Motogp 2026 - São Marinho - Marc Marquez vira o campeonato ao seu favor

Entre uma pole histórica, um duelo forte no sprint e um domingo em que a fortuna trocou as voltas a Marco Bezzecchi mesmo à porta de casa, Marc Marquez saiu de Misano, pela primeira vez em 2026, na liderança do Mundial de MotoGP.

andardemoto.pt @ 14-9-2026 01:43:36

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A sexta-feira já tinha deixado no ar um confronto direto entre Marco Bezzecchi e Marc Marquez, e a qualificação de sábado não desiludiu. Na Q1, Francesco Bagnaia foi um dos nomes obrigados a lutar pela passagem à ronda seguinte, mas o italiano não conseguiu marcar presença nos dois primeiros lugares que dão acesso à Q2.

Acabou por ser Fermin Aldeguer a assegurar essa vaga, com Fabio Quartararo a ficar pelo caminho depois de ter ocupado provisoriamente esse lugar durante grande parte da sessão.
Na Q2, o drama instalou-se cedo: Alex Marquez marcou o ritmo inicial com 1m30.733s, mas caiu poucos instantes depois, já na segunda volta lançada, na travagem.

Fabio Di Giannantonio assumiu então a liderança provisória com 1m30.504s, antes de Marco Bezzecchi protagonizar aquele que ficará como um dos momentos do ano: a primeira volta da história de Misano abaixo de 1m30, cravando um espantoso 1m29.982s e batendo o recorde da pista, que pertencia a Francesco Bagnaia desde 2024 (1m30.031s).


Marc Marquez tentou responder de imediato. Na primeira tentativa, viu-se obrigado a abortar a volta depois de sofrer um violento shake da dianteira na rápida secção do Curvone. Na segunda e última tentativa, chegou a estar a um décimo de Bezzecchi, mas voltou a perder tempo no último setor, fechando em 1m30.180s, a 0.198s do italiano.

A pole ficou assim com Bezzecchi, a sua segunda consecutiva depois de Aragão, com Marquez em segundo e Fermin Aldeguer a completar a primeira linha. Fabio Di Giannantonio, Jorge Martin e Luca Marini fecharam a segunda linha, com o líder do Mundial a arrancar apenas do quinto lugar. Alex Marquez, apesar da queda, garantiu a nona posição na grelha.

Sprint: Marquez ataca desde o arranque e resiste à pressão de Bezzecchi

No sábado à tarde, foi Marc Marquez quem tomou a iniciativa. Aproveitando ao máximo o "holeshot" logo à entrada da curva 1, o espanhol assumiu a liderança e resistiu à pressão inicial de Bezzecchi, fechando a primeira volta já na frente.

Seguiu-se um duelo de voltas rápidas pessoais entre os dois, com Marquez a conseguir gerir a vantagem sobre o italiano ao longo da corrida de 13 voltas, apertando o cerco apenas nas fases finais, quando Bezzecchi ainda reduziu a diferença para meio segundo a três voltas do fim.

Na volta seguinte, Marquez respondeu com a volta mais rápida da corrida, um novo recorde da prova, e conseguiu finalmente libertar-se da pressão do italiano, fechando com um triunfo de ponta a ponta e uma vantagem final de 1.068 segundos.


Foi a sexta vitória de Marquez em corridas sprint na temporada, negando a Bezzecchi o triunfo em casa, ainda que o italiano tenha assegurado o seu primeiro pódio de sprint desde o início do ano ao terminar em segundo. Jorge Martin fechou o pódio em terceiro.

Mais atrás, Fabio Di Giannantonio terminou quarto, Alex Marquez quinto, com Pedro Acosta a somar pontos importantes em sexto. Fabio Quartararo não terminou, após cair na tentativa de ultrapassar Diogo Moreira na volta 3.

No final da sessão, a diferença no campeonato ficou extremamente equilibrada: Jorge Martin liderava com 263 pontos, seguido por Marc Marquez a 14 pontos, e Marco Bezzecchi a 22.

Domingo: Bezzecchi cai na primeira volta e entrega a corrida a Marquez

A corrida principal, disputada ao longo de 27 voltas, começou de forma contrária à do sábado: desta vez foi Bezzecchi quem resistiu ao ataque de Marquez na curva 1 e manteve a liderança, com o espanhol a ficar colado em segundo sem hipótese de ataque durante praticamente todo o primeiro giro.

A festa em casa do italiano durou, no entanto, apenas até à curva 13 dessa mesma volta inaugural: Bezzecchi perdeu a dianteira e caiu enquanto liderava, um erro dramático que lhe custou de imediato a hipótese de somar os 25 pontos da vitória e que colocou Marquez na frente da corrida, com Jorge Martin a assumir a segunda posição.


A corrida estava, porém, longe de decidida. Martin recuperou terreno e conseguiu mesmo ultrapassar Marquez para a liderança na volta 7, com Alex Marquez, exibindo a bonita pintura especial em tributo a Marco Simoncelli na sua Gresini, a colar-se rapidamente à traseira do irmão mais velho.

Marc respondeu com uma nova ultrapassagem sobre Martin para recuperar a liderança, e pouco depois Alex Marquez também superou o piloto da Aprilia, criando um 1-2 totalmente espanhol e totalmente Marquez na frente da corrida, com o mais novo a chegar a ficar a meio segundo do irmão.

