Teste BMW RnineT - Eterna Nostalgia

Uma moto que une o charme de um estilo retro, com o charme de um motor boxer arrefecido a ar, e que se adapta ao estilo de cada motociclista.

andardemoto.pt @ 4-5-2021 07:46:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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BMW R nineT | Moto | Heritage

Se tivesse uma garag€m maior, garantidamente tinha lá uma BMW RnineT. Não seria para fazer grandes viagens, nem sequer para andar nela todos os dias. Seria “só” para aquelas escapadelas terapêuticas, a solo, por estradas de montanha, daquelas que, de preferência, não sei onde vão dar!

É uma daquelas motos com que me apetece saborear as curvas, as rectas, as subidas e as descidas, não me importando se chove ou se faz sol nem se está calor ou frio. Uma das poucas que me convence a sair de casa à noite e ir desfrutar da cidade abandonada, ou de madrugada, para ir ver o nascer de sol. Uma daquelas motos que gosto de contemplar a partir de uma qualquer sombra, enquanto fumo um cigarro e/ou bebo um café ou uma bebida fresca!

Atraem-me as suas linhas simples e ao mesmo tempo complexas. Reduzida ao essencial, mas com uma presença marcante, impressiona-me o facto de ser minimalista mas ao mesmo tempo robusta, quase maciça. Uma espécie de négligè diáfano e sensual que mal consegue esconder a voluptuosidade rústica do motor boxer bicilíndrico que a anima.

Motor esse que é um dos meus favoritos e que considero impressionante pela sua disponibilidade a qualquer regime, pela sua sonoridade grave e rouca, pela sua vibração que mais parece um pulsar, pela subida de rotação decidida… enfim, um dos que me satisfaz completamente! Sobretudo porque a caixa de seis velocidades, assistida por uma embraiagem a seco, de disco simples e acionamento hidráulico, é extremamente precisa e rápida.

Não deixa de ser notável que a BMW tenha conseguido responder às exigências da nova norma Euro5 com um motor de 1170 cc refrigerado a ar e óleo, que debita mais de 100 cavalos de potência e mais de 110 Nm de binário.

Outro dos aspectos que me impressiona é a ciclística! Uma agilidade notável a par com uma estabilidade incrível, uma suspensão bastante sólida, capaz de proporcionar um relativo conforto sem perder a compostura em curva, mesmo sob forte aceleração, uma travagem extremamente potente e doseável, um ABS muito eficaz, tal como o controlo de tração, são factores que contribuem para que os níveis de segurança sejam tão elevados que se torna muito fácil andar muito rápido.

Claro que não é uma superdesportiva, nem sequer uma supernaked, mas a BMW RnineT tem carisma, charme, personalidade, sendo por isso, e pelo menos para mim, um verdadeiro prazer conduzi-la!


A nossa relação começou com uma paixão à primeira gazada! Já lá vão uns anos, em 2013, aquando da sua chegada ao mercado. Foi concebida para invadir o espaço que a Triumph então ocupava, em quase exclusividade, no segmento das clássicas modernas, em plena hype revivalista da customização cafe racer.

E foi rapidamente seguida pela Ducati, que lançou a sua gama Scrambler, também ela vocacionada para um target que pretende simplicidade, personalização e exclusividade, mas que não prescinde dos benefícios da tecnologia actual.

Desde então a RnineT mantém-se muito igual a si própria, ou nem por isso, já que é uma verdadeira transformista, permitindo que, com a mesma base, a BMW consiga ter em catálogo diversas versões e um verdadeiro arsenal de acessórios para todos os gostos e estilos. 

Apesar de a homologação para a norma Euro5 ter obrigado os engenheiros bávaros a algumas modificações, as especificações básicas mantêm-se muito semelhantes. 

O binário permanece inalterado, com um valor máximo de 116Nm às 6.000rpm e a potência foi ligeiramente sacrificada, anunciada em 109cv, apenas um a menos que a versão anterior, Euro4, apesar de agora se declarar 500rpm mais acima, a um regime de 7.750rpm.

