Teste Aprilia RSV4 Factory - Sensações extremas

A nova Aprilia RSV4 Factory mistura força bruta com o nível seguinte da sofisticação tecnológica. Uma superdesportiva “puro sangue” que garante sensações extremas.

andardemoto.pt @ 18-10-2021 19:37:31 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Aprilia RSV4 Factory | Moto | Motos

A venerável RSV4 de 2021 está num nível claramente superior à geração anterior. Já aqui testámos a versão base, que este ano se denomina apenas de RSV4 e abandona a sigla RR. Mas o importador da marca no nosso país, a Officina Moto, tinha reservado uma unidade da exótica RSV4 Factory para podermos testar. E a verdade é que descobrimos uma superdesportiva de sensações extremas, mas também perfeitamente adaptada a uma utilização em estrada.

Esta é já a sexta geração da RSV4 Factory. Uma moto que este ano aproveita mais do que nunca o “know-how” do departamento de competição Aprilia Racing e os desenvolvimentos conseguidos para tornar o protótipo de MotoGP, a RS-GP, numa moto capaz de lutar, para já, pelos pódios na categoria rainha.

Assim, a nova geração da RSV4 Factory foi atualizada para ficar “dentro” das normas Euro5, que, na sua essência, são particularmente penalizadoras para motos desportivas de elevada potência. Mas o coração que bate no interior do quadro dupla trave em alumínio, agora ligado a um braço oscilante com reforço interior e que, para além de mais leve, é 30% mais rígido, continua a revelar-se um dos motores mais fortes e entusiasmantes do segmento.


Com 217 cv às 13.000 rpm e um binário máximo de 125 Nm às 10.500 rpm, o motor que é uma evolução do V4 de 1078 cc da anterior geração, tem agora uma cilindrada de 1099 cc,

Tanto a potência como o binário atingem o pico a menos rotações, sendo particularmente notório que a entrega de binário é bastante mais contundente.

A Aprilia redefiniu o curso dos pistões para mais facilmente combater as normas Euro5, e com isso aproveitou para realizar outras pequenas, mas úteis, modificações internas, como a utilização de uma cambota mais leve, para facilitar a subida de rotações e compensar o aumento do curso. Depois encontramos as trompetas de admissão de comprimento variável que, graças ao novo desenho da carenagem frontal recebem maior pressão de ar, tudo isto mantendo uma sonoridade viciante emanada pelo redesenhado sistema de escape.


Acoplado ao motor V4 a 65 graus, que se tornou numa autêntica força da natureza nesta mais recente evolução, encontramos uma transmissão com caixa de seis velocidades, tipo cassete. O facto mais relevante neste componente acaba por ser o seu sistema de “quickshift” bidirecional. O sistema apenas se ativa a partir das 4000 rpm, mas agora o controlo eletrónico permite que o condutor faça reduções mantendo o acelerador aberto. Por outro lado, as trocas de caixa acontecem mais rapidamente e de forma mais precisa graças ao novo sensor de “quickshift”.

Aqui entramos no campo da eletrónica. E para 2021 a RSV4 Factory dá mais um bom salto em termos qualitativos, atingindo um ponto de sofisticação que a posiciona como uma das melhores (só poderemos dizer que é a melhor num futuro comparativo) do segmento das superdesportivas. O bem-conhecido aPRC – Aprilia Performance Ride Control ganha novas possibilidades de ajuste graças à introdução da centralina Magneti Marelli 11MP, com uma capacidade de processamento quatro vezes mais rápida do que anteriormente.

Recebendo as informações em tempo real geradas pelos sensores e plataforma de medição de inércia de 6 eixos, o novo aPRC conta com um total de seis modos de condução (três deles totalmente personalizáveis), ABS com função “cornering” e sistema de mitigação do levantamento da traseira (3 níveis e desligado), controlo de tração (8 níveis e desligado) ajustável em andamento, “anti-wheelie” (3 níveis) ajustável em andamento, controlo de arranque (3 níveis), limitador de pit-lane, ou ainda o “cruise-control”.


