Teste Brixton Crossfire 500 - Receita simples mas eficaz

Uma neo retro criada com base numa receita que tem todos os ingredientes certos. A Brixton Crossfire 500 é a primeira média cilindrada da marca austríaca. E o resultado é francamente positivo!

andardemoto.pt @ 2-11-2020 20:38:53 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Brixton Crossfire 500 | Moto | Motociclos A2

As propostas que atualmente encontramos no mercado e que são compatíveis com a carta de condução A2 são mais do que muitas. Há modelos para todos os gostos e feitios. E também para carteiras mais recheadas, ou para aquelas onde não encontramos tantos euros. Mas se filtrarmos um pouco a nossa pesquisa para motos neo retro as opções já não são tão abundantes.

E foi precisamente a pensar neste segmento que a Moteo Portugal, que já representava no nosso país marcas como a Suzuki, SYM ou Peugeot Scooters, decidiu este ano adicionar uma nova marca ao seu portfólio: a Brixton.

Se calhar o caro leitor não conhece esta marca. É muito provável. Mas na realidade a Brixton tem vindo a conquistar um lugar de destaque no mercado europeu, apresentando propostas de qualidade e a preços competitivos.

Faz por isso todo o sentido que eu faça aqui uma breve introdução à marca. A primeira nota de destaque é que a Brixton é uma marca europeia. Mais precisamente austríaca. Propriedade do grupo KSR, esta marca apareceu em 2016 com a apresentação de algumas “concept” no Salão de Milão EICMA, modelos preferencialmente com base em motorizações 125 cc. Um ano depois a fábrica austríaca estava já em pleno funcionamento, e o crescimento tem sido bastante assinalável para uma marca tão jovem e que enfrenta nomes bem reputados em solo europeu.


As 125 cc e 250 cc da Brixton não são suficientes para satisfazer os planos ambiciosos da KSR, e por isso este ano, depois de dois anos a trabalhar no projeto, a marca austríaca apostou forte no lançamento daquela que é até ao momento a sua moto de maior cilindrada e ao mesmo tempo a mais potente. A Crossfire 500, também disponível em variante X – pneus mistos, assento plano, guiador mais elevado –, é por isso um ponto de viragem na vida da jovem Brixton. E o futuro promete ser ainda mais risonho, pois em breve teremos uma neo retro de 1200 cc!

Feita esta pequena introdução da marca, está na hora de falar da nova Crossfire 500.

O design desta neo retro começou a ser preparado pela equipa de designers na sede na Áustria em 2018. O foco principal é o seu exótico depósito de combustível. O que numa primeira vista parecem ser umas arestas simples, na realidade são linhas que formam um X, ou “Cross” do nome deste modelo.

E é em torno deste conceito de X que a Brixton criou uma moto de imagem “retro”, com alguns toques de modernidade como a ótica com luzes diurnas em LED, onde o valor do conjunto é claramente superior à soma dos valores dos componentes individuais que a Brixton selecionou. O que revela o bom trabalho realizado.

Foi também ao longo dos últimos dois anos que uma equipa de nada menos do que 20 engenheiros trabalhou no motor bicilíndrico paralelo. Este motor teve de passar por um largo período de afinação e ajuste dos seus componentes. De acordo com a Brixton, precisaram de 80.000 horas de trabalho só para criar esta unidade motriz compatível com a carta A2.


Depois selecionaram um conjunto de componentes que, à partida, oferecem garantias de qualidade e eficácia dinâmica. Suspensões Kayaba ajustáveis, travagem a cargo dos especialistas espanhóis da J.Juan, sistema de ABS assinado pela Bosch, e ainda pneus Pirelli Angel ST como equipamento de fábrica. Como podemos perceber desta lista, a Brixton não optou por baixar a qualidade de forma a obter um PVP competitivo que, no caso da Crossfire 500, se fica pelos 6.162€.

Temos por isso os ingredientes certos para uma receita que a Brixton quer que seja uma receita vencedora. E depois de alguns dias como proprietário da Crossfire 500, a minha opinião é que a casa austríaca, apesar da sua juventude, tem neste modelo uma boa base para evoluir e conquistar um lugar de destaque no mercado.

Muitos motociclistas quando ouvirem falar no nome Brixton irão pensar “oh... mais uma marca como tantas outras”. E de facto até eu pensei um pouco assim quando soube que iria testar a Crossfire 500. Mas eu já devia saber que não devia olhar para as motos com ideias pré-concebidas. E nesse sentido a Crossfire 500 é mais um bom exemplo que não é preciso ser uma moto de um fabricante de renome para ser uma boa moto.



A primeira sensação com que ficamos quando nos sentamos aos comandos desta Brixton é que a equipa de design fez um bom trabalho ao nível da ergonomia. Todos os comandos estão onde devem estar, e a colocação do guiador em relação ao assento é a ideal para desfrutar de uma condução descontraída. Talvez os poisa-pés pudessem estar um pouco mais acima do que estão, o que impede atingir grandes ângulos de inclinação sem raspar metal, mas admito que com o assento espaçoso a apenas 795 mm do solo, elevar os poisa-pés pudesse penalizar na posição das pernas do condutor.

A instrumentação também adota o estilo “retro”. Minimalista, o painel de instrumentos digital está bem posicionado por cima da grande ótica redonda. Apenas disponibiliza odómetro e Trip 1, pelo que nem vale a pena pensar em procurar consumos médios ou outros dados. A informação está bem legível, e até temos indicador de nível de combustível ou relação de caixa engrenada.

