Estudo da Oxford Economics aponta a importância do motociclismo na Europa

A Oxford Economics realizou um estudo sobre o motociclismo na Europa. A importância das duas rodas para a economia, mas também a importância para o meio ambiente, são algumas das conclusões deste estudo.

andardemoto.pt @ 14-9-2021 11:26:43

A Associação Europeia de Fabricantes de Motociclos – ACEM acaba de divulgar um estudo realizado pela Oxford Economics, que teve como objetivo entender o impacto da indústria do motociclismo na Europa.

De acordo com a ACEM, os resultados deste estudo que se focou em 2019, o último ano “normal” antes da pandemia, mas que também analisou o comportamento da indústria do motociclismo durante o primeiro ano de pandemia (2020), apontam para que as duas rodas tenham uma importância maior do que o esperado para a economia europeia.

O setor do motociclismo apoia nada menos do que 389.000 postos de trabalho nas mais diversas áreas, incluindo fabrico de motos, peças e acessórios, ou equipamento de proteção pessoal e atividades relacionadas com o motociclismo. Em 2019, o motociclismo contribuiu com 21,4 mil milhões de euros para o produto interno bruto da Europa, o que significa que por cada 1€ de produto interno bruto criado por negócios diretamente relacionados com motociclismo, foram gerados 1,80€ de produto interno bruto noutras indústrias devido ao efeito “cascata”.


Para além disto, os governos europeus arrecadaram em 2019 nada menos do que 16,6 mil milhões de euros em receitas de impostos com o setor do motociclismo e atividades relacionadas. Este dado revela a relevância desta indústria para as finanças públicas dos diferentes governos europeus, com especial impacto nos mercados de maior dimensão como são Alemanha, França, Itália ou Espanha, mas também mostrando que em mercados de menor dimensão, como é o caso de Portugal, o comércio de motos e produtos relacionados com as duas rodas é um negócio importante em termos de finanças públicas.

Mas o impacto da indústria europeia do motociclismo vai muito além das fronteiras do Velho Continente. O estudo da Oxford Economics confirma que as empresas ligadas ao motociclismo na Europa vendem, todos os anos, a clientes fora da Europa um total de 2,1 mil milhões de euros em motos, peças e outros componentes, contribuindo assim para os números da exportação na Europa.

Apesar da boa performance de exportação em mercados como Estados Unidos, Austrália ou Japão, o estudo vai mais além, e permite-nos concluir que a performance em mercados como China, Tailândia ou India poderá ser muito melhor. Para isso será necessário que a Europa e a indústria do motociclismo consigam gerar parcerias com esses governos de forma a ultrapassar as “pesadas” tarifas que são impostas aos produtos europeus comercializados nesses países.


Benefícios significativos em mobilidade, poupança de tempo e meio ambiente


A Oxford Economics aproveitou este estudo para analisar o impacto do motociclismo noutras áreas além da economia. O cenário gerado pelo estudo, aponta para que se 5% do total de pessoas na Europa que usam o automóvel para fazer a curta viagem de casa-trabalho (cerca de 5,3 milhões de pessoas) trocasse o automóvel por uma moto, a poupança em tempo significava que no total seriam poupados 21,2 milhões de dias por ano. Isto significa que esses condutores iriam poupar 3,3 mil milhões de euros!

Por outro lado, e partindo do mesmo cenário de viagens casa-trabalho, o estudo conclui que em termos de despesas de combustível e custos de manutenção, utilizar uma moto para neste tipo de utilização tem um custo médio anual de 545€, cerca de um terço do custo médio anual de utilizar um automóvel (1.435€).

Mas o benefício de utilizar motos vai mais além do que os números em euros. Como seria de esperar, a pegada ambiental de uma moto em comparação com um automóvel é significativamente menor. A Oxford Economics chegou à conclusão que, em média, as motos na Europa emitem cerca de 99 g de CO2/km, enquanto um automóvel emite 210 g de CO2/km. E se olharmos apenas às motos até 250 cc, essas emissões baixam para as 62 g de CO2/km. Tendo em conta que 62% dos veículos de duas rodas na Europa entram nesta categoria, ficam à vista os benefícios para o meio ambiente.

A indústria europeia do motociclismo vs Covid-19


Apesar do estudo da Oxford Economics se ter dedicado em maior profundidade a 2019, o último ano de funcionamento da economia europeia (e mundial) antes do aparecimento da pandemia, este mesmo estudo aproveitou a oportunidade para analisar o comportamento do setor das duas rodas em 2020.

Num ano onde a atividade económica foi profundamente afetada pelas restrições e os diversos confinamentos, a indústria europeia do motociclismo foi severamente afetada em vários aspetos, principalmente nos meses de março e maio, altura em que a produção praticamente parou.

Mas apesar deste forte impacto no funcionamento das empresas, o estudo revela que o funcionamento dos grandes fabricantes continuou sem ser particularmente afetado. Para isso contribuiu a rápida adaptação por parte dos grandes fabricantes às medidas como por exemplo o teletrabalho, que permitiu às empresas manter em funcionamento setores como Pesquisa e Desenvolvimento ou design, garantindo assim que o setor continuará a apresentar novidades ao ritmo habitual e inovações tecnológicas.



Quem reagiu à divulgação deste estudo foi o presidente da ACEM, Stefan Pierer, que também é CEO da KTM AG: “O estudo da Oxford Economics demonstra que o setor do motociclismo tem um valioso contributo social e económico para a economia e ambiente da Europa. Apesar dos desafios recentes provocados pela pandemia Covid-19, ou um momento mais complicado nas exportações, o nosso setor continua forte. A indústria do motociclismo continuará a ter um papel importante na criação de emprego, crescimento económico, e ainda na mobilidade urbana e de lazer”.

andardemoto.pt @ 14-9-2021 11:26:43


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