Teste Benelli 752S - Uma roadster tentadora

A Benelli regressa às naked de “médio-grande” porte. A nova 752S revela-se uma roadster tentadora, bem equipada, e com um preço competitivo.

andardemoto.pt @ 19-5-2020 09:00:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Benelli 752S | Moto | Naked


O projeto duma roadster bicilíndrica de média cilindrada já está nos planos da Benelli há bastante tempo. Ainda na altura em que a histórica marca de Pesaro se estava a habituar ao grupo chinês da Qianjiang, á o engenheiro Pierluigi Marconi, responsável técnico da Benelli, comentava que tal moto estava em desenvolvimento.

Estávamos então em 2008, e demorou à marca fundada pelos irmãos Giuseppe, Giovanni, Francesco, Filippo, Domenico e Antonio ("Tonino") mais de uma década até apresentar as linhas pelas quais seria concretizado este sonho.

Porque é que demorou tanto tempo para esta moto ser apresentada? Tendo em conta a enorme revitalização e transformação processada pela Benelli sob a liderança do gigante Qianjiang, a realidade é que a marca italiana teve de se concentrar noutros modelos, como or exemplo a trail TRK ou a Leoncino.


A Benelli 752S começou a ganhar forma em 2017, cresceu em 2018, e na última edição do Salão de Milão EICMA, em 2019, foi finalmente revelada a sua versão de produção, que está já disponível para “test-ride” nos concessionários da marca.

As primeiras unidades serão entregues aos clientes a partir do final de junho. Tendo em conta a performance, equipamento, “look”, e o PVP de 7.480€, acredito que a 752S vai dar-se muito bem no mercado europeu, e em particular em Portugal.

Esta pequena e compacta roadster italiana rapidamente se destaca pelo seu design bem conseguido. Particularmente quando está coberta por este verde  com uma tonalidade profunda, que realça ainda mais as linhas orgânicas do volumoso depósito de combustível. Nos dois cilindros paralelos, com um diâmetro de 88 mm, os pistões percorrem um curso de 52 mm.

São precisamente as mesmas dimensões do motor tricilíndrico da Benelli TnT 1130, mas com 754 cc de cilindrada.


Com dupla árvore de cames à cabeça, quatro válvulas por cilindro, e refrigeração por líquido, este motor da 752S apresenta uma taxa de compressão relativamente contida de 11.5:1. Esta opção foi tomada por forma a garantir que nos mercados emergentes os cilindros conseguem digerir combustíveis com menor qualidade, sem perder fiabilidade, e apresentando um menor nível de stress para os componentes mecânicos.

Isto resulta numa performance ao nível da que encontramos no segmento. Ou seja, o motor bicilindrico da Benelli desenvolve 76 cv às 8.500 rpm, enquanto o binário de 67 Nm aparece na totalidade duas mil rotações abaixo. Números sólidos para uma moto que também é, toda ela, bastante sólida em termos de ciclística.

O quadro tubular é uma estrutura em treliça. Os tubos apresentam um diâmetro generoso, as soldaduras estão bem conseguidas, embora em determinadas zonas, como na coluna de direção, se note um excesso de solda que fica claramente inestético numa moto que, de resto, apresenta uma boa qualidade de materiais e construção. Os tubos de aço prolongam-se para o braço oscilante, criando uma imagem bastante exótica.


Acopladas ao quadro encontramos uma forquilha da Marzocchi, com bainhas massivas, de 50 mm de diâmetro, o que ajuda a criar uma sensação de roadster musculada. Na traseira, o amortecedor único garante um curso de 136 mm, ligeiramente mais do que à frente. Destaco ainda neste particular, o facto de no eixo dianteiro existir a possibilidade de ajustar parâmetros como pré-carga, compressão e extensão.

E o reforço de argumentos que eleva o nível da Benelli 752S continua quando olhamos para os travões e pneus. O sistema de travagem é composto por pinças Brembo monobloco de quatro pistões, que mordem discos recortados de 320 mm, à frente. Na traseira o disco de 260 mm, também recortado, é pressionado por uma pinça de dois pistões.

Para finalizar o “pack” de equipamento, encontramos pneus de qualidade comprovada: Pirelli Angel, a cobrirem as leves jantes de 17 polegadas, fabricadas em alumínio, e que contam com um desenho bastante bem adaptado ao conjunto.



A oportunidade para testar a Benelli 752S surgiu já no final do período crítico da pandemia Covid-19. Estava há mais de um mês e meio fechado em casa, e nem pensei duas vezes! A ressaca de andar de moto era imensa, e precisava mesmo que esta italiana fosse uma boa companheira na estrada.

Assim que me sentei no assento a 810 mm do solo encontrei uma posição de condução bastante confortável. O guiador deixa os punhos bem posicionados para permitir ao condutor dobrar-se ligeiramente sobre o depósito, enquanto as pernas facilmente encontram posição para se fixarem ao depósito de combustível.

Em termos de posição de condução, só não dou nota máxima pois o sistema de escape, que emana uma sonoridade bastante interessante e que inclusivamente foi alvo de elogios na estrada, fica posicionado precisamente na zona onde interfere com o calcanhar. Isso obriga a posicionar o pé num ângulo estranho. Ao fim de um dia aos comandos da 752S, isto traduz-se em algum desconforto.


Desenvolvido “in-house” pela Qianjiang, o motor bicilíndrico paralelo não se revela particularmente afoito na subida de rotações. Está recordado quando escrevi anteriormente que a taxa de compressão foi deliberadamente escolhida para ser contida?

