Indian x Workhorse Speed Shop Appaloosa v2.0 cumpriu “shakedown” na Baikal Mile

As condições extremas da competição Baikal Mile foram um desafio perfeito para a Indian Motorcycle e a Workhorse Speed Shop testarem a mais recente versão da Appaloosa. Sobre o lago gelado de Baikal, a Appaloosa v2.0 mostrou o que uma Scout Bobber altamente modificada pode fazer.

andardemoto.pt @ 25-3-2020 10:30:00

Fabricada originalmente para competir na edição 2019 da Sultans of Sprint e com a lenda de MotoGP Randy Mamola como piloto, a Appaloosa deu que falar entre os aficionados das competições de arranques e velocidade.

A versão original da Scout Bobber altamente modificada revelou estar bem construída e deu espetáculo na Sultans of Sprint. Mas há sempre espaço para melhorias, e por isso a equipa formada pela Indian Motorcycles e elementos da Workhorse Speed Shop trabalharam durante o inverno para apresentar uma nova versão da Appaloosa.

Já aqui lhe falámos que a Appaloosa v2.0 iria ser revelada durante os dias que antecederam a segunda edição do evento Baikal Mile, na Rússia. Na superfície gelada do lago Baikal, a Appaloosa v2.0 foi então revelada ao mundo, com novas cores e bastantes modificações nos seus principais componentes.

E foi então nos últimos dias de fevereiro e primeros dias de março que a Indian x Workhorse Speed Shop Appaloosa v2.0 se estreou na Baikal Mile, um teste que serviu de preparação para a edição 2020 da Sultans of Sprint.

A versão original demorou mais de 700 horas a ser construída, pelo que a equipa não teve muito tempo durante o passado inverno para trabalhar nas modificações para a Appaloosa v2.0.

A ideia de participar na Baikal Mile, e escolher esta competição gélida como “shakedown” para a moto que tem por base uma Scout Bobber, surgiu quando Brice Hennebert pesquisava locais onde testar a moto e deu de caras com fotos e vídeos da primeira edição da Baikal Mile.

Brice ficou imediatamente apaixonado pelo ambiente que encontrou nas fotos, e foi então que decidiu que a Appaloosa v2.0 iria participar na Baikal Mile, na superfície gelada do lago Baikal, Sibéria, o lago mais profundo do mundo.


“Eu não conseguia acreditar em como este evento parecia maravilhoso”, começa por dizer Brice. “Para começar, o lago é gigantesco. Mais de 600 km de comprimento e 80 km de largura. Tem mais de 20% da água doce disponível em todo o mundo! Em cima de tudo isto tem pessoas a construir máquinas loucas, desde engenhos de uma roda até veículos de luxo com lagartas de tanques, e que se juntam para divertir e levar as máquinas ao limite. Eu percebi que tinha de fazer parte disto, e foi fantástico quando tive a luz verde da Indian Motorcycle”.

A partir desse momento, a equipa, e com a ajuda de parceiros como Akrapovic, Beringer, Dunlop, Evok3 Performance, Motorex, Öhlins e Flybike, cumpriu com um rigoroso e muito curto calendário para trabalhar na original Appaloosa, preparando-a para enfrentar as condições extremas da Sibéria, tendo de ter a moto pronta para o transporte até ao lago Baikal no início de fevereiro.

Mas a longa viagem da Appaloosa v2.0 não foi nada quando comparada com a viagem épica de Brice e dos dois amigos e membros da equipa, Sébastien Lorentz e Dorsan “DJ Peeta Selecta”.

A viagem começou com dois voos: Bélgica para Moscovo. O trio ficou na capital russa por uma noite antes de iniciar a parte final da viagem para chegar a Baikal. E como o momento foi especial, os três decidiram tatuar na sua pele uma recordação permanente da viagem.

Ainda com a tatuagem fresca na pele, Brice, Sébastien e Dorsan “DJ Peeta Selecta” apanharam novo voo em direção ainda mais para Este, rumo à região de Ulan Ude, onde tinham à sua espera os outros competidores e uma viagem de 5 horas de autocarro até ao “quartel-general” localizado em Maksimikha.

