Teste Triumph Speed 400 e Scrambler 400 X - Se Napoleão fosse inglês…

…esta seria a moto com a qual teria conquistado o mundo. A mais pequena das Triumph não esconde as suas ambições, e as suas duas versões específicas impressionam pelas suas ilusões de grandeza. Justificadamente?

andardemoto.pt @ 13-2-2024 07:20:00

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Triumph Scrambler 400x | Moto | Classics
Triumph Speed 400 | Moto | Adventure

Muitas vezes utilizamos a expressão do ... "Ao vivo parece bastante diferente" e este é um desses contextos. A mais pequena das Triumph impressiona pelas dimensões e pela sua familiaridade com as gamas Speed e Scrambler, nas quais a qualidade marca presença. 

A Triumph tem fortes aspirações mundiais para estes dois modelos e essa atitude é demonstrada não só no desenvolvimento de um motor completamente novo, mas também nas diferenças ciclísticas associadas a diferentes propósitos. 

Nascida de uma colaboração entre o gigante indiano Bajaj Auto e a Triumph UK, a magnitude e a escala da sua produção poderiam indiciar algum corte de custos no produto final, mas tal não acontece. 

Este é um segmento de mercado que pretende cativar os motociclistas mais jovens (recém-encartados), em que a facilidade de utilização e o estilo devem andar lado a lado. Surpreendentemente, demos por nós a equacionar as dimensões do horizonte deste público alvo, tal não foi a boa impressão causada pelas Speed e Scrambler neste primeiro contacto. 


Com um look perfeitamente enquadrado com o das suas irmãs mais velhas, à primeira vista encontramos uma miríade de pormenores reveladores da atenção que lhe foi dedicada. Suspensões invertidas, iluminação full LED (com a assinatura visual típica da marca), depósito em metal com um design clássico e uma inteligente escolha de cores e grafismos, espelhos nos terminais dos punhos (na Speed) e uma linha de escape específica para a versão Scrambler, são algumas das características que imediatamente impressionam. 

Num um olhar mais atento, a cablagem escondida num motor cuidadosamente desenhado com as mesmas formas geométricas das Triumph maiores (como as mesmas tampas triangulares a ostentarem o histórico “T”), fazem-nos pensar que estamos perante uma moto com um ideal maior. 

“Se calhar vou pedir a moto emprestada ao miúdo…” - Pensará o pai mais curioso.

Foi com este espírito de surpresa e expectativa sensorial que começámos a nossa experiência na Speed 400, a versão estradista deste modelo. A posição de condução demonstra desde logo o cuidado numa ergonomia estudada para agradar a diferentes estaturas, com uma altura de assento de 790 mm que facilita o acesso ao solo, mas uma posição de poisa-pés que não sacrifica em demasia os joelhos, assim como um guiador que nos coloca no centro da acção sem grandes extremismos (não é demasiado largo, nem está demasiado elevado). 


O display do painel de instrumentos elegante mostra-nos a clássica agulha do velocímetro, vincando a sua intemporalidade. No painel digital temos um indicador de mudança engrenada, conta-rotações, média de consumos (e autonomia), e os tradicionais odómetros.

Nos comutadores e nos punhos encontramos talvez o conjunto de peças menos refinadas deste modelo, com um toque algo plástico. A culpa, obviamente, é do nível apresentado por todo o resto…e isto é um elogio à sensação geral de qualidade.

Em andamento, a agilidade do conjunto faz-nos sentir que estamos em perfeitas condições para atacar a selva urbana, mas nunca deixamos de ter vontade de fugir em direcção à estrada aberta. E neste caso, o pecado nasce no excelente bloco motriz. O pequeno monocilíndrico é vivaço e expedito a mostrar o que vale, e os seus 40 cv (e 37,5 Nm de binário) parecem curtos para uns médios regimes tão interessantes. A subida de rotação é desembaraçada, mas o que mais nos impacta é a sua resposta entre as 5k e as 7k rotações, sendo que esta capacidade de improviso aliada ao baixo peso (170 kg na Speed e 179 Kg na Scrambler) tornam-nas, sem rodeios,  em motos rápidas e divertidas de conduzir.