Ainda assim, Marc geriu a vantagem até à bandeira de quadrados, vencendo por 0.657 segundos, a sua 78ª vitória na categoria rainha e a quinta da temporada de 2026.
Completando um pódio totalmente espanhol, Pedro Acosta terminou em terceiro lugar com a sua KTM, à frente do companheiro de equipa satélite de Alex Marquez, Fermin Aldeguer, em quarto. Jorge Martin acabou por resvalar para quinto após perder ritmo nas fases finais.

A corrida ficou ainda marcada por diversos incidentes: Jack Miller, Francesco Bagnaia e Diogo Moreira caíram ao longo da prova, Joan Mir e Alex Rins abandonaram nas boxes, e Johann Zarco foi o último a desistir, com apenas 14 dos 21 pilotos à partida a verem a bandeira de xadrez.
Resumindo: Marquez assume o comando, Bezzecchi hipoteca o título e Acosta confirma a a sua excelente forma aos comandos da KTM.

O resultado de Misano tem um significado que ultrapassa em muito os pontos somados num único fim de semana. Marc Marquez chega aos 274 pontos, empatado precisamente com Jorge Martin, mas assume a liderança do Mundial pela primeira vez em toda a temporada de 2026 graças ao maior número de vitórias somadas ao longo do ano, um critério de desempate que passa agora a pesar de forma decisiva na reta final do campeonato.

Depois de meses a gerir défices consideráveis face ao líder, a dupla vitória em Misano (sprint e corrida longa) devolve a Marquez algo que parecia cada vez mais distante há sete rondas: o controlo da narrativa do título.


A queda de Marco Bezzecchi na primeira volta, precisamente quando liderava a corrida em casa e tinha a hipótese de reduzir de forma decisiva a distância à frente do campeonato, é porventura o momento mais determinante de todo o fim de semana.

O italiano chegava a Misano em plena forma, com duas poles consecutivas e a somar pontos de forma consistente, mas o erro na curva 13 custou-lhe não apenas os 25 pontos da vitória, mas também terreno precioso numa luta a três que já não lhe permite margem para deslizes.

Com 241 pontos, Bezzecchi mantém-se matematicamente na discussão do título, mas o fosso de 33 pontos para a dupla da frente torna a sua tarefa consideravelmente mais difícil nas rondas que restam.
A situação complica-se ainda mais quando se olha para o desempenho de Jorge Martin. O líder do campeonato à entrada do fim de semana viu-se incapaz de converter a boa posição conquistada a meio da corrida (chegou a assumir a liderança na volta 7) numa boa pontuação, resvalando para quinto lugar depois de perder ritmo nas fases finais.

Juntando a queda de Bezzecchi ao desfecho aquém do esperado de Martin, a Aprilia sai de Misano com as contas do título claramente mais complicadas: dos dois pilotos que discutiam a liderança do Mundial há uma semana, um caiu a somar zero pontos e o outro deixou fugir a oportunidade de consolidar a vantagem, tudo isto justamente na ronda em que o construtor de Noale tinha tudo para reforçar a sua posição, com a pole position e o recorde da pista em seu poder.

Por fim, merece destaque a exibição de Pedro Acosta. Num fim de semana em que os holofotes estiveram naturalmente virados para o duelo Marquez-Bezzecchi-Martin, o piloto da Red Bull KTM Factory Racing construiu uma corrida sólida do início ao fim, terminando em terceiro lugar num pódio partilhado apenas com os dois irmãos Marquez.

É mais uma confirmação de que, mesmo depois de uma travessia do deserto marcada pela crise financeira e pelos problemas de fiabilidade do motor, Acosta continua a ser o piloto capaz de extrair o máximo rendimento da RC16, mantendo a KTM relevante na luta pelos lugares do pódio numa fase da temporada em que muitos outros nomes de peso, de Bagnaia a Quartararo, atravessam dificuldades claras.

Fica assim traçado o quadro de um Misano decisivo, com Marquez a assumir pela primeira vez o comando do campeonato a caminho da Áustria, próxima ronda do calendário. 

Classificação geral do Mundial de MotoGP após o GP de São Marinho (top 10)

Pos. Piloto - Equipa - Pontos Dif. para o líder-  Dif. para o anterior

1 Marc Marquez - Ducati Lenovo Team - 274 — —
2 Jorge Martin - Aprilia Racing - 274 0* 0*
3 Marco Bezzecchi - Aprilia Racing - 241 -33 -33
4 Fabio Di Giannantonio - Pertamina Enduro VR46 - 223 -51 -18
5 Pedro Acosta - Red Bull KTM Factory Racing - 209 -65 -14
6 Ai Ogura - SuperFile Trackhouse - 203 -71 -6
7 Raul Fernandez - SuperFile Trackhouse - 199 -75 -4
8 Alex Marquez BK8 Gresini Racing 153 -121 -46
9 Francesco Bagnaia Ducati Lenovo Team 143 -131 -10
10 Fermin Aldeguer - BK8 Gresini Racing - 105 -169 -38

*Marquez e Martin estão empatados a pontos, mas o espanhol da Ducati lidera oficialmente o campeonato graças ao critério de desempate por vitórias: cinco triunfos em corridas de domingo contra apenas um de Martin esta temporada.

Vale destacar dois movimentos relevantes desde Aragão: Pedro Acosta subiu um lugar, para 5º, reforçando a boa fase já assinalada, e Alex Marquez saltou também uma posição, para 8º, impulsionado pelo pódio conquistado em casa da Gresini. Já Fabio di Giannantonio consolidou-se firmemente no 4º lugar, agora a apenas 51 pontos do topo, naquele que é o seu melhor registo da carreira em MotoGP.

andardemoto.pt @ 14-9-2026 01:43:36


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