Mal tiveram tempo de descansar. Assim que chegaram ao hotel, os três amigos tiveram de remover a Indian Appaloosa v2.0 das suas caixas de transporte e voltar a montar a moto a tempo das inspeções técnicas na manhã seguinte.

As temperaturas negativas habituais na região fizeram sentir a sua força gélida! A equipa enfrentou diversas vezes temperaturas negativas de -25 graus Celsius, usando uma tenda de pano equipada com um fogão a lenha para garantir uma temperatura minimamente agradável.


Na tenda os membros da Indian x Workhorse Speed Shopt tiveram a companhia de outras duas equipas, de nacionalidade russa, e dos seus veículos: uma moto fabricada em casa com um motor de um corta-relvas e uma Ural clássica.

“Eles não falavam inglês, nós não falávamos russo. Mas tal como acontece com todos os entusiastas de automóveis e motos, era uma atmosfera amigável. Através de gestos com as mãos e apontar para o que queríamos, fomos capazes de comunicar, ajudar-nos uns aos outros e emprestar ferramentas. É isso que adoro em eventos deste tipo”, comentou Brice Hennebert.

Inspeções técnicas ultrapassadas sem problema, e a Appaloosa v2.0 teve então a sua primeira oportunidade de acelerar.

Sébastien Lorentz foi o piloto encarregue de cumprir a primeira passagem na pista de 1/8 de milha no Lago Baikal. Os pneus Dunlop equipados com pregos fixados à mão conferiram à Appaloosa v2.0 a estabilidade e tração necessárias, e depois de uma segunda passagem rápida na pista de 1/8 de milha, Brice achou que estava na hora de atacar a fundo na pista de 1 milha.

A maior pista no Lago Baikal tem uma milha. É a distância convencional para tentativas de velocidade, mas neste caso particular a extensão da pista é precisamente de uma milha devido ao facto da profundidade do lago ser de uma milha.

A primeira tentativa não correu bem.

O gelo mais profundo revelou-se demasiado irregular, o que por sua vez comprimiu em demasia as suspensões Öhlins. Isso fez com que os pneus equipados com pregos entrassem em contacto com as carenagens traseira e apoio da carenagem frontal. Tiveram de realizar modificações às carenagens.

Ao mesmo tempo a Sébastien foi impedido de atingir a velocidade máxima esperada (200 km/h). Um problema elétrico na Appaloosa v2.0 impedia a moto de ganhar velocidade quando a 5ª e 6ª relações de caixa eram engrenadas.

Algumas das modificações para tentar resolver os problemas incluiram a remoção do “quickshift” e do Power Commander, aumentar ligeiramente a pressão dos pneus, e Dorsan ficou então com a missão de remover alguns pregos dos pneus para reduzir o peso.

À exceção do problema elétrico, todas as alterações realizadas na Indian x Workhorse Speed Shop Appaloosa v2.0 tiveram bons resultados. A equipa decidiu por isso fazer um “reset” à centralina de competição, cujos mapas não estão desenvolvidos para funcionar a temperaturas tão baixas.

A terceira e última tentativa de percorrer a pista de 1 Milha foi uma tentativa de “tudo ou nada”.

A equipa liderada por Brice optou por arriscar e usar a botija de óxido nitroso NOS.

A Appaloosa v2.0 arrancou bem, mas rapidamente Sébastien voltou a não poder atingir mais velocidade. O problema elétrico persistia. Nesta terceira tentativa a Appaloosa v2.0 atingiu os 180 km/h, um pouco áquem dos 200 km/h que tinham definido como objetivo.

A equipa, e depois de analizar os dados recolhidos e os resultados obtidos, acredita que a segunda versão desta Indian Scout Bobber altamente modificada perdeu cerca de 30% do seu potencial devido às condições climatéricas e problema elétrico.

Nesse sentido, a Indian x Workhorse Speed Shop Appaloosa v2.0 parece estar pronta para acelerar a fundo na próxima Sultans of Sprint.

andardemoto.pt @ 25-3-2020 10:30:00

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