Mas o novo aPRC não se fica por aqui! Na realidade a Aprilia abre as portas de um mundo infindável de possibilidades e personalização, e a RSV4 Factory conta ainda com ajuste da resposta do motor ao acelerador, mas também permite o ajuste individual do efeito travão motor, algo particularmente útil neste motor V4.

Para experimentar uma moto tão brutal, o ideal seria ter um circuito à nossa disposição, e durante um dia inteiro podermos ir desfrutando das diferentes opções tecnológicas incluídas de série na RSV4 Factory. Infelizmente este cenário idílico não se concretizou, pelo que as nossas sensações foram obtidas exclusivamente em estrada. Mas isso serviu para enaltecer ainda mais algumas das características desta superdesportiva de Noale.

Apesar de ser uma moto de dimensões compactas e estreita para os parâmetros de uma moto quatro cilindros, a nova RSV4 Factory engana. Poderíamos pensar que é uma moto para condutores de baixa estatura, mas a realidade é que aos seus comandos encontramos bastante espaço e uma posição de condução que se torna confortável, dentro dos parâmetros de uma superdesportiva, mesmo para condutores de estatura mais elevada.



O novo assento oferece um excelente apoio, em particular na sua secção traseira. Antes de continuar, realço o forro do assento, em laranja. Pode manter a ligação colorida com o esquema de cores a replicar a saudosa RS250 Loris Reggiani, mas este assento ficará rapidamente marcado pela sujidade ou até mesmo com as cores das calças que usamos para andar de moto.

O assento a 845 mm, em conjunto com os poisa-pés mais baixos e as laterais redesenhadas do depósito de combustível (17,9 litros), permitem encontrar facilmente uma posição mais agradável para conduzir de forma descontraída. E nos momentos em que adotamos um ritmo mais desportivo, encontramos também bom apoio no depósito para fixar as pernas. Em resumo, mesmo os condutores mais altos vão sentir que fazem parte do conjunto.

Dos seis modos de condução disponíveis, optei por não usar os modos de pista (Race, Track 1 e Track 2), pois para além de usarem parâmetros de eletrónica adaptados para o asfalto dos circuitos, desligam ajudas eletrónicas. Por exemplo, o ABS deixa de funcionar na roda traseira e com isso o sistema de deteção do levantamento da traseira deixa também de funcionar. O meu tempo aos comandos da RSV4 Factory centrou-se por isso nos modos Street, Sport e User, este último totalmente personalizável.

O motor revela uma capacidade surpreendente para subir de rotações. A sua transmissão longa não permite que seja explorado a ritmos “normais”. Em cidade é necessário trabalhar sempre com a caixa de velocidades para garantir que o V4 não vibra em demasia.


Felizmente a caixa é suave e precisa, mesmo se não usarmos o “quickshift”. A capacidade de ganhar velocidade é estonteante, mesmo para os parâmetros de uma superdesportiva, o que deixa bem à vista que os seus 217 cv têm um fôlego capaz de enfrentar qualquer rival.

Mesmo no modo de condução Street, o mais amigável, o poderoso V4 apresenta sempre uma reação imediata e forte. Até às 4.000 rpm sentimos que há qualquer coisa a querer mostrar mais, e depois daí, e até praticamente às 13.000 rpm, o motor mostra uma alma de moto de competição, obrigando a antecipar os nossos movimentos em cima da moto para a controlar.

Com 202 kg – a Aprilia devia seriamente pensar em fazer a RSV4 passar por um programa de emagrecimento – esta Factory é uma moto física. O peso superior a algumas rivais leva-nos a ter de trabalhar um pouco mais em cima da moto para extrair dela o potencial da sua ciclística. Assim que começamos a entrar no ritmo e a velocidade aumenta, as reações do conjunto melhoram, e sentimos perfeitamente o que a roda dianteira está a fazer.


