Fábio Figueiredo

Fábio Figueiredo

À procura de um caminho alternativo

OPINIÃO

Estou oficialmente na Ásia

De Tallinn, Estónia, até ao Cazaquistão

Já oficialmente na Ásia, era altura de descontrair. Ontem tinha-me arrependido de não ter acampado e hoje, apesar da distância mais modesta que me separava da próxima cidade, não estava tão relutante em parar mais cedo para acampar junto à estrada e desfrutar deste sentimento de individualismo que é dos maiores tesouros que este país tem para oferecer.

andardemoto.pt @ 11-10-2019 15:37:59 - Fábio Figueiredo

Pelo caminho, (manadas) de cavalos selvagens e os camelos que começavam a ser lugar comum oficializavam a minha presença num deserto a sério. Junto aos aldeamentos dispersos, pastores montados em motas de duas e quatro rodas arrebanhavam o seu gado, ajudados pelos seus cães, por caminhos já batidos do calcotear diário dos rebanhos. Este era o quotidiano deste povo que ainda tem ligações muito fortes ao seu passado nómada.


Era isto que eu queria ver. Foi para isto que cá vim. De alguma forma sentia-me ligado à herança histórica que identifica esta gente.
Hoje não iria desperdiçar a oportunidade de comungar neste espírito de isolamento. 
Há inúmeros motivos para andar de mota. Um dos mais importantes para mim é esta ligação que consigo ter comigo mesmo. Há quem considere solidão, mas eu vejo como intimidade, um ensejo para ficar de um para um connosco mesmos. Hoje em dia quem se consegue lembrar da última vez em que olhou para si mesmo com aceitação completa, com a intenção de descobrir quem é essa pessoa que nos olha do outro lado do espelho? Nem eu. E era altura.
Não sei quantos quilómetros fiz. Queria ficar perto de Beyneu, de onde tinha intenção de partir para o deserto a Sul. Encontrei um sítio onde poderia sair da estrada para ficar atrás de um monte, protegido do vento e fora de vista, o que era difícil em locais onde se conseguia ver por mais de dez quilómetros. 
Quando encontrei, segui a direito, em direcção a um monte. Via um trilho à distância: já tinham andado por cá. Segui o trilho e a mota começou naquela dança familiar a quem anda em areia. Eu não sou dessas pessoas. Gosto do asfalto. Não estava fácil e momentos depois deixei cair a mota. E outra vez pouco depois. Tinha o portátil novo na mala lateral e estava receoso de o poder estragar.
Uns 2 km depois parei. Parecia um bom sítio. Acampei, preparei o jantar (linguini com chouriço) e aproveitei o pôr do sol que agraciou este dia que acabou sob um céu estrelado extraordinário.

Esteja atento, porque o Fábio Figueiredo ainda continua a viajar...


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andardemoto.pt @ 11-10-2019 15:37:59 - Fábio Figueiredo


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