MotoGP 2021 GP Espanha – Dobradinha Ducati em pesadelo de Quartararo

A marca italiana colocou as duas motos de fábrica nas duas primeiras posições do Grande Prémio de Espanha. Jack Miller redimiu-se dos problemas nas primeiras rondas e vence com autoridade, num dia de pesadelo para Fabio Quartararo. Miguel Oliveira termina corrida em Jerez na 11ª posição.

andardemoto.pt @ 2-5-2021 17:17:15

As emoções estiveram altas na quarta ronda do ano de MotoGP. O Grande Prémio de Espanha no circuito Jerez Ángel Nieto terminou de forma inesperada para quem viu as primeiras voltas e depois pensava que o resultado estava feito. Mas com 27 voltas para cumprir, cada corrida de MotoGP é discutida até ao fim. E Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha) descobriu isso da pior forma!

O francês, até agora líder do mundial e homem da “pole position” em Jerez, até nem fez um bom arranque quando os semáforos se apagaram dando início à quarta corrida de MotoGP do ano.

Com a temperatura ambiente mais elevada e a grande maioria dos pilotos a optarem por pneus Michelin de composto médio, os primeiros momentos de corrida foram dominados por Jack Miller (Ducati Lenovo Team) que assumiu a liderança na primeira curva e levando consigo Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT) e Francesco Bagnaia na segunda moto de fábrica da casa de Bolonha.


Mas Quartararo sabia que o seu ritmo de corrida era o melhor dos principais pilotos e candidatos à vitória, e por isso não se atemorizou com a perda de posições na primeira volta. O líder de MotoGP encetou então uma recuperação que o levou de 4º a 1º em pouco tempo.

A partir do momento em que atingiu a liderança, Fabio Quartararo começou a fazer voltas rápidas em sucessão, e foi com naturalidade que abriu uma vantagem de cerca de 1,5 segundos para Miller, com Bagnaia e Morbidelli a terem de aguentar a pressão de Aleix Espargaró (Aprilia Gresini) e com Takaaki Nakagami (LCR Honda Idemitsu) logo atrás.

A liderança de Quartararo manteve-se relativamente estável até à entrada das dez voltas finais. A partir daí o piloto da Yamaha apresentou uma quebra acentuada no ritmo por volta. 
Inicialmente parecia ser algum problema com a M1, ou até mesmo com os pneus Michelin, mas Quartararo chegou ao fim da corrida e confirmou que a perda de posições se ficou a dever ao famoso e temido “arm pump”, que o deixou sem força nos braços e portanto não conseguia acelerar ou travar. 



Em pouco mais de uma volta Jack Miller conseguiu passar para a liderança e fugir para a vitória, a sua primeira desde Assen em 2016. O australiano, sempre emotivo e irreverente (chegou mesmo a arrotar na cerimónia do pódio!), nunca mais olhou para trás e não chegou a perceber que Fabio Quartararo foi, literalmente, engolido pelo pelotão de MotoGP nas últimas voltas.

O jovem francês, apesar do esforço para se defender até final, foi impotente para impedir a passagem dos restantes pilotos que estavam perto de si. Viria a terminar na 13ª posição, e viu a sua liderança desaparecer, com Francesco Bagnaia, que entretanto subiu e cruzou a linha de meta em segundo, a tornar-se no novo líder da classificação de MotoGP.

O italiano da VR46 Academy e que este ano se juntou a Jack Miller na Ducati Lenovo Team, voltou a obter um resultado no pódio da categoria rainha e confirmou a dobradinha da marca italiana num circuito onde as motos de Bolonha nem costumam ter bons resultados.

A acompanhar os dois pilotos Ducati no pódio terminou Franco Morbidelli. O italiano, que cresceu com Bagnaia na VR46 Academy, mostrou toda a sua frustração pela Yamaha e pela sua equipa Petronas não lhe darem uma moto mais evoluída, e assim que cruzou a meta na 3ª posição, não escondeu aquilo que sente festejando de forma bastante elucidativa.


Aliás, Morbidelli, já no “parque fechado” e no momento da entrevista após a corrida, deixou algumas palavras que podemos entender claramente como sendo um recado para a cúpula de diretores da Yamaha Racing. Será que com mais este resultado no Grande Prémio de Espanha, Franco Morbidelli consegue que Lin Jarvis e a Yamaha Racing aceitem fornecer ao vice-campeão de MotoGP material mais competitivo?

Dentro dos dez melhores classificados desta ronda de MotoGP em Espanha, destacamos Takaaki Nakagami, que aproveitou da melhor forma o momento em que o grupo em que estava inserido apanhou Fabio Quartararo, e o ultrapassou, com alguma confusão à mistura, para garantir a quarta posição e ser o melhor piloto da Honda nesta corrida.

O campeão Joan Mir (Ecstar Suzuki), ao contrário do seu companheiro de equipa Alex Rins que voltou a cometer um erro e caiu, obteve mais um resultado sólido ao seu 5º classificado, e manteve-se mesmo a salvo dos ataques do cada vez mais competitivo Aleix Espargaró, que aos comandos da Aprilia RS-GP da Gresini não teve receio de estar na luta pelo “Top 5”, embora no momento de decisão o espanhol de Granollers tenha vacilado e assim fechou na 6ª posição que até podia ter sido um 4º se tivesse sido mais assertivo.

Maverick Viñales (Monster Energy Yamaha), apesar das dificuldades, foi 7º na frente de Johann Zarco (Pramac Ducati), com as duas Repsol Honda, primeiro a de Marc Márquez e depois a de Pol Espargaró, a fecharem o lote dos dez melhores de MotoGP no Grande Prémio de Espanha.



Quanto ao português Miguel Oliveira (Red Bull KTM Factory), e sabendo-se que a sua moto ainda apresenta bastantes dificuldades para funcionar em pleno com os pneus Michelin, arrancou de 16º e foi por aí que ficou nos primeiros momentos, evitando qualquer toque que pudesse comprometer mais uma corrida.

Com o desenrolar da prova espanhola no circuito andaluz, onde algumas quedas levaram à alteração na classificação, Miguel Oliveira foi subindo um par de posições, até que nas voltas finais pareceu ter encontrado um bom ritmo para esse momento da corrida e subiu mais algumas posições.

O 11º lugar no Grande Prémio de Espanha é o seu melhor resultado até ao momento nesta temporada 2021 de MotoGP.


Quanto à classificação da categoria rainha agora que se realizaram as primeiras quatro corridas, temos Francesco Bagnaia e a Ducati no topo. O italiano tem 66 pontos e passa Fabio Quartararo que agora é segundo com 64. Maverick Viñales é o terceiro classificado com 50 pontos, enquanto Miguel Oliveira adicionou mais cinco pontos ao seu total, e tem agora um total de 9 pontos.

Dentro de duas semanas teremos a quinta ronda do ano, o Grande Prémio de França. Será no circuito de Le Mans que voltaremos a ver os melhores pilotos do mundo em duas rodas a lutarem pelos melhores lugares, novamente com destaque para a presença do português Miguel Oliveira.

andardemoto.pt @ 2-5-2021 17:17:15


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