que prometia animar o verão e, sobretudo, o defeso. O desejo de quebra de contrato por parte de Jorge Martín - desafortunado Campeão do Mundo em título - provocado, muito provavelmente, pelo seu ambicioso agente, começou a definhar quando Carmelo Ezpeleta - a voz mais grossa do paddock - afirmou que a DORNA não aceitaria nenhuma inscrição no mundial de 2026 de pilotos que tivessem casos legais pendentes com equipas.
Que era o que esperava Martín, caso decidisse avançar com a sua interpretação do contrato que tinha/tem com a Aprilia. Enterraram o machado de guerra, fizeram a paz e - apesar da indelicadeza do piloto ao afirmar que não tinha nenhum pedido de desculpas a apresentar à equipa - Martín regressou aos comandos de uma competitiva Aprilia (que não conduzia desde o GP do Qatar) e teve uma atuação muito positiva ao longo do fim de semana checo que culminou com a obtenção do sétimo lugar na corrida longa. Seguramente, com sabor a vitória.
Oliveira em maus lençois… ou talvez não
A Yamaha avisara que iria protelar o momento do anúncio da decisão sobre qual dos seus pilotos iria saltar para dar lugar ao recém contratado Toprak Razgatioglu. Dessa forma, dava tempo a si própria para considerar eventuais novos dados para a equação e dava aos pilotos mais um punhado de ocasiões para mostrarem o seu valor e demonstrarem a sua vontade em ficar. Miguel Oliveira é um deles.
O piloto português, no entanto, nos dois últimos Grandes Prémios não somou um único ponto. Miller fez 16! Quartararo não conta para este cenário, e Rins fez sete. Parece claro que, pelas exibições em pista - penúltimo classificado no GP em Brno - Oliveira será o sacrificado… a menos que se confirmem os rumores que se vão escutando insistentemente relativos a um eventual abandono da competição por parte de Alex Rins. Neste momento, só a retirada voluntária do espanhol parece poder salvar o português.
andardemoto.pt @ 21-7-2025 11:00:00 - Vitor Sousa
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