MotoGP – Testes de Valência terminam com Yamaha a dominar

Logo depois da última corrida da temporada que consagrou Marc Marquez como campeão de MotoGP, pilotos e equipas estiveram de regresso ao circuito Ricardo Tormo para uma sessão de testes de preparação para a temporada 2020 e onde a Yamaha colocou três motos nos três primeiros lugares.

andardemoto.pt @ 21-11-2019 11:04:14

Ainda agora a temporada 2019 do Mundial de Velocidade terminou, com a realização do Grande Prémio de Valência que foi ganho por Marc Marquez (Repsol Honda), e já os pilotos e equipas de MotoGP regressaram ao circuito de Ricardo Tormo para dois dias de testes em preparação para a temporada 2020.

Sem a presença do português Miguel Oliveira, ausente das pistas e com regresso previsto apenas nos testes da Malásia já em fevereiro de 2020, os dois dias de testes em Valência foram repletos de acontecimentos e movimentações dentro e fora da pista.

Fora da pista o grande destaque vai para as negociações de Johann Zarco com a Ducati.

O francês que começou a temporada com a Red Bull KTM Factory, abandonou a equipa a meio da temporada, e depois participou nas últimas três corridas com a LCR Honda em substituição de Takaaki Nakagami, quer ficar em MotoGP em 2020, mas a situação não está fácil para Zarco.

Paolo Ciabatti e Gigi Dall’Igna pretendem assegurar os préstimos de Zarco para a Ducati, e querem colocar o francês na Avintia. Mas a equipa satélite tem dois pilotos com contrato: Tito Rabat e Karel Abraham. Ao que tudo indica será o checo a sair da equipa, levando consigo os muitos milhões de euros da família e que lhe têm garantido um lugar em MotoGP nas últimas temporadas. No entanto a saída de Abraham não está ainda confirmada.

Johann Zarco, por sua vez, esteve fechado na “motorhome” da Ducati durante os testes de Valência reunido com Dall’Igna e Ciabatti. O piloto francês fez saber que quer ficar em MotoGP mas apenas numa moto competitiva. Já todos sabemos como Zarco desmotiva rapidamente caso não consiga estar entre os mais rápidos. Os responsáveis da Ducati Corse terão garantido a Zarco que a Avintia Ducati receberá uma Desmosedici GP20 com apoio da fábrica.

De momento ainda não se sabe se Johann Zarco estará inclinado para aceitar esta proposta ou, como já afirmou publicamente, prefere regressar às Moto2 onde foi campeão duas vezes consecutivas.


Dentro da pista, a Yamaha está a ter um final de ano 2019 para festejar.

A fábrica de Iwata viu três das suas quatro motos terminarem os dois dias de testes nas três posições cimeiras da tabela de tempos de cada um dos dias. Primeiro foi Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT) o mais rápido, seguido por Maverick Viñales (Monster Energy Yamaha) e Franco Morbidelli na segunda moto da equipa malaia. No segundo dia as duas prmeiras posições inverteram, com Viñales inclusivamente a terminar os testes como o mais rápido.

O espanhol da equipa de fábrica fez o tempo mais rápido dos testes aos comandos da nova Yamaha M1 de 2020, com um novo chassis e um novo motor. Valentino Rossi não esteve perto de terminar no topo da tabela de tempos, mas o veterano italiano mostrou-se satisfeito com os progressos feitos pela Yamaha.

Cal Crutchlow (LCR Honda) foi quem mais deu luta às três Yamaha. O piloto britânico, que poderá estar a entrar na última temporada que compete em MotoGP, ficou encarregado de testar uma série de novidades que a Honda trouxe para testar em Valência. Num dia em que competou um total de 73 voltas, Crutchlow entrou em pista com uma RC213V de 2020, ou pelo menos partes da moto que estão a desenvolver para o próximo ano.

O único piloto em pista que completou mais voltas do que Crutchlow foi o seu companheiro de equipa, pelo menos neste teste de Valência pois nos testes de Jerez da próxima semana já estará na Repsol Honda. Alex Marquez fez 79 voltas, experimentou o amargo sabor da gravilha nesta estreia em MotoGP, e tem muito trabalho pela frente.

Marc Marquez também esteve naturalmente envolvido no trabalho de desenvolvimento do protótipo de 2020 da Honda. O campeão entrou diversas vezes em pista com a moto de 2019 e a de 2020, e focou-se em particular no trabalho de selecionar a melhor aerodinâmica para a RC213V, com as asas frontais da moto japonesa a apresentarem uma configuração mais parecida com o que a Ducati Desmosedici apresentou este ano.


A Ecstar Suzuki voltou a testar o novo motor da GSX-RR para 2020, um trabalho que já tinham começado há algum tempo, nomeadamente no GP do Japão quando Sylvain Guintoli foi apanhado a usar o novo motor em competição, o que lhe valeu uma penalização. Esse motor foi agora usado pelos pilotos Joan Mir e Alex Rins, em conjunto com o novo chassis, e Mir foi mesmo o mais rápido da dupla da Suzuki.

Quanto à KTM, o mais rápido continua a ser Pol Espargaró (Red Bull KTM Factory). A nova RC16 – clique aqui para conhecer em detalhe as novidades da KTM RC16 – está a mostrar ser uma evolução do que a marca tinha usado até agora. O mais novo dos irmãos Espargaró surpreendeu aos comandos dessa nova RC16 ao ser o 8º mais rápido.

Outro piloto que surpreendeu e também aos comandos de uma KTM foi Iker Lecuona. O “rookie” terminou os testes muito perto de Dani Pedrosa, com o três vezes campeão mundial a continuar o seu trabalho de desenvolvimento da KTM, e Lecuona a surpreender pelo ritmo conseguido.

A Ducati também aproveitou para apresentar algumas novidades na sua Desmosedici. Os pilotos da equipa de fábrica Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci, em conjunto com Jack Miller (Pramac Ducati) e Michele Pirro (piloto de testes) usaram todos motos com diferentes configurações ao nivel do quadro. A famosa “caixa de saladas” que a Desmosedici ostenta na sua traseira está agora bem maior, e a Ducati aproveitou também para usar dois sensores na roda traseira. Provavelmente para medir a forma como a roda e o pneu se comportam em curva.

Para a Aprilia os dois dias de testes de Valência não foram muito mais do que cumprir calendário. A marca italiana tem algumas novidades em termos de componentes para a RS-GP que foram testadas por Aleix Espargaró e Andrea Iannone, mas a nova moto só será testada pela primeira vez durante os testes de Sepang, em fevereiro próximo, o que revela que o projeto de MotoGP da casa de Noale está atrasado em relação às equipas rivais.

Aliás, tanto Aleix como Iannone fizeram questão de mostrar o seu descontentamento durante os dois dias de testes, com o espanhol a afirmar que “assim não dá!”, enquanto o italiano, e depois da sua moto pegar fogo, exteriorizou toda a sua frustração na box da equipa e ameaçou mesmo não voltar à pista, algo que depois reconsiderou e acabou mesmo por continuar a testar até ao fim.

Na próxima semana os pilotos de MotoGP estarão em Jerez de La Frontera para continuarem a preparação da temporada 2020. Fique atento ao seu Andar de Moto para ficar a par de todas as novidades!

Galeria testes de MotoGP - Valência 2019

andardemoto.pt @ 21-11-2019 11:04:14


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