Rodrigo Alves de Paula

Rodrigo Alves de Paula

Desenhista, estudante de Engenharia Civil e motociclista

OPINIÃO

A moto na nova mobilidade urbana

Quem anda pelas ruas das cidades brasileiras já deve ter notado uma quantidade cada vez maior de motos e scooters presentes nas vias e estacionamentos, pilotados por diversos tipos de pessoas e profissionais. Talvez até quem esteja lendo este artigo seja um(a) proprietário(a) de uma motocicleta. Não é uma mera impressão: o número de emplacamentos de motos novas no mercado brasileiro em 2019 atingiu mais de 1 milhão de unidades, um crescimento de 14,5% em relação a 2018.

andardemoto.com.br @ 30-1-2020 15:56:33 - Rodrigo Alves de Paula

Derrubando o mito de que a moto é um veículo que faz sucesso somente em países pobres e sem transporte público eficiente, a venda de motocicletas na Europa também vem crescendo. Em 2019, a França teve aumento de mais de 15% na venda de motocicletas e scooters, o mercado italiano de veículos motorizados de duas rodas subiu 6,1% e a venda de motos elétricas na Espanha teve um crescimento de mais de 80% no ano passado.

Aqui no Brasil, um tipo de motocicleta que vem fazendo grande sucesso é a scooter, simpáticos veículos com câmbio automático e design moderno; as vendas cada vez maiores desses modelos estão movimentando a indústria brasileira de duas rodas, cujos lançamentos foram os principais destaques da última edição do Salão Duas Rodas,

Mesmo fazendo parte do dia-a-dia de milhões de pessoas, a moto é praticamente ignorada em diversos planos e projetos de mobilidade urbana sustentável; em alguns casos, ela é vista como um verdadeiro empecilho para a vida das cidades, caracterizando-a como "perigosa", "poluente" e "transporte de Terceiro Mundo". Há quem defenda até mesmo o seu banimento das ruas.

Porém, a moto pode ajudar (e muito) na construção da mobilidade urbana sustentável de maneira eficaz e de diversas formas:

  • Uma moto ocupa apenas 2,5 m² de espaço na rua, 75% a menos que um automóvel, promovendo assim melhor fluidez de trânsito com menor quantidade de pistas asfaltadas e concretadas, evitando a construção de novas vias (reduzindo a impermeabilidade do solo urbano) e diminuindo os congestionamentos viários.
  • Os modelos mais recentes apresentam baixa emissão de poluentes e há motos bicombustíveis (gasolina/etanol) existentes no mercado. Foi-se a época em que moto poluía mais que um automóvel devido ao carburador e escapamento mais simples.
  • Há motos elétricas já disponíveis no mercado brasileiro, como os da Voltz. Apesar da autonomia relativamente limitada, são veículos ideais para trajetos urbanos diários; no entanto, modelos elétricos com autonomia suficiente para trajetos rodoviários de curto percurso estão sendo desenvolvidos na Europa e EUA.


Para serviços de frete urbano e micromobilidade, a moto se apresenta mais vantajoso que o automóvel pela sua flexibilidade, fácil condução, baixa manutenção e estacionamento em qualquer vaga; em São Paulo, já existe uma start-up de compartilhamento de scooters elétricas, a Riba Share. Mesmo em serviços de emergência, como primeiros-socorros, a moto se mostra uma alternativa interessante de acesso ao local do ocorrido, podendo até salvar vidas.

Quando se fala de moto, inevitavelmente são citados os acidentes envolvendo esse tipo de veículo; afinal, só no Estado de São Paulo, mais de 26 mil pessoas foram internadas nos hospitais estaduais após se envolverem em acidentes de moto em 2018. Porém, é preciso saber que a moto em si não é perigosa - perigoso é o seu mau uso. Assim sendo, medidas de combate aos acidentes devem ser adotados, tais como:

  • Mudanças na formação do motociclista e motorista, tornando-a mais rígida e voltada para a direção defensiva
  • Aprimoramento da fiscalização de trânsito contra os infratores, tornando-a mais intolerante e abrangente
  • Mudanças nas leis de trânsito, adotando-se o cancelamento da CNH do motociclista a longo prazo (cinco a dez anos) em caso de infração gravíssima
  • Educação no trânsito como parte do currículo dos alunos do Ensino Médio


Como foi apresentado neste breve artigo, a moto e a scooter são veículos que podem ajudar na redução dos congestionamentos e da emissão de gases que provocam as mudanças climáticas. Elas vieram para ficar e merecem um espaço na cidade eco-sustentável do Século XXI.

É preciso quebrar o preconceito que existe contra as motocicletas e incluir esses versáteis veículos nos planos de mobilidade urbana sustentável pois eles podem trazer tanto benefícios quanto a bicicleta, a patinete, o transporte urbano eficiente, o carro elétrico e as calçadas.

andardemoto.com.br @ 30-1-2020 15:56:33 - Rodrigo Alves de Paula


Clique aqui para ver mais sobre: Opiniões