Já sentado e bem acomodado ao assento algo rijo, mas como referi, espaçoso, descobri uma naked que não tem apenas estilo, mas também se revela bastante agradável numa enorme variedade de cenários.

Com os espelhos a permitirem visualizar facilmente tudo o que se passa atrás de nós, embora com algumas vibrações, conduzir a Brixton Crossfire 500 em ambiente urbano é uma delícia. O motor transmite algumas vibrações quando passamos dos médios regimes, o suficiente para percebermos que é um bicilíndrico. Já a transmissão curta garante acelerações vigorosas aproveitando ao máximo os 43 Nm de binário às 6.750 rpm.


Mesmo a rolar a baixa velocidade, cumprindo com os limites impostos pelo Código da Estrada, facilmente engrenamos a 6ª relação de caixa e por aí ficamos, desfrutando de um motor que revela uma capacidade de recuperação de rotações assinalável, sem ser demasiado contundente, ou seja, a medida certa para os recém chegados ao mundo das duas rodas.

Nos espaços mais apertados a Crossfire brilha pela excelente brecagem, enquanto as suspensões Kayaba, com as afinações de fábrica, se revelam algo rijas para enfrentar pisos degradados ou de calçada. Neste aspeto seria benéfico a Brixton rever as afinações de fábrica, pois o condutor irá sentir bastante os impactos provocados pelos muitos ressaltos que temos nas nossas estradas.

A aparência elegante e minimalista também não passa despercebida, particularmente numa sociedade onde se valoriza este tipo de motos. A Crossfire 500 não deixa ninguém indiferente à sua passagem. Que o diga o proprietário de uma BMW Rnine T que passou por mim na rotunda do Saldanha e quase ia entrando pelo passeio enquanto admirava a Crossfire.

Mas não será apenas em ambiente urbano que a Brixton Crossfire 500 brilha. Estradas de serra serão outro cenário onde a ciclística e motor desta austríaca brilham.


O motor, embora se sinta mais pujante a partir das 4500 rpm, mesmo abaixo desse limiar é capaz de responder rapidamente aos nossos impulsos no acelerador bem agradável, com a progressividade certa, perfeito para explorar os 48 cv de potência anunciados, precisamente o limite da carta A2.

Conforme referi, a capacidade de recuperação do motor é muito boa. Podemos subir de caixa e deixar que fique “eternamente” em 6ª, com a certeza de reações a permitir manter trajetórias fluídas e com isso boa velocidade de passagem em curva, ou se quisermos podemos também abusar um pouco da caixa de velocidades, reduzir à entrada das curvas, e depois sair em aceleração de forma mais enérgica e com um sorriso nos lábios enquanto a ponteira de escape em inox emana uma sonoridade engraçada para um bicilíndrico paralelo.

Em percursos mais abertos notei claramente, ou não fosse a Crossfire uma naked, a falta de proteção aerodinâmica. Digamos que rolar a 140 km/h será o limite do aceitável antes do pescoço e braços começarem a queixar-se, mas para quem conseguir, esta Brixton irá atingir pouco mais do que 160 km/h.

No entanto não posso deixar de referir que a essas velocidades o motor já estará a rodar quase no seu limite, emitindo mais vibrações, e também com um som de esforço. Claramente a Crossfire 500 beneficiaria de uma transmissão final mais longa, o que ajudaria a baixar as rotações em estrada aberta, e também iria beneficiar os consumos que, mesmo sem grande cuidado, atingiram uns agradáveis 4,5 litros aos 100 km.



De curva em curva a Brixton Crossfire 500 sente-se mais leve dos que os 180 kg (a seco) anunciados. Ágil o suficiente para trocas de inclinação rápidas, estável em linha reta graças aos 1416 mm de distância entre eixos, e com travões J.Juan que se revelaram potentes e sem ser esponjosos, a Crossfire peca pelo ABS da Bosch demasiado interventivo, especialmente numa estrada de curvas consecutivas em que necessitamos de puxar um pouco mais pelos travões.

O conforto do condutor não é exemplar, mas é suficiente para percorrer mais do que 250 km sem sentir incómodo. Já o mesmo não se poderá dizer do assento do passageiro. Desenhado para se assemelhar a uma tampa do banco para simular um assento monoposto, o passageiro não tem muito espaço e o formato do assento não garante uma boa fixação. Nota menos positiva neste particular.

Veredicto – Brixton Crossfire 500


É um facto que a Crossfire 500 não passa despercebida na estrada. E não é só pelo seu aspeto cuidado ou acabamentos bem conseguidos. Esta austríaca revela-se uma agradável surpresa, sendo polivalente, conseguindo enfrentar sem problemas o trânsito citadino e depois deixando o condutor de sorriso nos lábios numa estrada de curvas.

Com componentes que funcionam bem em conjunto, esta que é a maior e mais potente Brixton tem argumentos de moto grande, aos quais não podemos dissociar o seu preço. Ligeiramente superior a uma Benelli Leoncino 500, mas claramente inferior a rivais como a Husqvarna Vitpilen 401 ou a Ducati Scrambler Sixty2.

Depois de muitos quilómetros aos comandos da Brixton Crossfire 500 podemos dizer que esta é uma receita simples mas eficaz. O mundo da carta A2 tem a partir de agora mais uma opção de “peso” para quem procura algo mais exclusivo e minimalista.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção


Capacete -  SMK Retro

Blusão – REV’IT! Blake

Luvas – Furygan Spencer D3O

Calças – REV’IT! Orlando H2O

Botas – TCX X-Blend WP

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Brixton Crossfire 500 | Moto | Motociclos A2

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