Teste CFMoto GT650 - Budget Touring

Uma moto de média cilindrada pensada para as grandes viagens. Uma Grand Tourer que assume um compromisso entre preço, qualidade e desempenho.

andardemoto.pt @ 21-4-2020 08:08:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

É verdade que, dentro do segmento de média cilindrada, há poucas motos que se possam considerar verdadeiramente turísticas. Prevalecem os modelos mais aventureiros, ou as motos “naked”, mas faltam modelos estradistas, capazes de assegurar conforto, ao longo de muitos quilómetros consecutivos, através de uma boa protecção aerodinâmica e uma boa ergonomia, a par com uma grande autonomia e uma boa capacidade para transportar passageiro e bagagem.

E com uma etiqueta de 7.000 euros, como a desta CFMoto, não há mesmo nenhuma, sendo necessário gastar cerca de mais 2000 euros para se encontrar uma das poucas opções equivalentes (a Yamaha Tracer 700).

Efectivamente a CF Moto 650GT não apresenta luxos desnecessários, mas empregando componentes essenciais de elevada qualidade e explorando um motor com provas dadas em termos de resistência e fiabilidade, a CFMoto consegue oferecer um produto com muitos argumentos, capaz de convencer qualquer motociclista que pretenda evoluir de uma moto de baixa cilindrada, para outra que lhe permita alargar os horizontes.

Linhas desenhadas pela Kiska Design, gabinete que pertence à KTM, marca com quem a CFMoto tem tido uma relação muito próxima, emprestam um toque de modernidade e vanguardismo a este modelo pensado para grandes viagens.

A primeira impressão é a de conforto. A carenagem envolvente, juntamente com o ecrã frontal generoso e regulável em altura, o guiador largo e elevado a permitir uma postura vertical, mas ainda assim reactiva, as pernas flectidas, mas sem exagero, e o fundo das costas bem apoiado num assento independente e a uma altura de 795 mm que permite apoiar firmemente ambos os pés no chão, são factores que saltam imediatamente à vista.

O passageiro também não foi esquecido, e conta com um bom apoio para as mãos, poisa-pés (à semelhança dos do condutor) cobertos por borracha e o assento independente é bastante generoso e em material antiderrapante.

Logo de seguida apercebemo-nos que os espelhos retrovisores proporcionam uma excelente visibilidade, que podemos ligar o telefone a uma tomada USB muito bem colocada (e que até é dupla para o caso de se pretender instalar também um GPS dedicado ou uma câmera de vídeo), que as manetes têm afinação e o seu  funcionamento é extremamente suave.

Também é impossível deixar de reparar no atrativo painel de instrumentos, em TFT, que apresenta duas configurações (Sport e Touring) mas que em nada alteram a condução.


Pondo o motor a funcionar, a sua sonoridade é bastante interessante, forte e grave. O acelerador responde com vivacidade e sobe de regime alegremente. A embraiagem tem um acionamento muito leve e a caixa de seis velocidades, em cassete, é bastante suave e precisa.
Sem grandes ajudas electrónicas à condução, que aliás se resumem ao ABS obrigatório, a GT650 conta com a delicada entrega de potência do motor para desculpar a inexistência de um controlo de tracção. O bicilíndrico paralelo de 8 válvulas consegue, com a sua cambota a 180º, e a injecção a cargo da Bosch, proporcionar uma grande suavidade de funcionamento e uma curva de binário bem desenhada, que evita um constante recurso à caixa de velocidades, seja em ambiente urbano ou em estradas sinuosas.

Basta mantê-lo acima das 4.000 rotações para que ele esteja pronto a reagir a qualquer aceleradela, sem qualquer hesitação, tornando-se divertido e muito fácil de conduzir em qualquer situação.


A suspensão, dotada de material KYB, tem uma taragem confortável, pelo que não favorece abusos, mas a forquilha de 38mm de diâmetro mantém-se bastante estável em curva e o afundamento sob travagem é contrariado de forma bastante suave.

Mesmo em autoestrada conseguem-se manter ritmos bastante interessantes, deixando sempre uma margem para fazer qualquer ultrapassagem ou enfrentar qualquer subida. Claro que, tendo que pôr em movimento um peso de 226 kg, em ordem de marcha, quanto mais carregarmos a 650GT, com depósito de 19 litros atestado, bagagem e passageiro, menor será a margem, e então os 60cv anunciados pelo fabricante precisam mesmo de se esforçar para manterem um ritmo rápido.
Mas se o objectivo for apenas desfrutar da viagem, então o binário de 56 Nm é mais do que suficiente. Os consumos, numa condução normal, rondam os 5 litros/100km, valor que contribui para uma autonomia prática bastante interessante, a passar facilmente os 300 quilómetros.




O monoamortecedor traseiro, colocado em posição horizontal sobre o lado direito e acoplado ao braço-oscilante através de alavanca, possui afinação de pré-carga, mas infelizmente não conta com comando remoto para facilitar a tarefa. Por seu lado a direção tem uma resposta previsível e, em manobra, a brecagem é muito boa.
Ao nível da travagem, o material da empresa espanhola J.Juan destaca-se pelos discos de travão recortados e pelas pinças de pistões duplos, e cumpre a sua missão de forma bastante competente, incisiva e doseável, apoiado por um ABS da Continental, que tem de se esmerar para compensar a fraca prestação dos pneus “made in china” que prejudicam igualmente o potencial da ciclística, caso se tente uma condução mais desportiva.


Claro que, com as pretensões turísticas, a este modelo fazia falta mais algum equipamento, como os punhos aquecidos e o cruise control, mas obviamente que o preço iria sofrer com isso…

Como tal, em termos de pontos negativos, apenas tenho que referir o facto de ter achado o estofo do assento um pouco rijo, pois ao fim de algum tempo de condução, muito antes de ter necessidade de reabastecer, começava a sentir algum desconforto e, como já referi, a fraca qualidade dos pneus, cuja escassa aderência prejudica a confiança em curva e a travagem.

Outro ponto menos interessante, mas que não é exclusivo deste modelo ou marca, é o reflexo no painel de instrumentos, que o torna completamente ilegível quando temos o sol alto, a brilhar nas nossas costas.

No cômputo geral a CFMoto 650GT apresenta-se muito agradável de conduzir, sendo extremamente fácil de manobrar, apesar do seu peso poder sugerir o contrário. Em andamento revela-se ágil e estável, ao mesmo tempo que proporciona uma grande confiança, pelo que os menos experientes não vão ter dificuldade em se adaptar seja qual for o tipo de utilização.

Pode ficar a saber mais sobre a CF Moto se clicar aqui


Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

andardemoto.pt @ 21-4-2020 08:08:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives