Nova Multistrada 950: mais dócil que a versão de 1200 cc
Aventureira da Ducati chega ao Brasil por R$ 59.900. Com motor de 113 cv de potência, promete ser mais versátil e racional que sua irmã maior
@ 3-11-2017 00:02:44
Muita gente sonha em ter uma motocicleta para ir trabalhar, encarar uma aventura fora do asfalto, fazer um longo tour e acelerar na pista com muita adrenalina. Os engenheiros da Ducati garantem que essa moto é a Multistrada 950. Ela acaba de chegar ao Brasil custando R$ 59.900 e seu trunfo é a capacidade de se adequar a estas situações graças à versatilidade de sua ciclística, modos de pilotagem que alteram o comportamento do motor e os kits de personalização.
Com essa promessa na cabeça fomos à pista conhecer a Multistrada 950 em terras brasileiras. Com preço definido outra dúvida pairava no ar: ela é mais legal que a Multistrada 1200 que tem um poderoso motor de 160 cv e 13,9 kgf.m de torque?
Para começar, a Multistrada 950 é mais alta que a 1200 e exige habilidade do piloto para não deixar cair seus 224 kg em manobras ou em baixas velocidades. Para contornar o problema a Ducati oferece bancos mais baixos como opcionais: na medida de 820 ou 860 mm, ao custo aproximado de R$ 1.800.
Ao assumir o cockpit da Ducati 950, o piloto se depara com um grande painel com tela LCD. Lá estão informações como a marcha engatada, velocímetro digital, autonomia do tanque de combustível entre outros dados. Porém a mais importante é qual entre os quatro modos de pilotagem foi selecionado, afinal isso faz toda a diferença.
Partida acionada o motor V2 desperta com seu urro peculiar, sempre forte e encorpado. São 113 cavalos de potência disponíveis em 9.000 giros, mas o grande barato dessa Ducati é o torque. O par máximo de 9,8 kgf.m atinge seu ápice nas 7.500 rotações, mas a apenas 3.000 rpm cerca de 80% da “força” já está disponível. O câmbio de seis marchas tem engates precisos e em pouco tempo já é possível se familiarizar com esta nova Ducati.
Tudo graças a sua ciclística que tem uma receita bem acertada com o motor. O quadro moldado em tubos de aço abraça o propulsor, a suspensão invertida na dianteira e a balança dupla na traseira são totalmente ajustáveis; as rodas de liga de 17 polegadas na traseira e 19 na dianteira usam pneus de uso misto Pirelli Scorpion Trail, mas que vão bem no asfalto.
O conjunto de freio (disco duplo na frente e simples, atrás) consegue transmitir a confiança na mesma proporção que o motor instiga a acelerar cada vez mais. Além disso, nas entradas de curvas o piloto pode reduzir sem dó, pois a embreagem deslizante consegue evitar o “quique” da roda nas desacelerações mais violentas.
Se os engenheiros da Ducati planejaram uma moto para alegrar todos os públicos, eles acertaram com a 950. Dependendo de como se escolhe a entrega de potência do motor (que vai dos modos “mansos” como urban ou enduro, passando pelo comportado touring até chegar ao insano sport) o comportamento muda completamente.
Ela varia de uma comportada tourer a uma ousada esportiva, com o simples toque de um botão. De acordo com a posição escolhida a injeção eletrônica dosa a quantidade de mistura (ar + combustível) para se adequar às necessidades da moto com aquela configuração.
Segundo Eduardo Oshida, gerente de pós-venda da Ducati, a mesma mágica acontece no controle de tração ao perceber que a roda traseira está mais “rápida” que a dianteira – ou seja, patinando.
Entre os modos urban e o sport, por exemplo, a sensação é de andar em motos diferentes. No caso do urban a potência se limita a 75 cv cavalos; enquanto no sport a potência máxima está à disposição do piloto. Além da potência, os controles de tração (com oito níveis de ajuste) e o ABS (com três níveis) se tornam menos intrusivos. É como se a moto dissesse “agora é com você, fique à vontade”.
Além dos controles eletrônicos, a nova Multistrada 950 tem uma série de acessórios para torná-la ainda mais adequada às necessidades dos proprietários. O kit urban (cotado a R$ 4.320) oferece o top case, bolsa tanque e cabo de energia com porta USB. Já o kit enduro (R$ 9.000) traz protetor de motor, pedaleiras em aço, protetor do radiador, faróis de LED e protetores laterais.
Quem pensa em usar a Multistrada para viagem poderá contar com a opção de kit touring (R$ 5.430), malas laterais e cavalete central. Além do tanque de combustível com capacidade para 20 litros e que representa uma autonomia superior a 300 km. Com revisões programadas para 1.000, 15.000 e 30.000 km a Multistrada apela também para o lado racional do consumidor.
950 ou 1200?
Comparando a Multistrada 950 com sua irmã de 1200 cc, que tem preço inicial de R$ 69.900, as diferenças já estão visíveis na ficha técnica. Mais potente e torcuda (160 cv e 13,9 kgf.m), os 232 kg da Multistrada desafiam o piloto e dificulta a convivência com o trânsito urbano.
Quem usa a 1.200 diz que ela chega a cansar na cidade, principalmente ao encarar congestionamentos. Porém, é inegável que a 1200 é entrega muito mais desempenho e emoção ao consumidor.
Mas olhando pelo prisma de quem procura um modelo mais versátil, a nova Multistrada de 950 cc se firma como opção mais interessante para quem precisa de uma moto para usar no dia a dia e curtir no final de semana. Já a Multistrada 1200 é para aqueles que têm sede de adrenalina e não dispensam uma tocada esportiva, em qualquer situação.
@ 3-11-2017 00:02:44
Galeria de fotos
Foto 1 de 2: Com peso a seco de 213 kg a Multistrada 950 é fácil de manobrar, mas exige pernas longas
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