A entrada em curva acontece de forma progressiva. Diria que é um pouco mais lenta de reações, em particular nas trocas de direção consecutivas. Talvez seja aqui que o maior peso do conjunto mais se faz sentir. Mas o quadro oferece um “feedback” muito bom, absorvendo os excessos do condutor e mantendo uma rigidez estrutural que nos permite atingir uma velocidade em curva que algumas superdesportivas apenas sonham.

Da travagem não posso dizer que seja a mais potente. Não me entendam mal! O sistema Brembo, com bomba radial PR17 e pinças Stylema de quatro pistões a morderem discos de 330 mm de diâmetro, garante muita potência e uma capacidade de travagem mais do que suficiente para qualquer condutor. É progressivo e mantém uma consistência à prova de bala, mesmo após repetidos abusos numa estrada de montanha. Apenas acredito que neste particular a RSV4 Factory beneficiaria se a marca italiana tivesse optado por uma bomba radial mais potente.

Outra coisa que impressiona nesta nova geração é o seu aPRC, com um funcionamento mais suave. Antigamente, qualquer impulso mais decidido no acelerador ou excesso em termos de condução, fazia com que as ajudas à condução entrassem em “overdrive” e o painel de instrumentos se iluminasse.

Agora a centralina gere de forma mais precisa o controlo de tração e o “anti-wheelie”, e para ver o TFT de cinco polegadas – que continua sem indicador de combustível! – iluminar-se como uma árvore de Natal, será necessário conduzir sem contemplações. Nível 2 ou 3 de controlo de tração e “anti-wheelie” em nível 1 será mais do que suficiente para condutores experientes.


Em condução torna-se também impossível não notar as diferenças entre os diversos níveis de controlo do efeito travão motor. Em nível 1 a RSV4 Factory entra em curva de forma bastante “solta”.

Podemos assim usar melhor os travões para ajustar a nossa velocidade de entrada em curva. Por outro lado, em nível 3, o sistema deixa que o binário negativo das reduções mais agressivas se sinta de forma mais notória. Neste caso os travões são menos solicitados, mas por outro lado o condutor acaba por perder um pouco o controlo, confiando mais na eletrónica, que felizmente mostra enorme consistência em termos de funcionamento.

Um destaque especial tem de ser dado às suspensões eletrónicas Öhlins Smart EC 2.0. Com a assinatura dos especialistas suecos, estas são atualmente as melhores que podemos encontrar no mercado. Basta conduzir a RSV4 Factory para perceber como os modos semi-ativos (A1 Track Slick, A2 Track, A3 Road) ajudam o conjunto a manter o equilíbrio, absorvendo as mais pequenas irregularidades e contribuindo para uma condução mais refinada e um comportamento dinâmico muito superior quando, por exemplo, comparamos com a versão base RSV4 dotada de suspensões Sachs mecânicas, que são já bastante boas.


Veredicto – Aprilia RSV4 Factory


Esta é uma moto claramente focada para obter os melhores tempos em pista. Com a competição no seu DNA, a RSV4 Factory obriga o seu condutor a um maior esforço físico. Mas a recompensa é uma condução a roçar a perfeição. E sem penalizar em demasia o conforto numa utilização em estrada.

Com tanta eletrónica à disposição é necessário perder muito tempo e percorrer muitos quilómetros para podermos encontrar o melhor compromisso. E depois temos ainda a hipótese de alterar a geometria do chassis, ajustando a altura do pivot do braço oscilante e ajustando a inclinação da coluna de direção.

É uma moto que continua a impressionar ano após ano. A Aprilia parece encontrar forma de a melhorar ainda mais e colocar a RSV4 num patamar de eficácia que poucas motos conseguem atingir. O peso do conjunto deveria ser menor, e pelo preço podemos dizer que lhe faltam alguns componentes em fibra de carbono que habitualmente encontramos nestas variantes Factory.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:


Capacete – X-lite X803 RS Ultra Carbon

Fato – REV’IT! Akira

Luvas – REV’IT! Jerez 3

Botas – TCX RT-Race

Galeria de fotos Aprilia RSV4 Factory

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