Teste Harley-Davidson Street Glide Limited / Road Glide Limited - Máximo Luxo

Recentemente tive a oportunidade de, a convite da Harley-Davidson Europa, ir a Málaga testar as novas Grand American Touring, mais concretamente a Street e a Road Glide equipadas com o novo Grand Tour‑Pak. 

andardemoto.pt @ 8-4-2026 11:21:59 - Texto: Rogério Carmo

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Companheiras de já muitos quilómetros, as grandes turísticas de Milwaukee não deixam de me surpreender de cada vez que me sento aos seus comandos.

Num segmento em que o luxo e o conforto são tão importantes quanto a presença em estrada, a Harley‑Davidson reforçou para 2026 a sua linha Grand American Touring com duas propostas que partilham a mesma base mecânica e eletrónica, mas que encerram personalidades muito distintas: a Road Glide Limited e a Street Glide Limited, motos que se distinguem de forma clara na aerodinâmica, comportamento dinâmico e ergonomia. 

As versões Limited aqui apresentadas são caracterizadas pelo nível de acessorização superior, que as coloca no topo da cadeia das grandes viajantes. 

Ambas são agora movidas pelo poderoso motor Milwaukee‑Eight VVT 117, um V‑Twin de 1.923cc (117ci ou polegadas cúbicas) com abertura de válvulas variável (VVT), que entrega 106cv de potência e 177Nm de binário, garantindo disponibilidade mais do que suficiente para longas viagens, mesmo com carga total e dois ocupantes. 

Com o sistema VVT a entrega de potência a baixa velocidade foi substancialmente melhorada, permitindo uma melhor recuperação a baixa rotação, com as vibrações do motor a serem substancialmente reduzidas.

Em comparação com os modelos Limited de 2024, o bicilíndrico VVT 117 ganha 7% de binário e 14% de potência. O sistema de refrigeração das cabeças dos cilindros também foi redesenhado sendo agora mais eficiente a baixa velocidade, sobretudo nos dias mais quentes, melhorando o conforto dos ocupantes graças a uma melhor exaustão do calor irradiado pelo motor.

Um novo alternador mais potente consegue gerar um maior pico de energia, o que permite ao proprietário instalar mais equipamento em qualquer destas duas motos da gama Limited.


Nestes novos modelos notei imediatamente que os assentos do condutor e do passageiro foram redesenhados, oferecendo agora um maior apoio e posicionando o condutor no local certo para segurar o guiador, permitindo uma posição de condução mais natural.

Uma boa surpresa foram os novos amortecedores traseiros Showa, com tecnologia de emulsão e função separada, que apresentam novas afinações e até um regulador de pré-carga remoto mais acessível, sem necessidade de remover nenhuma mala lateral para ser acedido. Mas o que surpreendeu foi o acréscimo de conforto pela melhor absorção das irregularidades da estrada!

Ambos os modelos são agora mais leves, com a marca a anunciar uma redução de peso de 5,9kg na Road Glide e 10,9kg na Street Glide Limited, em comparação com a Ultra Limited de 2024.

Mas é na forma como cada uma destas motos gere o vento, o peso e a ergonomia, que se definem as diferenças que realmente contam na estrada.

A Road Glide Limited distingue‑se pela sua imponente carenagem frontal “Sharknose”, fixa ao quadro, uma solução que lhe confere maior estabilidade a alta velocidade, reduzindo a influência da pressão aerodinâmica e da turbulência na direção, sobretudo em autoestrada, onde a moto parece assentar no asfalto com a serenidade de um automóvel gran turismo, mas sobre duas rodas.

A direção mantém‑se mais neutra e menos sensível a ventos laterais e ao peso da carenagem, o que contribui para uma condução mais relaxada em longas etapas.

Essa mesma carenagem, porém, a par com um guiador mais largo, tornam a Road Glide mais volumosa e larga, transmitindo uma sensação de porte superior que se nota tanto visualmente como nas manobras a baixa velocidade. A proteção aerodinâmica é excecional, envolvendo condutor e passageiro num casulo de ar estável, ideal para longas etapas, sobretudo com meteorologia desfavorável.


