MotoGP São Marino – Miguel Oliveira 11º em dia de estreia a vencer para Morbidelli

Piloto português teve um mau arranque que condicionou toda a estratégia para a corrida de MotoGP no Grande Prémio de São Marino. Miguel Oliveira lutou no meio do pelotão e terminou em 11º uma corrida que foi dominada por completo por Franco Morbidelli.

andardemoto.pt @ 13-9-2020 14:40:29

Partir da quarta fila da grelha de partida, do 12º lugar, obrigava sempre a criar e cumprir um plano estratégico especial para garantir uma boa classificação na corrida de MotoGP no Grande Prémio de São Marino. Mas toda a estratégia acabou por ser condicionada pelo mau arranque, momento em que Miguel Oliveira desceu até 15º.

Numa corrida onde o piloto português da Red Bull KTM Tech3 se viu longe dos lugares em que nos habituou nas corridas mais recentes, mais concretamente no GP da Estíria onde venceu de forma impressionante, a batalha no meio do pelotão deixou Miguel Oliveira a ter de “salvar” o máximo de pontos possível.

Entretido numa luta entre pilotos KTM depois de passar por Danilo Petrucci (Mission Winnow Ducati), com Pol Espargaró e Brad Binder, à qual se juntou Aleix Espargaró (Gresini Aprilia), o português foi fazendo várias voltas rápidas consecutivas tendo em vista uma subida à nona posição.


No entanto, já nas últimas voltas, Pol Espargaró conseguiu suplantar Miguel Oliveira e assim cruzar a linha de meta na 10ª posição, com o português a terminar em 11º e assim somar importantes pontos para a classificação de pilotos de MotoGP.

Uma classificação de pilotos que passa a ser liderada por Andrea Dovizioso (Mission Winnow Ducati) depois de Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT) voltar a ceder à pressão de liderar o mundial.



Mas vamos à história da corrida de MotoGP do Grande Prémio de São Marino.

Quando os semáforos apagaram, Maverick Viñales que partiu da “pole position” rapidamente perdeu muitas posições e ficou quase de imediato fora da discussão pela vitória. Também Quartararo não se conseguiu manter na liderança, ao contrário do seu companheiro de equipa Franco Morbidelli, com o piloto italiano da Petronas Yamaha SRT a saltar para a primeira posição e depois a levar consigo Valentino Rossi (Monster Energy Yamaha).

A luta pela liderança foi bastante intensa nas primeiras voltas. Morbidelli, pupilo de Rossi na VR46 Academy, e por isso profundo conhecedor dos segredos do circuito de Misano World Circuit Marco Simoncelli, teve de se defender dos ataques de Valentino Rossi nas fortes travagens do circuito italiano.

Os dois pilotos Yamaha, e que provavelmente serão companheiros de equipa na próxima temporada se Rossi assinar pela Petronas como tudo indica que vai acontecer, conseguiram afastar-se dos perseguidores, um grupo liderado por Jack Miller (Pramac Ducati). Mas Miller, talvez pela escolha de pneus, não conseguiu manter o ritmo e antes de passarmos o equador da corrida estava já em perda, terminado a prova na 9ª posição.


Enquanto isso Morbidelli ia armazenando algumas décimas de vantagem a cada volta completada, uma diferença que se estabilizou em pouco mais de dois segundos para Rossi, que por sua vez teve de se defender de Alex Rins (Ecstar Suzuki) e Francesco Bagnaia (Pramac Ducati).

Com Morbidelli sem cometer erros e a manter um ritmo por volta bastante consistente, a luta pelas posições do pódio animou quando Rossi finalmente cedeu.

Primeiro foi Bagnaia. O jovem italiano regressou este fim-de-semana à competição depois de se ter lesionado (fratura na tíbia), e parecia que nem sequer estava ainda a usar muletas para andar. “Pecco” Bagnaia não perdeu tempo e passou primeiro por Rins, e logo depois no famoso “Curvone” de Misano aproveitou toda a potência da sua Ducati para chegar a segundo.

Rossi viu-se impotente para conter o compatriota, mas o mesmo não aconteceu com Alex Rins, que não conseguiu passar o italiano. Enquanto o espanhol tentava encontrar um espaço para colocar a sua Suzuki GSX-RR na frente da Yamaha YZR-M1 do italiano, outro espanhol, Joan Mir, veio detrás e sem qualquer problema intrometeu-se nesta luta pelo lugar mais baixo do pódio.

Alex Rins não conteve o seu companheiro de equipa durante muito tempo. Na última curva de Misano o principal piloto da equipa de Hamamatsu cometeu um erro, alargou a trajetória e perdeu velocidade na entrada da reta da meta. Joan Mir com uma trajetória perfeita e mais velocidade de ponta passou facilmente por Rins, e de seguida partiu ao ataque a Rossi.



Com uma manobra muito bem calculada e aproveitando os problemas de Rossi com o seu pneu dianteiro (problemas que o italiano sentiu desde meio da corrida), Joan Mir chegou então a 3º e depois tentou atacar o segundo lugar de Bagnaia, mas o italiano não se deixou surpreender e assim cruzaram a linha de meta.

Valentino Rossi, a correr em casa, por pouco não conseguiu o seu pódio 200 aqui em Misano. Terá de tentar novamente no próximo fim-de-semana.

Franco Morbidelli tornou-se assim em mais um piloto a conseguir a sua primeira vitória na categoria rainha nesta atípica temporada de 2020. É o quinto vencedor diferente este ano, e esta é a primeira vez na história do Mundial de Velocidade que temos quatro vencedores estreantes a conseguirem a sua primeira vitória na mesma temporada!

Quanto aos candidatos ao título, Fabio Quartararo, que arrancou mal, terminou da pior forma mais um fim-de-semana onde não mostrou capacidade para aguentar a pressão. O jovem francês sofreu um “low side” ainda nas primeiras voltas, regressou à pista, em 20º, mas depois entrou na box. Voltou à pista para, provavelmente, recolher informações tendo em vista o GP da Emilia Romana, dentro de oito dias. Mas esse regresso foi de curta duração, pois Quartararo voltou a cair e assim deu por encerrada a sua participação no GP de São Marino com zero pontos somados.


Quem aproveitou da melhor forma mais esta “oferta” do francês foi Andrea Dovizioso (Mission Winnow Ducati). Não que o italiano de Forli tenha feito uma corrida soberba. Pelo contrário. Mas foi consistente, não errou, voltou a somar pontos importantes e a mostrar consistência.

Uma consistência que agora o deixa na liderança da classificação de pilotos com 76 pontos, mais 6 pontos do que Fabio Quartararo e mais 13 pontos do que Jack Miller. Joan Mir saltou para quarto com 16 pontos de atraso para Dovizioso, num campeonato emocionante e que ainda tem muito para dar.

Quanto a Miguel Oliveira, este 11º lugar nesta primeira visita a Misano deixa-o na 10ª posição de MotoGP com 48 pontos na sua conta pessoal. O português está a 28 pontos do líder Andrea Dovizioso e terá já dentro de oito dias mais uma oportunidade de se chegar aos lugares de topo.

andardemoto.pt @ 13-9-2020 14:40:29


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