Rali Dakar 2026: etapa 13, vitória épica de Benavides e da KTM, Ventura 3.º em Rally 2

Hoje, dia 17 de janeiro, realizou-se a 13.ª e última etapa da 48.ª edição do Rali Dakar, toda ela na região de Yanbu. Num verdadeiro volte face de última hora, Benavides sagrou-se campeão com uma vantagem de apenas 2 segundos sobre Brabec.

andardemoto.pt @ 17-1-2026 12:31:02

Ricky brabec

Ricky brabec

Se no final da etapa de ontem a estratégia da equipa Monster Energy Honda HRC, liderada por Ruben Faria, levou o norte-americano Ricky Brabec (#9) a reassumir a liderança, com uma vantagem de 3 minutos e 20 segundos, para o argentino Luciano Benavides (#77) isso não garantia a vitória no Dakar.

Coube a Brabec hoje abrir a derradeira jornada, com uma etapa de apenas 141km e uma especial de apenas 105 km, e o inesperado aconteceu. O norte americano fez tudo direitinho até que já nos últimos kms foi traído pela sua própria navegação e talvez nervosismo e perdeu-se! Benavides, que arrancara 3 minutos depois, nunca deixou e acreditar na vitória e foi bafejado pela sorte, é ele o grande vencedor.

Acaba por ser uma vitória épica a de Benavides, um pouco na lógica daquela que o seu irmão Kevin conseguira em 2023 face ao australiano Price em que, na derradeira etapa, conseguiu recuperar de um diferencial de menos de 20 segundos. No entanto, o feito de Luciano tem mais relevo, uma vez que a diferença era muito maior.

Este último dia fica para a história e dá razão ao popular adágio “até ao lavar os cestos é vindima”! Brabec foi, ao longo de toda a prova, de uma regularidade incrível, soube esperar e atacar nos momentos certos e acabou por cometer um erro no último dia, quando a vitória estava quase garantida. Chegou ao final da etapa apenas em 10.º lugar, o que se revelou fatal.


Edgar Canet

Edgar Canet

Os melhores nas motos

Neste último dia o jovem espanhol Edgar Canet (#73) voltou a brilhar e venceu a etapa, abrindo caminho para Benavides. Foi um fiel escudeiro e cumpriu exemplarmente a sua função, sendo que o seu 32.º lugar à geral está muito longe das suas reais capacidades e até chegou a liderar à geral, logo no início da prova. Tem imenso potencial, ajudado pelo facto de ter apenas 20 anos de idade.

Luciano Benavides (#77) arrancou uma vitória a ferros e traz mais um cetro para a Argentina, depois de o irmão ter feito o mesmo em 2021 e 2023. Fez toda a etapa de hoje a acreditar que podia ser campeão e chegou ao fim com apenas mais 6 segundos que Canet. Tem 31 anos e ainda pode continuar a correr mais uns anos nas motos ou mudar-se para as 4 rodas, como fez o irmão.

O espanhol Toscha Schareina (3#) chegou ao final da etapa na 3.ª posição, ocupando esse mesmo lugar na geral. Foi, ao longo de toda a prova, um piloto em excelente forma e esta posição no final mostra isso mesmo, mas não esteve verdadeiramente em condições de lutar pela vitória. Em 2025, terminou em 2.º e em 2026 acaba por cair uma posição.

O 4.º lugar na etapa coube ao rápido sul-africano Michael Docherty (#14) e o top 5 de hoje coube ao francês Van Beveren (#5), que fez 6.º à Geral. Na classificação geral temos o norte-americano Skyler Howes (#10) em 4.º, sendo que o australiano Daniel Sanders (#1) aguentou o 5.º lugar à geral, mesmo debilitado fisicamente e tem como sucessor outro piloto da equipa Red Bull KTM Factory Racing.


Martim Ventura

Martim Ventura

Desempenho dos corredores lusos em duas rodas

Iniciaram esta 48.ª edição do Rali Dakar 4 pilotos lusos em duas rodas, sendo que Pedro Pinheiro da Old Friends Rally Team ficou pelo caminho, mas os outros 3 conseguiram chegar a Yanbu.

Martim Ventura (#84) esteve novamente ao seu melhor nível e terminou a etapa num excelente 9.º lugar, ou seja, mais um dia dentro dos 10 melhores. Fechou o Rali Dakar num excelente 11.º lugar à geral e foi 3.º na Classe Rally 2. Não fora o seu azar no primeiro dia da etapa maratona e certamente teria tido um resultado à Geral ainda melhor. É a grande esperança lusa na modalidade.

Bruno Santos (#35) mostrou ao longo de toda a prova uma elevada maturidade e mostra que a experiência ganha nas duas edições anteriores tem dado bons frutos. Terminou a etapa em 29.º lugar e conserva o seu meritório 17.º lugar na geral. Em 2024 tinha feito 28.º, em 2025 fez 45.º e, se voltar em 2027, será sempre para tentar melhorar este resultado hoje obtido.

Por último, Nuno Silva (#74), estreante na prova tal como Ventura, teve mais um dia de luxo, terminando classificado exatamente no lugar que tem no seu dorsal, ou seja, 74. Encerrou a prova na 85.ª posição, lugar a que tinha ascendido ontem. Se voltar em 2027, será certamente mais forte.


Toni Mulec

Toni Mulec

No derradeiro dia, o jogo do gato e do rato entre as equipas oficiais da KTM e da Honda para o Top 5 acabou por ser vencido pelo construtor austríaco, mas a marca nipónica conseguiu ter mais motos nos 5 primeiros, sendo a ordem a seguinte: KTM, Honda, Honda, Honda e KTM.

Hoje é dia de festejos para todos em Yanbu, tendo ou não atingido os resultados previstos. Chegar ao final, numa prova desta envergadura e grau de exigência, é sempre uma vitória.

Veremos se na edição 49.ª, em 2027, e que virá a anteceder as 50 edições do histórico Rali, se vamos continuar a ter a prova num só país. Há quem defenda o regresso a um figurino em que a prova atravessa vários países, talvez até num formato próximo do original, começando na Europa e terminando em África.

Fonte: Dakar.com

Consulte também: etapa 12, Brabec reassume liderança e é quase campeão, portugueses com dia positivo


andardemoto.pt @ 17-1-2026 12:31:02


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