Teste SYM HD300 - Renovação total

As scooters de roda alta não são as favoritas dos portugueses. Mas a SYM acredita que com a nova HD300 vai conseguir contornar esta tendência lusa. E a verdade é que a nova HD300 tem realmente argumentos muito fortes nesta renovação total que sofreu para 2019.

andardemoto.pt @ 21-5-2019 08:00:00 - Texto: Bruno Gomes

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Sym HD 300 | Scooter | Motociclos A2

Sejamos honestos: em Portugal o segmento de scooters de roda alta não é bem visto, ou melhor, bem aceite. É um facto que as vendas destes modelos são quase residuais num mercado onde os motociclistas continuam, quase sempre, a preferir as scooters de rodas baixas pela sua maior agilidade e capacidade de carga debaixo do assento.

Na Europa, e em alguns dos principais mercados do Velho Continente, como Itália, França, ou Espanha, as scooters de roda alta são as mais vendidas. É por isso que a SYM não se deixa ir abaixo nesta “luta”, e para 2019 decidiram renovar totalmente a HD com as suas jantes de 16’’. 

A nova HD300 sofre uma mudança radical de estilo, performance, e também ao nível da qualidade de acabamentos e materiais, que a colocam como uma das opções mais equilibradas dentro do segmento, onde também encontramos a Honda SH 300 e a Beverly 300 como rivais diretas, mas a preços superiores.

Pouco ou nada sobrou da sua predecessora. A SYM HD300 foi quase desenvolvida a partir de uma página em branco. E isso nota-se nas suas linhas dinâmicas, fluídas, e com uma aspecto muito mais europeu do que anteriormente. A aposta por parte da marca de Taiwan, foi de tornar esta HD300 numa moto muito mais sólida, e o resultado final é extremamente positivo.

A iluminação é praticamente toda em LED, com as óticas bem embutidas nas carenagens. As luzes diurnas, em LED, são também um elemento que torna a HD numa scooter de imagem distinta. 

Apenas os intermitentes traseiros não são em LED. Ainda assim, a noção de qualidade é superior ao que conhecemos na grande maioria dos modelos SYM, cortesia de um novo painel de instrumentos, uma mistura entre analógico e digital, com as informações dispersas de forma facilmente legível.

Ao contrário da anterior geração, esta HD300 já não dispõe de plataforma plana, essa característica tão bem-vinda a quem utiliza a scooter no meio urbano, onde é necessária maior facilidade de acesso e maior capacidade de carga. Porém isso fica a dever-se à utilização de um novo quadro que recebe um reforço estrutural ao centro, o que por sua vez obrigou ao reposicionamento do depósito de combustível.

Dinamicamente é uma opção mais vantajosa, pois esta SYM de roda alta promete um comportamento mais eficiente em andamento. Mas por outro lado, perdemos um pouco de espaço para as pernas e pés, embora a plataforma da nova HD300 ofereça espaço suficiente e confortável.

E por falar em dinâmica, a SYM alterou outros elementos da ciclística: as suspensões têm agora um maior curso, o travão de disco frontal é recortado, de maior dimensão (287 mm) e tem ABS. 

Em termos de utilização, esta HD300 também não fica nada mal vista com as alterações realizadas na estrutura, pois com 38 litros de capacidade debaixo do assento cabe bem mais do que um capacete integral. Para pequenos objetos um espaço no avental frontal, sem fechadura, conta com porta USB para carregar dispositivos móveis.

Porém a maior novidade acaba por ser o motor. A marca de Taiwan optou por uma unidade motriz de nova geração, um monocilíndrico de 278 cc, obviamente alimentado por injeção eletrónica. O cilindro conta com um novo revestimento cerâmico, o que por sua vez permite que trabalhe a uma temperatura consideravelmente mais baixa. Isso resulta num menor desgaste mecânico, que permite à SYM oferecer uma garantia fantástica: 5 anos ou 100.000 km!


Conduzir a SYM HD300 é uma experiência que primeiro se estranha, mas depois se entranha. Fica claro que, como em tudo na vida, algumas opções têm os seus pontos positivos e negativos. A utilização das grandes rodas de 16’’ requer alguma habituação, especialmente na inserção em curva.