Já a Street Glide Limited, com a típica carenagem “Batwing” montada na forquilha, apresenta uma frente mais leve e direta, o que a torna mais manobrável e ágil, sobretudo em curvas apertadas ou nas estradas sinuosas tão comuns na Europa.

Aos seus comandos parece mais compacta e oferece maior agilidade e uma resposta mais rápida em curvas apertadas ou em ambientes urbanos, e a direção é mais comunicativa, embora mais sensível ao vento lateral e a velocidades elevadas em que a carga aerodinâmica se transforma em peso no guiador.

A diferença entre ambas é substancial, sendo perfeitamente perceptível. Depois de se conduzir a Road Glide, a Street Glide parece uma moto mais pequena, revelando-se imediatamente mais manobrável, apesar de partilhar praticamente as mesmas dimensões e peso da Road Glide.

Em andamento, a Street transmite uma sensação mais viva e comunicativa, ainda que mantendo o mesmo nível de conforto e proteção aerodinâmica, também ela acima da média.

Em ambas o luxo é evidente nos detalhes: os assentos aquecidos, o novo Grand Tour‑Pak (a top Case) com iluminação integrada, a qualidade dos materiais e o sistema de infotainment Skyline OS, apresentado num ecrã TFT de 12,3 polegadas, um dos maiores do segmento. 


O áudio premium, com quatro colunas e 200 watts de potência total, transforma a viagem numa experiência sensorial, enquanto a conectividade, incluindo Apple CarPlay, navegação integrada e Bluetooth, coloca estas Harley no patamar tecnológico das melhores touring do mercado.

A capacidade de carga, idêntica nas duas, é generosa: o conjunto de malas e top case oferece uma capacidade total de 143 litros, um volume suficiente para viagens prolongadas sem compromissos. E ainda permite amarrar mais alguns items leves na grelha instalada da tampa da Top Case.

Com uma proteção aerodinâmica exemplar e um conforto quase automóvel, tanto a Road Glide Limited como a Street Glide Limited revelam a sua vocação natural: a estrada aberta. 

Ambas são motos feitas sobretudo para cruzar continentes e menos para serpentear estradas estreitas e retorcidas, onde o seu peso e dimensões se fazem notar sobremaneira. Ainda assim, cumprem com dignidade, desde que o condutor ajuste o ritmo e aceite que estas Harley são, acima de tudo, máquinas de viajar para longe, com estilo, presença, conforto e uma qualidade de construção que continua a ser referência no segmento.

Aos seus comandos as longas tiradas parecem mais curtas e o cansaço demora a chegar. Apesar do grande volume, em estrada aberta o peso e as dimensões praticamente desaparecem e a condução é muito intuitiva e fácil, graças à travagem combinada que permite controlar o andamento com apenas o pedal do travão, sendo necessário recorrer à manete apenas em situações de maior urgência.

Em contrapartida, manobrar é difícil, pelo que a experiência e a antecipação são fundamentais para se evitarem sessões de musculação. É que, apesar de toda a tecnologia, a Harley-Davidson ainda não dotou estas máquinas com marcha-atrás, e mover à mão os mais de 400 quilos de peso, sem qualquer bagagem, não é tarefa fácil.


Ambos os modelos já estão disponíveis em Portugal nos concessionários da marca, com preços a partir de 39.150,00 €, e em diversas opções cromáticas, incluindo motores com acabamento em cromado ou negro.

Os mais exigentes podem ficar descansados porque a Harley disponibiliza a Steet Glide Limited em versão CVO, com motor de 121ci (1.983cc) a debitar 127cv e com opções cromáticas distintas e refinadas, com preços a partir de 58.850,00 €.

andardemoto.pt @ 8-4-2026 11:21:59 - Texto: Rogério Carmo


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