Para tanto, foi necessário redesenhar as cabeças dos cilindros e os corpos de admissão. Esta modificação é inclusivamente visível do exterior graças às novas tampas das cabeças dos cilindros e às mais volumosas condutas de admissão.

O resultado é um efeito de turbilhão mais eficaz, dentro dos cilindros, que permite uma combustão mais completa e consequentemente mais limpa, que garante um binário mais potente a mais baixa rotação, concretamente em regimes entre as 4.000rpm e as 6.000rpm, precisamente a faixa de rotação mais usada numa condução normal em estrada.

O motor conta, de série, com dois modos de condução: o normal e o de chuva, que reduz substancialmente o efeito do acelerador para um melhor controlo da aderência da roda traseira.

Os consumos teóricos indicados pela marca são bastante optimistas, declarando 5,1 litros/100km sob a norma WMTC, mas no mundo real, sem resistir à tentação de enrolar o punho e ouvir o sistema de escape de saída dupla, que proporciona uma sonoridade encantadora, este valor sobe substancialmente e os 18 litros de capacidade do depósito dificilmente permitem autonomias superiores a 250 quilómetros.

O ABS também apresenta agora, de série, a versão Pro, assistida por uma unidade de medição de inércia, o que potencia a travagem em curva. Paralelamente o DBC (Dynamic Brake Control) evita o excesso de pressão na manete, em caso de travagem de emergência ou em pisos demasiado escorregadios, aplicando tão só a pressão necessária para assegurar uma travagem mais eficaz, sem obrigar a ABS intervir de forma intrusiva. No entanto a manete apresenta uma capacidade de dosagem quase cirúrgica e uma mordida extremamente forte e incansável.


A RnineT apresenta também uma suspensão traseira melhorada, e o paralever (que acumula a função de braço oscilante e veio de transmissão, conta com um novo apoio para o amortecedor, que é regulável remotamente em pré-carga e em expansão. A forquilha com bainhas de 46mm é integralmente regulável e, tal como o amortecedor traseiro, tem um curso de 120mm e um comportamento muito bom.

Todas as versões da RnineT vêm agora equipadas com o farol dianteiro Pro, que incorpora a iluminação diurna de alto brilho e direciona o feixe de luz para o centro da curvas, conforme a inclinação, sendo uma ajuda realmente importante para quem gosta de conduzir à noite.

O painel  de instrumentos enquadra-se perfeitamente no estilo retro do conjunto, apresentando dois manómetros redondos clássicos, velocímetro e conta-rotações analógicos, cada um com um minimalista painel em LCD onde é apresentada uma grande quantidade de informação pertinente.

Um dos aspetos que surpreende é a qualidade de construção, isenta de reparos, que se traduz numa total ausência de ruídos e vibrações parasitas que contribui para uma sensação de robustez e solidez. Os níveis de acabamento são de topo de gama e os componentes de qualidade, como as vistosas jantes raiadas, as manetes com afinação, os piscas em LED e o sistema sem chave, contribuem para um aspecto requintado.

Claro que toda esta tecnologia e qualidade têm o seu preço, e a versão base deste modelo clássico da família Heritage da BMW Motorrad, com decoração Option 719 a preto “night” mate e alumínio mate, onde se destaca o quadro principal em vermelho que reforça a faceta desportiva do conjunto, está disponível a partir de 17.791 euros.

No entanto, a versão que tive oportunidade de testar tinha instalado o Pack Confort que inclui os modos de condução Pro, o cruise control e os punhos aquecidos, além de alarme anti-roubo e uma boa quantidade de acessórios da gama Option 719 que além de tornarem esta RnineT bastante mais exclusiva, catapultaram o preço para uns substanciais 22.036 euros.

Equipamento:

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BMW R nineT | Moto | Heritage

andardemoto.pt @ 4-5-2021 07:46:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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