Existe de facto magia nas coisas mais simples. Se à partida as suas dimensões generosas colocavam alguma pressão na sua capacidade motriz, estas desvaneceram-se ao fim de poucos quilómetros. Num cenário urbano, o motor mostra-se solícito desde as baixas rotações e a rolar em estrada aberta aproveita o bom escalonamento da caixa para ser confortável (sem vibrações dignas de nota), sendo que, nos percursos mais revirados faz questão de nos mostrar a sua progressividade com uma nota de escape cativante. Independentemente do seu tamanho, tem um grande coração. Sempre com consumos na ordem dos 3L/100 km…(para um depósito de 13L)


Tendo apenas como ajudas electrónicas um controlo de tracção (comutável) e ABS, o bom feeling mecânico do conjunto impele-nos a explorar a sua dinâmica com bastante margem de segurança. A escolha dos - bastante desportivos - Metzeler Sportec M9 RR assegura uma óptima performance nas condições ideais, desde que (como qualquer pneu mais vocacionado para utilizações mais extremas) estejam bem quentes antes de serem desafiados. Faria mais sentido virem equipadas com uma goma de maior tolerância na amplitude de temperaturas (uns Michelin Road 5 ou 6, ou até mesmo uns Pirelli Angel GT), sobretudo tendo em conta o seu inexperiente público alvo.

A travagem da Bybre (a marca Brembo ao serviço de motos de menor cilindrada) mostra progressividade e potência que baste para lidar com a maioria dos “apertos” (disco único de ⌀320 mm com pinça radial de quatro pistons), sendo que nos agradou particularmente o tacto do travão traseiro (disco de 230 mm com pinça flutuante). E com todo o ênfase dado a estes componentes ciclísticos, não podíamos deixar de falar da suspensão. As forquilhas invertidas de generoso diâmetro (43mm) são exímias no seu espectro de funcionamento, com uma sofisticada forma de actuar nas irregularidades e uma estabilidade notável nas situações de maiores transferências de massa. Um pisar confortavelmente desportivo, como se pede a uma naked divertida. Em boa verdade, tivemos muitas vezes de equacionar a realidade de “apenas” estarmos aos comandos de uma simples 400cc, embalados pela envolvência dinâmica da máquina.


Quando passamos para a Scrambler 400 X, sentimos que estamos noutra moto. Esta reacção não será de estranhar, porque existiu de facto um esforço da marca de Hinckley na diferenciação dos dois modelos, com soluções de engenharia desenhadas para fazerem o conjunto funcionar de modo díspar. A maior altura (o assento bi partido dista 835 mm do solo) advém da polivalente solução da jante 19” dianteira. A suspensão ganha curso (150 mm em ambos os eixos contra os 140/130 mm da Speed) e um guiador mais alto e largo transforma a posição de condução radicalmente. Estamos mais direitos, mais relaxados, com aquela sensação tipicamente trail do “venha-o-que-vier”, e que nos agradou bastante pela sua postura descomprometida.

A afinação específica destas suspensões, permite fazer a jante dianteira de 19" funcionar no fora de estrada. Tendo apenas ajuste de pré carga traseira, o seu comportamento saudável e esforçado também se estende no piso asfaltado, onde o seu acerto mais desportivo faz brilhar o conjunto numa condução mais empenhada.

A grande diferença electrónica (à parte de um acerto de ABS “trabalhado” para o disco dianteiro de maiores dimensões), é o facto de podermos seleccionar o modo OFF-Road, que desliga o controlo de tracção e o ABS (em ambos os eixos). Embora isto não seja sinónimo de powerslides intermináveis, o resultado não deixou de ser um largo sorriso empoeirado. Cumpre e entretém. 

O quadro reforçado em pontos estratégicos como a coluna de direcção, a grelha de protecção do farol e as protecções de punhos, são garantias de uma atitude que não se fica pelo estilo. Até o som emanado pelo escape é ligeiramente mais rouco, fazendo um pretenso Steve Mcqueen orgulhoso, obviamente…

O catálogo, com mais de 25 acessórios disponíveis (entre artigos de estilo, conforto, bagagem e segurança), garante a imperativa personalização, mas sobretudo a mais valia do seu preço (Speed 400 desde 5,595 € e Scrambler 400 X desde 6,295 €) faz destes modelos uma importante declaração no mundo das duas rodas. A Triumph tem em mãos potenciais best-sellers… no mundo inteiro. 

Ao longo do dia, a música da garota de Ipanema não me saiu da cabeça. As novas Speed e Scrambler 400 tèm estilo e pose cativantes e a sua personalidade fez-nos, mais uma vez, pensar que não precisamos de três dígitos de potência para sermos felizes. Como dissemos no início, a Triumph aposta forte na sua produção global e, no entendimento do Andar de Mota, estes dois modelos foram muito bem nascidos!

Equipamento:

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Triumph Speed 400 | Moto | Adventure

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