Teste Peugeot Pulsion 125 Allure - A GT urbana e conectada
A marca do leão aposta forte no reforço da sua gama “premium”. A Pulsion 125, que testámos na variante Allure, oferece um comportamento de verdadeira GT com muita tecnologia que nos permite estar sempre conectados ao que nos rodeia.
andardemoto.pt @ 19-11-2019 10:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Na
fábrica de Mandeure sabem como fabricar todo o tipo de scooters. Aí, no “quartel-general”
da Peugeot, são fabricadas motos de excelente qualidade, mas a especialidade
desta fábrica francesa são as scooters “premium” GT.
Aproveitando a forte ligação ao mundo dos automóveis da Peugeot, a divisão de
duas rodas da marca apostou no lançamento de uma nova Pulsion 125, com
características de Grand Touring mais vincadas e recheada de tecnologia que
deriva de alguns modelos de quatro rodas da Peugeot.
A primeira impressão, quando estamos prestes a sentar-nos na nova Pulsion 125, é de
que esta é mesmo uma GT na verdadeira acepção do que é uma scooter deste tipo.
As carenagens são volumosas, mas sem serem exageradas, e todo o design retira
inspiração dos automóveis da Peugeot, que soube aproveitar alguns detalhes bem
conseguidos como é o caso da assinatura luminosa frontal, onde se destacam as
luzes diurnas em LED de desenho agressivo.
Passo
uma perna por cima da plataforma que não é plana e descubro um assento largo,
confortável, que esconde debaixo de si um espaço para transportar um capacete
integral e mais qualquer coisa, e que em conjunto com o guiador ligeiramente
descaído para trás, permite que adote uma postura descontraída mas em pleno
controlo da Pulsion e do que se passa mais à frente na estrada.
Para a ligar não necessito de chave na ignição! O sistema “keyless” veio para
ficar no mundo das duas rodas, e a Pulsion 125 dá uso a este sistema para nos
facilitar a vida. Um leve toque na ignição e o motor monocilíndrico Power
Motion acorda para a vida. Esta unidade motriz de 125 cc consegue desenvolver
uns muito saudáveis 14,4 cv, que se sentem mais fortes nos regimes mais elevados e que, com a injeção perfeitamente afinada, respondem de forma irrepreensível aos
impulsos no acelerador.
Com o assento a 780 mm de altura, o condutor fica bem encaixado no conjunto, e
o apoio lombar oferece a quantidade de apoio necessário para os períodos de
condução mais longos, sem no entanto impedir alguns movimentos, em particular
quando temos de manobrar a Pulsion 125 no meio do trânsito.
Numa
scooter GT, a proteção aerodinâmica é um dos pontos mais importantes. As
carenagens, como já referi, são volumosas, e por isso garantem que o condutor
fica sempre protegido, quase como que dentro de uma “bolha” aerodinâmica, e
aqui destaco a excelente proteção conferida pelo ecrã frontal bastante elevado
e que elimina praticamente toda a turbulência que por vezes se sente no
capacete a velocidades mais elevadas.
O motor revela-se generoso na forma como sobe de rotações. Mesmo com 176 kg de
peso a seco, a Pulsion rapidamente arranca do semáforo e atinge uma velocidade
de cruzeiro que passa os 110 km/h, sem grande dificuldade, a caminho de uma
velocidade máxima de 120 km/h e que por isso permite rodar em percursos mais
abertos, como autoestrada, sem sofrer muito. Uma verdadeira GT, perfeita para
percorrer longas distâncias sem qualquer problema!
Com 1435 mm, a longa distância entre eixos maximiza a estabilidade em linha
reta e capacidade de tração. Mas isso não significa que numa estrada de curvas
a Pulsion 125 se porte menos bem. A combinação de jantes 14’’ à frente e 13’’
atrás permite efetuar trocas de direção imediatas e progressivas, com muita
naturalidade.
De
destacar que mesmo a velocidades elevadas o consumo deste motor Power Motion
Euro4 não é exagerado. No nosso teste, e sem grande cuidado com o
acelerador, o consumo médio não passou dos 3,2 litros, valor que facilmente
baixa para 2,8 litros se adotarmos uma condução mais descontraída.
