Bruno Gomes

Bruno Gomes

Jornalista

OPINIÃO

MotoGP Qatar – O bom, o mau e os destaques

Depois de um Grande Prémio do Qatar em que voltámos a sentir as emoções da categoria rainha, esta é a minha opinião sobre quem esteve melhor, quem esteve pior nesta primeira corrida do ano e ainda os destaques.

andardemoto.pt @ 29-3-2021 14:40:42 - Bruno Gomes

O Bom – Maverick Viñales

O espanhol que corre com o #12 nas carenagens da Yamaha YZR-M1 da Monster Energy Yamaha não se atemorizou com o poderio das Ducati Desmosedici de Borgo Panigale. Até eu que estava no meu sofá, confortavelmente a assistir à corrida em Losail, fiquei impressionado com as motos italianas. Mas Viñales manteve uma concentração à prova de bala.

Viñales, que há anos é tido como um candidato ao título de MotoGP, tem vindo a prometer “mundos e fundos”, mas na hora “H” há qualquer coisa que lhe falta. Mas se esta primeira corrida de 2021 mostrou alguma coisa, foi um Viñales mais focado do que nunca no seu trabalho, na sua missão, e no objetivo final que é o título. E esta vitória no GP do Qatar é um excelente primeiro passo.

Isso, aliado à melhoria na Yamaha M1, deixa-o um passo mais perto do título.


Esta vitória em Losail e a forma como a conseguiu é um sério aviso aos rivais. Veremos se já daqui a uma semana continuaremos a ver Maverick Viñales da mesma forma.

Dentro do “Bom” que vi na primeira corrida em Losail podia ainda colocar o campeão Joan Mir. O piloto da Suzuki Ecstar voltou a demonstrar que em situação de corrida é um mestre. As últimas cinco voltas foram fantásticas. Mas infelizmente cometeu um erro e ficou à mercê da potência das Ducati e ficou fora de um merecido pódio que esteve quase garantido.


O Mau – Jack Miller

O irreverente australiano da Ducati Lenovo Team foi a maior desilusão para mim. Dominador nos testes de pré-temporada realizados neste mesmo circuito há pouco mais de duas semanas, dominador nos treinos livres, e bem posicionado na qualificação, Miller eclipsou-se por completo após o arranque.

Este é um ano particularmente importante para o fabricante de Borgo Panigale. A equipa de fábrica da Ducati redesenhou-se por completo e tem em Jack Miller o seu principal piloto. E as indicações que deu antes da corrida deixaram-no como o principal favorito à vitória.

Talvez estejam à espera que Miller imite o seu compatriota Casey Stoner e ofereça o tão ambicionado título que lhes escapa desde 2007...

Mas no momento em que mais era preciso mostrar rapidez e consistência, Jack Miller fez precisamente o oposto, e o 9º lugar é um resultado claramente abaixo do que a Ducati e o próprio piloto precisam. Mantenho a minha opinião de que o piloto da Ducati será um dos grandes candidatos ao título, mas terá de fazer mais, muito mais do que fez na primeira corrida do ano.

Os destaques – Aleix Espargaró / Aprilia e Enea Bastianini

Depois de boas indicações durante toda a pré-temporada, parece que este ano, finalmente, teremos a Aprilia de regresso aos bons resultados. Uma só corrida não serve para perceber qual será o real nível de comptitividade da moto italiana, mas para já, Aleix Espargaró levou a nova RS-GP a um excelente 7º lugar. Mais do que isso, o veterano espanhol esteve sempre entre os mais rápidos em todas as sessões, demonstrando consistência.

A estrutura da Aprilia parece ter conseguido, finalmente, o tempo necessário para aprimorar a RS-GP. Apesar das dificuldades em encontrar um segundo piloto, perdendo todas aquelas que foram as “primeiras escolhas”, a equipa liderada por Massimo Rivola, e que perdeu de forma tão brutal Fausto Gresini, soube reorganizar-se e está, parece-me, a dar os passos certos rumo a melhores resultados.

Estou deveras curioso em perceber o que conseguirá fazer Andrea Dovizioso com o protótipo de Noale. Para já o italiano apenas vai testar, mas estou convencido que mais cedo do que mais tarde Dovizioso será anunciado como piloto da Aprilia Gresini.



Quanto a Enea Bastianini, o piloto da Avintia, que fez a sua primeira corrida em MotoGP depois de se sagrar campeão do mundo de Moto2, deixou-me com “água na boca”. Bem sei que numa pista favorável às características da sua Ducati, Bastianini não sentiu tantas dificuldades como seria expectável.

Ainda assim, o italiano arranca a sua campanha com uma prestação sólida, e o “top 10” demonstra que o campeão de Moto2 tem talento e será um piloto que teremos de seguir com atenção.

Soube gerir o esforço ao longo da corrida, ao contrário do também estreante Jorge Martin, que depois de um excelente início onde conquistou 10 posições (!!) desapareceu e terminou no último lugar pontuável. Terá se aprender a gerir o esforço e as emoções se quiser acompanhar Enea Bastianini.

andardemoto.pt @ 29-3-2021 14:40:42 - Bruno Gomes


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