Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

Era suposto estar em Portimão a ver o MotoGP…

Não há forma de esconder a verdade! Tal como muitos de vós, estou neste momento particularmente triste! Mais ou menos na proporção do que fiquei alegre ao saber que a última prova da temporada de MotoGP 2020 seria em Portugal no fantástico carrocel de Portimão, mais conhecido por AIA!

andardemoto.pt @ 21-11-2020 19:02:11 - Pedro Pereira

Assim que começou a disponibilização de bilhetes pensei imediatamente em comprar, mas dada a situação pandémica que se vivia (e continua a viver, infelizmente) decidi aguardar mais algum tempo. Afinal de contas, um pouco de prudência não faz mal a ninguém…

Fiquei ainda mais entusiasmado ao saber que o AIA iria também ter uma ronda da Formula 1, cerca de 1 mês antes, e foi esse o gatilho para avançar para a compra do bilhete e proceder à reserva de hotel, mas apenas para o MotoGP já que o malfadado dinheiro não é elástico.

Na minha perspetiva a prova da categoria rainha do desporto automóvel iria servir como balão de ensaio, mas pensei positivo: lotação bastante limitada face à capacidade global do AIA, medidas rigorosas em termos de distanciamento social, maior acompanhamento das autoridades… tinha tudo para dar certo! Até a situação da pandemia no nosso país estar relativamente calma me tranquilizou. Estava tudo a correr bem!

Porém, nesse fim de semana muita coisa foi diferente do previsto! Do que vi na televisão e dos testemunhos das pessoas que lá estiveram, percebi facilmente que várias coisas correram mal, nomeadamente em termos organização, e na não utilização generalizada de máscaras e da manutenção da distância entre as pessoas que foram assistir…

Para agudizar, os números da Covid começaram a acelerar vertiginosamente, tal como as nuvens negras sobre a possibilidade de a prova vir a ser realizada sem quaisquer espetadores, e a minha preocupação foi crescendo.No dia 31 de outubro, após um Conselho de Ministros, a bomba caiu com estrondo e foi o Primeiro-ministro que trouxe a má nova: “Já foi comunicado ao promotor que o Grande Prémio de motos não terá público, porque está revelada a incapacidade de organizar eventos com público. Não podemos voltar a correr riscos, e, portanto, não está autorizado".

De nada iriam servir as reuniões com a DGS, as medidas já tomadas ou a tomar e nem mesmo o trágico impacto sobre a economia regional (o Turismo do Algarve aponta para cerca de 70 milhões de euros) mudaram o rumo dos acontecimentos!



Eu que já até sonhava com uma bela voltinha de moto a caminho do Algarve e respetivo regresso, jantar uma bela caldeirada de peixe, talvez até mesmo em ouvir novamente a “Portuguesa”, após uma corrida genial do nosso Falcão… tudo ruiu como um castelo de cartas!

Imaginei então nesse dia ir fazer um simpático passeio motard com 2 ou 3 amigos, com almoço a meio, para ver a prova na televisão, mas até isso me foi brutalmente arrancado! Para piorar, vivo num dos “tais” concelhos de risco mais elevado, pelo que é suposto estar em confinamento… a partir das 13:00! Ou seja, mais um balde de água fria, dando razão à máxima popular de que uma desgraça nunca vem só!

Quando liguei para o hotel para desmarcar a reserva, ouvir a rececionista, com voz triste, a dizer que estavam a receber muitos outros telefonemas e mails similares, só veio aumentar mais o meu desânimo e temer pelos empregos desta gente já tão fustigada…

Como se não bastasse, já pedi informação para o reembolso dos bilhetes, mas ainda não tive resposta e imagino que, como eu, igualmente devem estar muitos milhares de pessoas! 

Até para poder ver a prova na tv sou alvo de extorsão! O meu lote de canais disponíveis não contempla nenhum que me permita assistir à prova e o meu local de eleição para assistir está encerrado a partir das 13:00.. Já me preparava para algum “malabarismo” online quando soube, através do seu Andar de Moto, que a SportTV me permitia, pagando 4,99 Euros, ver os 3 dias de corridas. É o chamado pay per time. o valor não é significativo, mas é um mau precedente!


Relativamente a 2021, a Dorna ainda não deu qualquer garantia de que venha a realizar-se uma prova em solo luso. Na prática, ficamos como prova de “reserva”, ou seja, só em caso de haver problemas graves noutro circuito é que podemos ter esperança de que a prova se realize em Portugal...

Vamos ser claros e honestos: a Covid é para ser levada muito a sério e o número de contágios, mortes, os efeitos na economia, a fadiga dos profissionais de saúde… são uma verdadeira tragédia e isso não pode ser ignorado de modo algum.

Porém, paira no ar a suspeita que existem vários pesos e medidas. Basta pensar na Festa do Avante, Casamentos autorizados para 200 pessoas ou na Formula 1, mas podia dar outros exemplos, de como neste país parece que existem regras que se aplicam mais a uns do que a outros e mais não escrevo... 

Além disso, como pessoa e motard também me considero responsável e cuidadosa e imagino que aqueles que estão a ler esta crónica também o sejam e iríamos acatar todas as ordens que nos permitissem assistir a este grande evento, até porque a organização também iria aprender com os erros.

Vou ficar por aqui. É com grande mágoa que aceito uma deliberação com a qual não concordo, e por isso não abdico do meu direito à indignação!

Espero que, ao menos, sirva para alguma coisa esta decisão e, já agora, que o “nosso” Miguel Oliveira nos dê mais uma alegria. Bem que dela precisamos, neste momento de desalento e angústia!

andardemoto.pt @ 21-11-2020 19:02:11 - Pedro Pereira


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