Pois bem, essa decisão, em conjunto com a instalação de um veio de equilíbrio, permite ao motor subir de rotações sem transmitir vibrações de maior. A entrega de potência é linear até às 5.000 rpm, altura em que o motor perde algum vigor.

Depois volta a “acordar” às 6.500 rpm. A partir daí mantém-se enérgico, embora se note que ao nível das recuperações, os 67 Nm de binário não conseguem acompanhar os nossos desejos, em particular quando adotamos um ritmo mais agressivo. É necessário usar, e abusar, da caixa de 6 velocidades.

E por falar em caixa de velocidades, a unidade testada tinha muito poucos quilómetros realizados. Notei, claramente, que com o passar do tempo diversos componentes começaram a funcionar melhor. A caixa de velocidades foi um caso particularmente notório! Ao fim de 100 km feitos em estrada de serra, senti-a mais solta, sempre com um tato bastante mecânico, mas bastante precisa nas trocas.


Num segmento tão competitivo, uma das coisas em que um fabricante tem de acertar numa naked roadster é na agilidade. E aí, a Benelli fez um ótimo trabalho! A direção revela-se rápida, com as mudanças de direção a acontecerem sem problemas, e o guiador a fornecer uma boa força de alavanca para conduzir a 752S sem grande esforço. Isto apesar do peso a cheio atingir os 226 kg.

Nota-se, claramente, a tentativa da marca italiana em dotar esta roadster de argumentos mais desportivos. O quadro é rígido, embora se revele algo flexível quando puxamos mais pela moto. Mas as suspensões acabam por mostrar um excelente complemento. Em particular a forquilha invertida Marzocchi.

A suspensão dianteira não apenas digere bem a compressão no momento de travagem, com a frente a descer de forma suave, como depois em inclinação transmite uma boa leitura do asfalto. Em conjunto com os Pirelli Angel, a forquilha bem afinada de série é uma garantia de bom comportamento. E isso acaba por se traduzir em confiança para delinear as trajetórias, mantendo uma boa velocidade em curva.

Já o amortecedor traseiro pareceu-me sempre mais suave do que o necessário. Um rodar de acelerador mais intempestivo à saída de uma curva, e a traseira revela uma tendência para baixar. Nunca chega ao limite dos 136 mm de curso disponível, mas baixa o suficiente para que a frente fique mais leve em aceleração, perdendo algum do excelente “feedback” que transmite noutros momentos.


Quanto aos travões, e tendo eu passado por experiências menos positivas nos casos da TRK e Leoncino, a verdade é que finalmente a Benelli decidiu socorrer-se dos especialistas da Brembo. E o resultado é, claramente, positivo.

Não se pode dizer que o tato do travão dianteiro seja referencial. Mas conforme se aperta a manete sente-se a força de travagem a gerar assim que as pinças de quatro pistões apertam os discos de 320 mm. Como referi, não é uma travagem referencial. Mas tendo em conta de onde a Benelli partiu, e onde chegou com a 752S, o resultado final é bastante positivo.

Até porque o sistema de ABS é eficaz. Talvez um pouco intrusivo, mas eficaz a todo o momento, mesmo após repetidos abusos.



Depois de tudo isto falta-me apenas falar de duas coisas que gostei, e que ao mesmo tempo não gostei nesta Benelli 752S.

A primeira é o painel de instrumentos.

No caso da Benelli 752S fui surpreendido por um ecrã TFT, de boas dimensões, e com as informações bem legíveis. Cores vibrantes, e até um modo noturno que conta com grafismo dedicado. Então o que há para não gostar?

A quantidade de informações. Se a 752S é uma moto que demonstra uma evolução nos projetos da Benelli e da Qianjiang, deveria disponibilizar mais do que contagem total e parcial de quilómetros. Merecia um segundo parcial e até uma indicação de consumo médio de combustível, que neste teste rondou os 4,7 litros / 100 km.


E o indicador de combustível digital também podia ser melhor. É o que eu chamo de indicador mentiroso. Atestei a moto quando arranquei para a sessão fotográfica. De repente, passou de cheio a menos de meio! Abri o depósito e espreitei. Confirmei que tinha ainda muito combustível. Não tem meio termo: ou está cheio, ou está quase vazio.

A segunda coisa são os espelhos retrovisores.

Embora tenham um design apelativo e adaptado ao resto do conjunto, os espelhos da 752S são recortados precisamente na zona a partir da qual conseguimos visualizar o que se passa atrás de nós! Não faz sentido, e claramente é uma daquelas coisas em que os italianos são tão bons: design acima da função.

Veredicto - Benelli 752S


Num segmento tão competitivo e com tantas (e boas) opções, poderíamos ser levados a pensar que a Benelli 752S chegou apenas para “fazer número”. Mas a realidade é que esta proposta, criada e produzida a meias entre os italianos da Benelli e os chineses da Qianjiang, se revela bastante aliciante.

Uma naked roadster bem construída, com detalhes de design interessantes e que a fazem sobressair das rivais, e um motor super suave e económico.

Não é uma proposta que chegue para revolucionar o segmento, mas está claramente posicionada como o melhor que a Benelli tem para oferecer atualmente. E mesmo rivais com outros pergaminhos têm de se cuidar, pois a 752S, com o seu preço contido e comportamento neutro, levará muitos motociclistas portugueses a visitar um concessionário para comprar uma.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:


Capacete –
Shark Spartan

Blusão –
Ixon Cobra

Calças –
REV’IT! Orlando H2O

Luvas –
Ixon RS Slick HP

Botas –
Gaerne G.Stelvio

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