Os pneus esguios e uma direção direta contribuem para sentirmos um bom “feedback” da direção, mas a forma como a HD300 se deixa cair para as curvas pode ser um pouco intimidatória de início. Já em inclinação, até mesmo os condutores menos experientes não vão encontrar dificuldades em manter esta scooter na trajetória, e é mesmo possível adotar uma condução bastante agressiva antes do descanso lateral começar a raspar, com ruído, no asfalto.

Felizmente as rodas de 16’’ têm as suas vantagens em percursos mais abertos. Em conjunto com a grande distância entre eixos, de 1500 mm, a nova HD300 oferece uma excelente estabilidade em linha reta. Mesmo nos percursos onde o asfalto está mal tratado, esta SYM passa qualquer obstáculo sem dificuldade e em total conforto, com as suspensões a revelarem uma afinação ajustada para ambiente citadino e até extra-urbano, absorvendo bem os impactos maiores.

Uma nota ao nível do conforto para o excelente assento: a 800 mm de altura, a diferenciação entre espaço do condutor e passageiro está bem conseguida e garante bom apoio lombar. Sem esquecer que está muito bem almofadado para viagens de média duração.

Com 27 cv de potência às 8000 rpm, o motor monocilíndrico com uma única árvore de cames revela um comportamento suave, potente, e linear, sem grandes vibrações apesar do aumento da rigidez estrutural do quadro. Com um tato do acelerador quase perfeito e a responder de forma doseável aos nossos impulsos, o motor da HD300 sobe rapidamente de rotações, e sem darmos por isso estaremos confortávelmente a rolar a 130 km/h, sem que o motor se sinta em esforço ou revele consumos exagerados.

Neste contacto com a SYM HD 300 verificámos uma média a rondar os 3 litros aos 100 km, o que tendo em conta o tipo de percurso e condução adotada, é um bom registo, um valor que facilmente baixa em condução urbana.

É claro que durante o percurso deste teste consegui testar os novos travões. Com o ritmo imposto bem acima do habitual para este tipo de scooters, o novo travão frontal de disco recortado é garantia de potência de travagem, doseável, e com a ajuda extra do obrigatório ABS fui travando sempre sem qualquer receio, e sem sentir fadiga. O tato da manete é muito bom.

Veredicto SYM HD300

Não será fácil de convencer os motociclistas portugueses a optarem pelas scooters de roda alta. Somos um povo de personalidade vincada, e como em tantas outras coisas na nossa sociedade, revelamos gostos e preferências bastante distintas em comparação com outros motociclistas europeus.

Mas a verdade é que a nova HD300 da SYM toca nos pontos certos para este tipo de scooters. É difícil apontar-lhe uma falha grave, pois nem mesmo as rodas de 16’’ conseguem roubar-lhe espaço de carga debaixo do assento. Aliás, se pretender, a SYM instala de fábrica a base para suporte da top-case, só para o caso de achar que 38 litros de capacidade debaixo do assento não são suficientes.

Com um comportamento dinâmico onde apenas o momento inicial de inserção em curva se revela algo “estranho”, mas que após alguns quilómetros já nos habituamos ao comportamento da direção, com suspensões bem afinadas e um assento extremamente confortável, a HD300 é uma roda alta de alta rotação. A renovação total realizada pela marca de Taiwan foi bem conseguida e merece nota bem alta! Até porque o preço a que é proposta (4.499€) deixa-a um patamar de valores abaixo das rivais diretas em solo nacional.


Galeria SYM HD300

Neste teste utilizámos o seguinte equipamento de proteção

- Capacete Nexx SX.100

- Blusão Macna Night-Eye

- Calças Rev’it Orlando 2 H2O

- Luvas Macna Revenge 2 H2O

- Botas TCX X-Blend WP

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Sym HD 300 | Scooter | Motociclos A2

andardemoto.pt @ 21-5-2019 08:00:00 - Texto: Bruno Gomes