Editorial

EDITORIAL

ANDAR DE MOTO em tempo de Covid-19

Todos sabemos que o Covid-19 anda por aí. Mas à luz do que se sabe hoje, 20 de maio de 2020, ele não tem autonomia de deslocação ou, se preferirem, não se desloca sozinho. Nós, os seres humanos, é que o transportamos. Somos o seu veículo particular. Esta é a nossa opinião, validada pelo reconhecido virologista Pedro Simas.

andardemoto.pt @ 24-5-2020 15:50:45 - Editorial

A Direção Geral de Saúde (DGS) diz que: “É de conhecimento público que o risco de transmissão aumenta com a exposição a um número acrescido de pessoas, especialmente em ambientes fechados, dado que a aglomeração de pessoas e o contacto físico entre pessoas ou com superfícies contaminadas são fatores importantes de transmissão da COVID-19”.

Perante o referido pela DGS, constatamos que numa moto circulam, no máximo, duas pessoas, e na maioria dos casos apenas uma. Quanto ao “ambientes fechados”, decididamente não se aplica às motos. Também quando andamos de moto, mesmo em grupo, facilmente podemos evitar a “aglomeração de pessoas” e o “contacto físico entre pessoas”, assim como “com superfícies contaminadas”, sabendo todos que é fundamental a utilização das luvas na condução de moto/scooter. Mas já vamos aos detalhes, mais à frente.

Dado não haver em Portugal, até ao momento, diretivas ou recomendações especificas para a utilização da moto ou scooter, baseamos esta nossa opinião nas recomendações gerais de comportamento da DGS, “SAÚDE E ATIVIDADES DIÁRIAS - Medidas Gerais de Prevenção e Controlo da COVID-19”, de 14 de maio de 2020, que podem ser consultadas aqui.

Chegam-nos informações de outros países, como Espanha, Itália e França, de recomendações no sentido da utilização de veículos de duas rodas para deslocações diárias e não só, nomeadamente motos/scooters e bicicletas. Compreensível, pois são países onde as motos/scooters ajudam há muitos anos na diminuição da poluição, descongestionamento do tráfego e estacionamento. Basta pensar por exemplo em grandes cidades como Paris, Barcelona, Madrid e Roma, onde as motos/scooters têm uma presença diária e massiva.

Em tempos “normais” já todos os motociclistas conheciam as vantagens das motos/scooters, sobretudo nas grandes cidades, já para não falar do prazer e liberdade que estes veículos proporcionam e que só quem experimenta consegue compreender.


Mas valerá a pena relembrar algumas vantagens para os que só agora têm os primeiros contactos com o “mundo das motos”:

  • Contribuem para o descongestionamento do tráfego, dado que são veículos de dimensões reduzidas. Assim, diminuem os engarrafamentos para benefício de todos os utilizadores de ruas e estradas, incluindo os transportes públicos;
  • Reduzem o tempo de viagem. Em cidade, andar de moto permite reduzir o tempo de viagem entre 50 a 70%;
  • Permitem deslocações de curta e longa distância, possibilitando assim a deslocação urbana e interurbana, através de ruas, estradas e autoestradas;
  • Têm baixas emissões poluentes, partículas e CO2. Nas últimas duas décadas, os limites de emissões das motos/scooters foram reduzidos em mais de 90%;
  • Têm grande eficiência energética, contribuindo fortemente para a melhoria do ambiente. Por serem veículos leves e de dimensões reduzidas, minimizam o impacto geral ao nível dos transportes e das rodovias;
  • Racionalização dos custos dos cidadãos com transportes, dado que há motos/scooters muito económicas, tanto na aquisição como na manutenção. De um modo geral é assim, com exceção de alguns exemplares;
  • A segurança, nos últimos anos, tem aumentado de forma extraordinária neste tipo de veículos. O ABS é obrigatório em todos os modelos, a eletrónica é omnipresente com as mais diversas ajudas à condução, o que desagrada a alguns, mas que são, sem dúvida, fortes contributos para a segurança;
Podíamos continuar a enumerar muitos outros aspetos de segurança ativa e passiva e muitas outras vantagens deste tipo de veículo, em tempos ditos normais.

Mas vamos voltar ao tempo do Covid-19, já apelidado de “o novo normal”.

Não temos conhecimentos científicos sobre vírus nem especificamente sobre o Covid-19, mas analisando as recomendações gerais da DGS, que já referimos no início e a apreciação deste artigo pelo virologista Pedro Simas, parece-nos que passámos a ter mais uma vantagem em andar de moto.

Não havendo evidência científica de que o vírus "anda" aí pela atmosfera, "à solta", então a moto/scooter é um meio de transporte fantástico para manter a distância física e diminuir as probabilidades de contágio.


Para que essa “nova vantagem” seja efetiva, consideremos os seguintes pressupostos:

  • Utilização de capacete, de preferência fechado, integral ou modular. Obrigatório há muitos anos;
  • Utilização de luvas específicas e adequadas à estação do ano. Já era recomendável;
  • Utilização de vestuário específico e adequado à estação do ano. Já recomendável em “tempos normais”;
  • Utilização de calçado “técnico” para andar de moto. Igualmente recomendável em “tempos normais”.
  • Não esquecer a inerente vulnerabilidade do motociclista e por consequência, ter as precauções adequadas às diversas situações e conduzir com responsabilidade.

Em tempos de “novo normal”

Agora em tempos de “novo normal”, em nossa opinião, devemos passar a andar com um recipiente de “gel desinfetante”. Antes de colocarmos as luvas, vamos desinfetar as mãos e deixá-las secar bem.

Como já era recomendável, e agora ainda mais, não devemos partilhar equipamento, nomeadamente o capacete e as luvas.

Também devemos trazer connosco uma máscara social para quando deixarmos a nossa moto/scooter. Depois de retirarmos o capacete e demais equipamento, devemos utilizá-la para cumprir as novas regras de comportamento em sociedade.

Caso levemos alguém “à pendura”, essa pessoa deve seguir os mesmos procedimentos que o condutor. O “pendura” deverá ser alguém com quem coabitamos, por motivos de proximidade.

E relativamente aos tão desejados passeios em grupo?

Seguindo o mesmo raciocínio, os procedimentos são os mesmos que já enunciámos. Nesses casos, acresce o cuidado redobrado na distância entre motos, que já fazia parte das boas práticas. E na altura de parar e conviver fora da moto, devemos proceder de acordo com as recomendações normais para qualquer situação desse género, nomeadamente a utilização de máscara e assegurar a distância física.

Vamos conduzir com responsabilidade para que ANDAR DE MOTO seja um prazer!

Apreciação científica:

Pedro Simas

Pedro Simas

Antes de publicar este artigo tivemos oportunidade de o submeter à apreciação científica de Pedro Simas - Professor de virologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular.

Na sua opinião, e à luz dos conhecimentos actuais, em resumo, disse-nos o seguinte: "Concordo com a essência do que é referido no artigo! Dadas as características das motos, e pelo que hoje conhecemos da transmissão do vírus, a moto é, de facto, um veículo de transporte em que a probabilidade de contrair Covid-19 é menor. Sendo assim e perante o que escreveram, pode-se considerar que os motociclistas passaram a ter mais uma vantagem em andar de moto."

Nota: queremos agradecer publicamente ao professor a disponibilidade, simpatia e ajuda que nos deu.

andardemoto.pt @ 24-5-2020 15:50:45 - Editorial


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