Se tivermos em conta que o depósito de combustível tem capacidade para 12
litros, então percebemos que a autonomia desta scooter francesa é bastante
elevada. Não convém é fiar a 100% no indicador de nível de combustível! De um
momento para o outro a gasolina “desaparece”, ou vice-versa. Os indicadores de
combustível analógicos continuam a ser bastante mais verdadeiros na informação
que transmitem quando comparados com os digitais.
O
conforto em condução merece uma nota muito elevada. Não apenas porque o assento
é largo e proporciona um bom apoio, mas também porque ao nível das suspensões, a forquilha telescópica com
bainhas de 37 mm na frente e os dois amortecedores atrás, absorvem bem as
irregularidades, e apenas os impactos mais fortes acabam por passar para os
ocupantes.
Gostei bastante da afinação de fábrica das suspensões, em particular à frente,
pois com uma compressão homogénea permite travar com mais confiança para depois
inserir a Pulsion 125 na trajetória, sem grande esforço, até porque a direção
se mostra estável.
Todo o conjunto apresenta um comportamento equilibrado e prevísivel, e apenas
com passageiro atrás é que se nota que os amortecedores acabam por sofrer um
pouco mais para manter a compostura. Bastará uma afinação da pré-carga e
conseguimos corrigir um pouco este problema.
Ainda na condução, resta-me referir o bom comportamento revelado pelos travões.
Potentes e progressivos, o tato nas manetes inspira confiança desde o primeiro
momento em que arrancamos aos comandos da Pulsion 125. A Peugeot realizou um
excelente trabalho na forma como consegue que o sistema de travagem distribua a
força de travagem entre a roda da frente e a traseira. E nem mesmo o ABS
interfere na forma como exploramos esta Peugeot, mesmo quando adotamos um ritmo
mais agressivo.
Mas
mais do que o comportamento elástico do motor e o enorme conforto, a nova
Peugeot Pulsion 125 destaca-se da concorrência pela tecnologia que utiliza.
A marca francesa foi buscar inspiração ao sistema i-Cockpit que encontramos nos
Peugeot 308 ou 5008, e estreia o painel de instrumentos i-Connect. Isto
significa que a Pulsion conta agora com um painel de instrumentos que é um ecrã
TFT, a cores, de dimensões generosas e que permite por isso uma leitura muito
fácil de todas as informações.
Procurar e selecionar as informações que pretendemos ver no i-Connect é uma
tarefa irritante. Somos obrigados a utilizar uma combinação de botões, um no
punho esquerdo e outro no punho direito. É uma forma de utilização pouco
intuitiva, e que mesmo depois de três ou quatro dias a conduzir a Pulsion ainda
dei por mim a carregar nos botões errados. Fora isso, o i-Connect é uma enorme mais-valia.
Não apenas pela forma legível como nos transmite muitas informações,
particularmente em condução à noite, ou pela forma como podemos selecionar e
personalizar as informações que queremos visualizar ao nosso gosto, mas também
porque estando conectado a um telemóvel com a app da Peugeot podemos visualizar
as indicações do GPS no próprio ecrã.
Infelizmente não pude testar esta funcionalidade. Nunca consegui efetivar a
ligação com a unidade Bluetooth da Pulsion 125 com o meu Apple iPhone 7. De
acordo com a marca será uma incompatibilidade de software, pois foi-me
confirmado que outros utilizadores conseguiram conectar os seus telemóveis com
a Pulsion.
Ainda em relação ao ecrã TFT, notei que em pisos mais irregulares e com
ressaltos constantes a imagem por vezes sofre interferências. Nada de grave,
mas que me deixa suspeitas de que, com o passar do tempo, o ecrã TFT poderá vir a
apresentar algum problema.
Com um preço de 4899 €, a Peugeot Pulsion 125 tem bons
argumentos, argumentos tecnológicos, que nos permitem dar-lhe uma avaliação bem
positiva. O comportamento do conjunto é estável e equilibrado, a travagem com
ABS revela-se potente e progressiva, a qualidade dos materiais é elevada, e o
painel i-Connect mostra-se uma enorme mais-valia e um caminho a seguir dentro
do segmento das scooters GT “premium”.
Galeria de fotos Peugeot Pulsion 125 Allure
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete –
Shark Spartan
Blusão – Rev’it Hoody Stealth
Luvas – Furygan Spencer D3O
Calças – Rev’it Orlando H2O
Botas – TCX X-Blend WP
andardemoto.pt @ 19-11-2019 10:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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